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Estado de Minas Bra$il em foco

A verdade da Ford que não foi dita e a falta de uma política industrial

É o primeiro passo de um processo que vai transformar o parque automotivo brasileiro, com o avanço tecnológico dos carros elétricos e autônomos


14/01/2021 04:00 - atualizado 14/01/2021 08:10

 Fábrica da montadora em Camaçari, na Bahia, será desativada como parte da estratégia de focar em SUV's e utilitários(foto: Divulgação 23/7/04)
Fábrica da montadora em Camaçari, na Bahia, será desativada como parte da estratégia de focar em SUV's e utilitários (foto: Divulgação 23/7/04)

Ao reagir à decisão da Ford de deixar de produzir veículos no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro fez discurso para os apoiadores ao transferir a responsabilidade do fechamento para a própria montadora, que, segundo ele, estaria interessada em incentivos fiscais que não recebeu, e para o governador da Bahia – a Ford vai fechar a fábrica de Camaçari, no Sul do estado – Ruy Costa (PT), que nada teria feito para evitar o fechamento da unidade, inaugurada em 2001.

Com mais de 100 anos de história no Brasil, certamente, a Ford passou por todas as mazelas econômicas do Brasil – com inflação descontrolada e planos mirabolantes –  e políticas ao longo desse tempo, e seguramente não foi uma ação do governo que motivou o anúncio da montadora.
 
Então, se não foi uma decisão política, porque a preocupação política em torno dos 5 mil empregos que a montadora deixará de manter no país, o que, nas contas do presidente, representa apenas 1,2% dos 414 mil postos de trabalho gerados no país em novembro?

A disputa política esconde, como vem fazendo no país há muitas décadas, o problema real da falta de uma política industrial que privilegie ganho de produtividade e inovação tecnológica de um lado e do alto custo tributário, logístico e de infraestrutura do outro, o que é relevado no curto prazo por um câmbio favorável.

Basta lembrar a dificuldade das indústrias têxtil e calçadista em concorrer com os produtos chineses com o dólar baixo em relação ao real.
 
A decisão da Ford tem a ver com a estratégia da montadora, que há alguns anos vem sinalizando não ter interesse em dar continuidade à produção de veículos de valor mais baixo em mercados que compram mais preço do que produto.

É o primeiro passo de um processo que vai transformar o parque automotivo brasileiro com o avanço tecnológico dos carros elétricos e autônomos, cujas previsões são de que no futuro nos locomovamos todos em computadores sobre rodas.

E isso tem um custo, que na avaliação da empresa só os consumidores com mais poder aquisitivo podem pagar. É uma transformação de longo prazo, mas o famoso carro popular brasileiro não será mais o que é hoje.
 
Além da Ford, a Mercedes-Benz também deixou de produzir no Brasil e é preciso lembrar que a fusão da Fiat Chrysler com o Grupo PSA (Peugeot e Citröen) deve ter impacto no parque fabril.

Mais uma vez, a decisão é estratégica, com a ítalo-americana ficando com a produção dos SUVs, utilitários e picapes, e os franceses com os carros pequenos e médios.

Qual a estratégia do Brasil para se colocar dentro desse processo de transformação? Qual a política para o setor industrial brasileiro? São essas perguntas que precisam ser respondidas pelo governo, e não os motivos que levaram a Ford a desistir da produção no Brasil – as vendas vão continuar. Esses já são co- nhecidos.
 
O Brasil tem o maior parque industrial da América do Sul, com estrutura diversificada, mas defasado tecnologicamente em várias áreas e sucateado em outras, após sucessivas crises e indefinições e mudanças na política industrial.

O setor, que na década de 1980 respondia por cerca de 30% de toda a riqueza gerada no país, hoje  representa pouco mais de 10% – considerando a indústria de transformação. No limiar de mudanças profundas por causa das novas tecnologias, o tempo, corre contra o Brasil.

Sem uma reformulação da carga tributária, medidas que promovam redução do custo Brasil e investimentos que deveriam ser de 25% do PIB e há décadas não chegam a 20%, o país verá outras indústrias fecharem as portas. Não por falta de incentivos, mas de competitividade.

Fundos

R$ 25 bilhões. Foi o valor da captação líquida dos fundos de investimentos entre 4 e 8 deste mês, segundo informações da Anbima

Economia do PIX

Aplicativo de pagamentos lançado pelo Banco Central no ano passado, o PIX pode representar economia para os negócios. Nas contas da Tecnofit, startup de gestão fitness, as academias podem ter uma redução de custos da ordem de até 36%. "Com essa forma de pagamento, o gestor da empresa vai pagar menos taxas e terá menos custos para cuidar da parte financeira da empresa”, diz Anderson Cichon, CTO e fundador da startup.

Pedalando

A B2W Digital adquiriu uma frota de 50 bicicletas elétricas para entrega de pedidos feitos nos sites e apps da Americanas, Submarino, Shoptime, Sou Barato e Supermercado Now (plataforma de supermercado on-line da B2W). Inicialmente, as bicicletas estão fazendo entregas em São Paulo e no Rio de Janeiro, com 1 milhão de pedidos entregues no terceiro trimestre. Este ano, o serviço será expandido para outros estados.

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