Jornal Estado de Minas

BRA$IL EM FOCO

As eleições passaram, mas a expectativa com a economia ainda não

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Com as eleições presidenciais definidas e a transição de governo em curso, os radares começam a se voltar para as perspectivas para 2023, primeiro ano do terceiro período de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O cenário de incertezas que prevaleceu nos últimos meses em todo o mundo e principalmente no Brasil com a escolha de um novo Chefe do Executivo, governadores, deputados e senadores, persiste ainda a perspectiva de desaceleração da economia global, com risco de uma recessão nos Estados Unidos. Em maio deste, ao desenhar cenários econômicos, a equipe de economista do Banco Ourinvest traçou duas hipóteses: a primeira, com a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) no qual previam uma retração de 0,5% no PIB do país e a segunda com a vitórias nas urnas do então ex-presidente Lula, que provocaria uma alta de 2% na geração de riquezas.





Longe de ser um indicativo de preferência política, a análise levava em conta apenas o fato de a continuidade do governo representar uma acomodação em um ambiente de desaquecimento econômico, enquanto a eleição de um ex-presidente com experiência reavivaria a confiança e o otimismo dos investidores com o Brasil. Hoje, economistas de instituições financeiras não se arriscam sobre projeções para o crescimento econômico a não ser as colhidas pelo Banco Central no Relatório Focus. Nele, as projeções vem subindo nas útimas semanas, saindo de uma estimativa de incremento no PIB de 0,54% há quatro semanas para uma previsão de alta de 0,70% em 2023 no último relatório.

É um percentual ainda longe da estimativa especulada no início do ano pelo Ourinvest, mas é uma estimativa mais otimista do que a feita nesta semana pela economista-chefe da Coface América Latina, Patrícia Krause, que prevê uma forte desaceleração do PIB brasileiro em 2023, que deve fechar próximo da estabilidade, com um tímido avanço de 0,2%. Ainda assim o Brasil está melhor do que Argentina e Chile, que tem expectativa de recessão, com quedas de 0,5% e 1%, no PIB em 2023, respectivamente. “No Brasil, chegamos ao final do ciclo de alta de juros. O BC salientou que continuará monitorando o cenário e mudará de posição se for surpreendido, mas, em princípio, a ideia é que taxa continue em 13,75% pelo menos até o final do primeiro semestre”, diz Patrícia.

Para ela, a inflação ainda alta, taxas de juros elevadas e o endividamento de famílias, empresas e principalmente do governo geram perspectiva de baixo crescimento no Brasil. “Apesar da insolvência ainda sob controle, há sinais de alerta no Brasil, como os índices elevados de endividamento das famílias e a alta da inadimplência das famílias e empresas”, acrescentou Patrícia. Ele observa ainda que em relação à América Latina a dívida pública é um problema. “O que preocupa principalmente é o endividamento público aqui, que está acima da média dos emergentes em muitos países da região, incluindo o Brasil. Com certeza com a expectativa de desaceleração do crescimento no ano que vem, com os preços das commodities menos favoráveis, é um ponto de atenção como será a condução da política fiscal”, afirma a economista-chefe da Coface

A reação do mercado financeiro ao discurso do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva sugerindo priorizar o combate à fome e os gastos sociais em relação à estabilidade fiscal. A bolsa de valores, que tombava com a divulgação da volta da inflação em outubro acelerou as perdas e fechou com queda de 3,6%, enquanto o dólar disparou 4,14% e fechou a R$ 5,397. Sem definição de um nome para conduzir a economia, os investidores reagem mal a qualquer perspectiva, por menor que seja, de descontrole das contas públicas. Na campanha, por mais de uma vez, Lula falou em estabilidade, previsibilidade e normalidade como marcos que pretende dar a seu governo. No calor da transição, o presidente eleito se deixa levar pela emoção e deixou o mercado nervoso, mas deve retomar a perspectiva de conciliar gastos sociais com responsabilidade fiscal, o que será determinante para o desempenho do PIB em 2023.





Previdência privada

R$ 115,6 bilhões

É o valor acumulado nos planos de previdência privada de janeiro a setembro deste ano, com alta de 15%

Construção

Com presença confirmada na MinasCon 2022, em Poços de Caldas, a italiana Fassa Bortolo quer se aproximar do mercado da construção mineiro. Com investimento de R$ 250 milhões em uma fábrica de argamassas e rejuntes em Matozinhos, a Fassa já tem aprovado um plano de ampliação da planta industrial, que tem capacidade de 300 mil toneladas/ano, para acompanhar o crescimento das vendas.

Tendências

A tecnologia 5G será o grande destaque no próximo ano no Brasil, conforme indica a pesquisa do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE). No estudo “O Impacto da Tecnologia em 2023 e Além: um Estudo Global IEEE”, 66% dos brasileiros consideram que o 5G vai alavancar tecnologias como metaverso, internet das coisas, gêmeos digitais, realidade aumentada e realidade virtual.