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Estado de Minas BRA$IL EM FOCO

Desacertos e crises do governo agravam impacto do vírus na economia

Apesar da ansiedade em relação à volta à normalidade, ela vai se distanciando no tempo por causa das sucessivas crises e turbulência na condução das medidas


postado em 04/06/2020 04:00 / atualizado em 04/06/2020 07:28

O próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, admitiu haver um descompasso entre a demanda e a oferta de crédito hoje no Brasil (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press %u2013 6/8/15)
O próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, admitiu haver um descompasso entre a demanda e a oferta de crédito hoje no Brasil (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press %u2013 6/8/15)


Na semana em que as três principais capitais do país iniciaram o processo de flexibilização das regras de isolamento social, o número de casos e mortes pela COVID-19 bateu recordes seguidos no país e especialistas alertaram que ainda estamos longe do pico da doença. Na área econômica, apesar do lento processo de retorno às atividades, a confiança dos empresários da indústria e do comércio está no patamar mais baixo da história. Pesquisas revelam que a crise reduziu a renda de quase 70% da população, derrubou a produção industrial, as vendas do comércio e os serviços e fez aumentar o desemprego. São indícios claros de que apesar da ansiedade em relação à volta à normalidade, ela vai se distanciando no tempo por causa das sucessivas crises e turbulências na condução das medidas de combate à doença e de mitigação dos danos do Sars-CoV-2 na economia real.
 
Passados mais de 70 dias do início da pandemia no Brasil, os números expõem esses desacertos que agravam o quadro. Em dois meses, segundo cálculos do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi), as fábricas brasileiras perderam mais de 25% da atividade. Embora a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) informe que quase R$ 1 trilhão em crédito foi liberado pelo sistema financeiro de 1º de março a 22 de maio, a imensa maioria das quase 6 milhões de micro e pequenas empresas não teve acesso a recursos para garantir fluxo de caixa durante a pandemia e só agora o governo tenta destravar recursos.
 
O próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, admitiu haver um descompasso entre a demanda e a oferta de crédito hoje no Brasil. No auxílio emergencial, 11 milhões de trabalhadores informais e microemprendedores individuais ainda aguardam na fila a primeira parcela dos R$ 600. Só a partir da semana que vem devem começar efetivamente a ser liberados os recursos do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que foi aprovado em 19 de abril pelo Congresso. Ou seja, passados 45 dias, o governo não conseguiu colocar em prática uma reivindicação das empresas chancelada pelo Parlamento e a ajuda não chega a quem precisa dela.
 
O desencontro de estratégias e ações do governo minam a confiança de empresários e investidores brasileiros e estrangeiros na retomada da economia brasileira, afugentando capitais e investimentos do país. Esse pé atrás dos investidores com o país, por causa da pandemia e também pela crise política que persiste e espalha desconfiança em relação ao Brasil, vai dificultar o processo de retomada da economia. As previsões já começam a empurrar para meados de 2021 uma reação mais forte. É o preço das indefinições e trombadas entre os níveis de governo e entre esses e o setor privado.
 
O tombo só não será maior porque a venda de comodities (agropecuárias e minerais) não foi interrompida mesmo com as medidas de isolamento em grande parte do mundo. O impacto positivo da agropecuária na economia brasileira este ano deve chegar a 25% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 5,2% no ano passado. Isso porque a participação da indústria, que respondeu por 20,9% do PIB, vai despencar este ano, assim como a dos serviços, que juntos representam 73,9% da geração de riqueza do país. Os números do comércio e serviços em abril, que podem ser recordes históricos de queda, como no caso da indústria, vão confirmar o impacto forte da pandemia sobre a atividade econômica brasileira.

Carga Pesada

R$ 876 bilhões. É  quanto brasileiros pagaram  de impostos de janeiro até hoje, segundo o Impostômetro. Isso equivale a 153 dias de trabalho de cada cidadão

Um cafezinho?

No embalo do campo, que passa imune à COVID-19, as vendas externas de café solúvel para 87 países de janeiro a abril somaram 1,329 milhão de sacas de 60 quilos de café, um aumento de 7,3% em relação aos quatro primeiros meses de 2019. E pode ser porque o brasileiro ficou mais tempo em casa que as vendas ao mercado interno cresceram 19% e chegaram a 298 mil sacas de 60 quilos, segundo dados do Observatório do Café.

Oportunidade

De 22 a 26 deste mês, empresas brasileiras do setor de alimentos e bebidas interessadas em exportar vão poder participar de uma rodada internacional de negócios envolvendo micro, pequenas e médias empresas. O envento, que será virtual, terá compradores da América Latina, Estados Unidos, Índia, Emirados Árabes e Canadá. A roda de negócios é promovida pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Sebrae, CNI E Apex-Brasil

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