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Estado de Minas BRA$IL EM FOCO

COVID-19: cresce a certeza de piora da economia neste ano

Tanto pela pandemia como pela crise política, crescem as apostas de uma queda de mais de 10% do PIB brasileiro no segundo trimestre


postado em 28/05/2020 04:00 / atualizado em 28/05/2020 07:32

Corte de 860,5 mil postos de trabalho com carteira assinada em abril mostra efeito do novo coronavírus na vida dos trabalhadores(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press 25/3/19)
Corte de 860,5 mil postos de trabalho com carteira assinada em abril mostra efeito do novo coronavírus na vida dos trabalhadores (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press 25/3/19)

A divulgação dos primeiros indicadores do início do segundo trimestre, a começar pelo fechamento de 1,1 milhão de postos de trabalho no país em março e abril – 860,5 mil só no mês passado –, revelado ontem no retorno da divulgação dos dados do Caged, e pela retração de 97% nos investimentos diretos no Brasil, que passaram de US$ 7,621 bilhões em março para apenas US$ 234 milhões em abril, segundo o Banco Central; sem contar a deflação de 0,31% nos preços, mostram a estagnação da atividade econômica. Hoje, o IBGE confirma o estrago da pandemia de COVID-19 no mercado de trabalho, amanhã o PIB do primeiro trimestre e nos próximos dias os dados da indústria, do comércio e dos serviços.
 
No primeiro trimestre a expectativa é de que o PIB tenha recuado cerca de 2%. E pior, os primeiros números de abril revelam que o estrago provocado pelo novo coronavírus e pelo desencontro de ações e planejamento do combate à doença e seus efeitos vai ser muito maior do que se esperava até agora. A expectativa em relação aos investimentos diretos, por exemplo, era de que eles somassem R$ 1,5 bilhão e não chegaram nem a 20% dessa estimativa. Com esses números e num ambiente de incertezas crescentes em relação ao país, tanto pela pandemia quanto pela crise política, crescem as apostas de uma queda de mais de 10% do PIB brasileiro no segundo trimestre.
 
Essa percepção joga ainda mais para baixo a projeção de queda da atividade econômica do país este ano, mesmo se houver flexibilização das medidas de isolamento social a partir da próxima semana na grande maioria dos estados. Nem mesmo a expectativa de reaquecimento a partir de julho, ou seja, no segundo semestre, é certa. Estudo da Federação das Indústrias de Minas (Fiemg) mostra que alguns fatores, como a baixa capacidade de testagem para o vírus (o que pode resultar em retomada descontínua, com um processo de abre e fecha até o fim deste ano), perda significativa de empregos, reestruturação em alguns setores, piora na condição financeira das famílias e a desaceleração do comércio global, devem dificultar a aceleração da atividade econômica.
 
São esses fatores que estão levando as previsões sobre a economia brasileira neste ano para um tombo de cerca de 7%. O Instituto Internacional de Finanças (IFI) cortou suas projeções para o PIB do Brasil em 2020 de 4,1% para 6,9% agora, projeção semelhante é feita, principalmente, por instituições internacionais: JP Morgan e BNP Paribas (-7%), Goldam Sachs (-7,4%), Bank of America (-7,7%). Hoje, já é consenso que o PIB brasileiro cai pelo menos 6% este ano, o que é bem mais do que se previa no início abril, quando a pandemia começou a decolar em território nacional.
 
Famílias endividadas, desemprego alto, confiança dos empresários no patamar mais baixo da história, produção industrial, vendas do comércio e serviços em queda livre, incertezas políticas, elevação do déficit público para perto de 8% do PIB e da dívida pública para próximo de 90% do PIB são os ingredientes internos que afugentam os investimentos diretos e vão dificultar a retomada da economia brasileira. Além disso, matrizes das multinacionais que estão no Brasil perderam capacidade de investir no país e a China, que teve peso na recuperação global em 2008, agora terá protagonismo bem mais moderado. O quadro se agrava e as consequências econômicas serão bem piores do que o esperado este ano.

Varejo em queda

Ao contrário de um aumento médio de 40%, as vendas do comércio em maio devem ter caído 22,11%, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar). Com a pandemia de COVID-19, nem o Dia das Mães foi suficiente para evitar o tombo no varejo. Pelo levantamento, apenas super/hipermercados (22,93%) e farmácias (9,59%) tiveram alta, o que mostra gastos só com o essencial.

Investimento

Para atender a um mercado que movimenta cerca de R$ 1 bilhão no país a cada ano, a Lemgruber estuda antecipar investimento de R$ 20 milhões na expansão da sua produção de luvas de procedimento cirúrgico, que saltou de 90 milhões para 130 milhões de unidades. A previsão era de que os recursos fossem aportados na fábrica em Paraíba do Sul (RJ) apenas no segundo semestre. Hoje, 75% do mercado de luvas é atendido por importações.

Fuga de capital


US$ 10,26 bi. É o saldo negativo do fluxo cambial deste ano até 22 de maio, segundo informou ontem o Banco Central.

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