Jornal Estado de Minas

BRA$IL EM FOCO

Um Brasil de endividados precisa de mais do que promessas

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Não há dúvidas de que o Brasil hoje é um país no qual de um lado há um grupo de bilionários que cresceu com a pandemia e de outro um contingente de endividados que explodiu com os efeitos da COVID0-19 nas atividades econômicas. O endividamento é uma realidade em 79% dos lares brasileiros, sendo que a inadimplência chegou a 29,6% das famílias. Os dados são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e referem-se ao mês passado.



A explicação é simples: a inflação alta corrói o poder de compra dos consumidores, que se valem do crédito para garantir o consumo de itens básicos, enquanto a renda média do trabalho não acompanha os reajustes de preços, além de ser baixa. O rendimento médio real habitual do trabalhador brasileiro hoje é de R$ 2.693, pouco mais de duas vezes o valor do salário mínimo (R$ 1.212). Com renda deprimida e preços em elevação, a conta do endividamento não fecha.

Não é um cenário de solução simples diante das altas taxas de juros praticadas hoje no país, que transformam suaves prestações em pesadas dívidas quando o cliente não consegue pagar em dia. Com a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano – e a possibilidade que chegue a 14% na próxima reunião do Copom –, as taxas no crédito livre chegaram a 51,5% ao ano em junho, com a taxa média (crédito livre e direcionado) ficando em 28,11%, mais do que o dobro da Selic. Essas taxas, que sobem com a Selic, associadas a multas muitas vezes cobradas por dia a partir do vencimento, dificultam o pagamento por parte de quem não dispõe dos recursos.

É para esse público que candidatos à Presidência da República prometem abrir um processo de renegociação desses débitos sem, no entanto, detalhar como essa negociação será feita. Aos bancos e instituições financeiras interessa dar liquidez aos seus recebíveis em aberto. Para evitar que esse número dispare, as próprias instituições financeiras estão restringindo crédito a partir da elevação da taxa básica de juros. Sem o crédito dos bancos, consumidores recorrem ao crediário próprio das lojas, que já sofrem com uma taxa de inadimplência que chega a 19,4%.



Resta saber até que ponto as propostas dos candidatos à presidência não se transformarão em uma solução momentânea, com uma alta expressiva nos meses seguintes uma vez que a condição de renda não será alterada. Há propostas de fixação de uma renda mínima ou manutenção do auxílio em R$ 600 de forma permanente, mas esse valor, defasado pela inflação, não é suficiente para organizar financeiramente as dívidas da população de menos favorecida.

O ideal é que se busquem a quitação dessa dívida, no caso de pessoas com renda muito baixa, com a adoção de subsídios. A proposta é polêmica, mas se grandes devedores têm seus débitos perdoados vez ou outra, porque não considerar não um perdão, mas uma ajuda com recursos do Orçamento para aliviar efetivamente o endividamento que vem em uma crescente e se tornou uma das causas de problemas mentais vividos por uma grande maioria dos brasileiros.

Impacto

As vendas de cimento ficaram praticamente estáveis (alta de 0,1%), chegando a 5,9 milhões de toneladas, sendo que no ano o setor registra recuo de 2,9% em relação a igual período de 2021. “O cenário econômico instável marcado por juros altos, elevado endividamento e renda baixa dos brasileiros seguem travando o crescimento da atividade cimenteira”, aponta o sindicato nacional do setor.



Help desk

Aumentou em 166% o número de chamados remotos para manutenção em equipamentos de informática e infraestrutura de operação nas corporações no primeiro semestre dese ano, segundo levantamento da FindUP, startup especializada em suporte de tecnologida da informação (TI). Os dados foram coletados com base na quantidade de solicitações feitas por 142 companhias brasileiras.

Sem fome
190 mil

É o número de pontos de venda que a Ambev espera envolver na doação de alimentos, no total de 570 mil toneladas, destinadas a ONGs