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Estado de Minas Bra$il em foco

Brasil: O ano em que fomos mais solidários tem recorde na filantropia

A pandemia acelerou necessidade de a sociedade voltar-se para si mesma, o que levou a um volume recorde de dinheiro doado para projetos sociais


05/02/2021 04:00 - atualizado 05/02/2021 08:08

 Distribuição de cestas básicas no Centro de BH por meio de ação social (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press 29/5/20)
Distribuição de cestas básicas no Centro de BH por meio de ação social (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press 29/5/20)
A pandemia de COVID-19 derrubou indicadores econômicos que só reagiram a partir do fim do ano passado, mas 2020 foi o ano em que os brasileiros foram mais solidários uns com os outros.

Em 2020, o montante de recursos doados por empresas e pessoas para projetos sociais, a conhecida filantropia, chegou a R$ 6,6 bilhões nas contas da Associação Brasileira de Captadores de Recursos.

É o maior volume de toda a história e equivalente a mais de duas vezes aos R$ 3,25 bilhões investidos em 2018, dado do último censo. A pandemia acelerou a necessidade de a sociedade voltar-se para si mesma, o que levou a esse volume recorde de dinheiro doado para projetos sociais.
 
Mas, embora seja o maior da história, o valor destinado à filantropia no Brasil é de apenas 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), contra uma participação entre 2% e 3% nos Estados Unidos, onde a filantropia é efetivamente uma fonte de recursos para projetos sociais em saúde, educação, inserção produtiva e outras áreas.

Na América, a prática de doar parte dos recursos acumulados para solução de problemas sociais vem de meados do século 19 e também se intensificou com a pandemia.  Apenas o fundador do Twitter, Jack Dorsey, doou US$ 1 bilhão. Correspondente a 28% de seu patrimônio pessoal, a quantia, ao câmbio de ontem, representa quase R$ 5,5 bilhões.
 
O recorde de captação de recursos deve melhorar a posição do Brasil no World Giving Index, o ranking mundial da solidariedade, que na versão de 2018 estava em 122º lugar.

Mais do que uma posição em relação a outros países, instituições, associações, fundações e profissionais que atuam nesse mercado comemoram o aumento dos recursos e também o maior envolvimento de empresas e cidadãos no financiamento de projetos com impacto social.

“A solução dos problemas complexos do Brasil não virá só pela filantropia, mas ela pode alavancar investimentos sociais privados, desde programas menores, com impacto local, até o reforço para políticas públicas”, diz Carola Matarazzo, diretora-executiva do Movimento Bem Maior
 
O Bem Maior foi criado em 2019 pelos empresários Rubens Menin, Eugênio Mattar Elie Horn e Bia Vidigal, exatamente com o intuito de fortalecer o sistema de filantropia no Brasil e dobrar, até 2030, o volume de investimento social privado no país.

E apenas uma ação feita pelo movimento, o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e a plataforma BSocial, que viabiliza doações para organizações da sociedade civil, conseguiu captar R$ 40 milhões destinados a 41 hospitais filantrópicos de 17 estados.

“Pela primeira vez, a gente teve o brasileiro ajudando o SUS”, observa Carola. Detalhe: quando o Fundo Emergencial para a Saúde foi criado, a meta era arrecadar R$ 5 milhões.
 
Num país cristão, a solidariedade sempre existiu, mas de uma forma emotiva. Com a filantropia, o país começa a enxergar a possibilidade de equacionamento de problemas sociais com a participação da sociedade civil, o que deve contribuir para mudar o comportamento paternalista dos brasileiros que enxergam no Estado o grande provedor.

Não se trata de substituir o Estado, mas de ter consciência de que ele existe para dar suporte à vida em sociedade, que tem que buscar soluções quando os meios públicos são escassos ou ineficientes. Executado por Ongs, Oscips, fundações e outras instituições do terceiro setor, os investimentos sociais têm destinação checada e eficiência comprovada por metodologias internacionais. Oxalá nos mantenhamos sendo mais solidários como sociedade.

Empresas

O aumento do volume de recursos para a filantropia no ano passado veio de um maior engajamento das empresas, que doaram cerca de R$ 4,8 bilhões, ou mais de 80% do total. “As empresas viram na doação uma forma de agregar valor, seja por maior envolvimento dos colaboradores, seja pela melhoria da imagem junto aos consumidores”, diz Paula Fabiani, presidente do IDIS. Ela acredita que esse movimento veio para ficar.

Formação

Universidade criada para capacitar líderes sociais para expansão e estruturação de ONGs, a Falcons University, da Gerando Falcões (GF), está expandindo seus cursos para todo o país e a primeira unidade fora de São Paulo será em Minas Gerais. As vagas para a nova unidade serão abertas a partir de segunda-feira, e as inscrições podem ser feitas de forma gratuita no link www.gerandofalcoes.com/falcons-university. As aulas começam em março.

Mão no lucro


R$ 1,5 bilhão. Foi o valor aproximado das doações de bancos, grupos de investimentos e fintechs para a filantropia em 2020

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