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Estado de Minas BRA$IL EM FOCO

Piora do PIB revela crise grave e eleva pressão por socorro a empresas

Mas dificilmente se terá um programa de apoio às empresas com aporte de dinheiro nas companhias a exemplo do programa emergencial para os trabalhadores informais


postado em 14/05/2020 04:00 / atualizado em 14/05/2020 07:13

Esvaziamento e fechamento de restaurantes a partir de meados de março derrubou, junto com o turismo, o setor de serviços no mês(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press 18/3/20)
Esvaziamento e fechamento de restaurantes a partir de meados de março derrubou, junto com o turismo, o setor de serviços no mês (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press 18/3/20)

O tombo de 6,9% no setor de serviços em março deste ano com relação a fevereiro, puxado pelo desabamento de 31,2% dos serviços prestados às famílias mostra o tamanho do impacto da pandemia do novo coronavírus no setor que responde por cerca de 70% do PIB Brasileiro. Os três primeiros meses do ano – por mais que a equipe do governo dissesse que estávamos em decolagem – foram na realidade de abortamento do voo econômico deste ano. Nas contas da Fundação Getulio Vargas (FGV), a atividade econômica retraiu 1,4% no primeiro trimestre ante o último trimestre do ano passado. Ontem, o próprio Ministério da Economia reconheceu que a economia brasileira deve registrar retração de 4,7% neste ano.
 
A deterioração da atividade econômica pode ser ainda pior. Relatório divulgado esta semana pelo economista Nicola Tingas, consultor econômico da Acrefi, mostra que as projeções de queda do PIB este ano variam na faixa de 4% a 7%, com maior frequência na retração mais acentuada. “O Brasil terá a maior queda anual do PIB em 100 anos”, observa Tingas no relatório. O agravamento do cenário aumenta a pressão de empresários para que o governo socorra as empresas nos moldes do que foi feito nos Estados Unidos e em países da Europa, onde os governos injetaram dinheiro nas companhias para evitar o agravamento da crise econômica e do desemprego.
 
“O governo precisa investir nas empresas como investiu para atender os mais necessitados. As empresas precisam de recursos para sobreviver. Nem que para isso tenha que se emitir dinheiro. As empresas estão falindo e essa é uma realidade que o governo, que o Estado brasileiro tem que resolver”, desabafa o empresário George Pinheiro, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresarias do Brasil (CACB) e membro de comitê de trabalho criado pelo ministro Paulo Guedes para discutir medidas para conter a crise econômica. George revela que o ministro está sensível às reivindicações. “Os Estados Unidos e a Europa colocaram dinheiro na conta das empresas. Não tem saída, ou o governo protege a estrutura empresarial ou não terá mais estrutura empresarial no Brasil”, acrescenta o presidente da CACB.
 
Mas dificilmente se terá um programa de apoio às empresas com aporte de dinheiro nas companhias a exemplo do programa emergencial para os trabalhadores informais. Mas o governo terá que equacionar a falta de recursos no setor privado, principalmente no caso das micro e pequenas empresas. Principalmente porque o dinheiro liberado para o sistema financeiro não está chegando por burocracia excessiva dos bancos e taxas de juros muito altas para uma situação de crise sanitária e econômica. A tendência é que o governo dê aval aos fundos garantidores para cobrir o risco nas operações de crédito emergencial para o setor privado.
 
O Ministério da Economia aguarda apenas o desfecho do projeto de apoio aos estados e municípios, que está nas mãos do presidente para ser sancionado, para definir o montante de gastos (com ou sem reajuste de servidores) e assim estabelecer os recursos que serão aportados nestes fundos. Para as micro e pequenas empresas, o projeto na Câmara fixa o Fundo Garantidor de Operações (FGO), que será gerido pelo Banco do Brasil até o limite global de R$ 15,9 bilhões, enquanto para as médias empresas será feita a capitalização do Fundo de Garantia dos Investimentos (FGI), com aporte de R$ 20 bilhões do Tesouro. Nos dois casos, as taxas de juros são menores e a garantia é dada pelos fundos. Com a alavancagem de bancos privados esses recursos pode significar empréstimos da ordem de R$ 100 bilhões. O governo precisa ser rápido para evitar que o socorro chegue tarde demais.


Custo Brasil


R$ 320 bilhões. É o quanto pode ser liberado para a economia com uma redução de 20% no Custo Brasil, nas contas do secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos Da Costa

Tombo maior

Apesar de o governo ter revisto o PIB deste ano de um crescimento de 0,02% para queda de 4,7%, o economista Álvaro Villa, da Messem Investimentos avalia que a equipe econômica está sendo otimista. Para ele, a contração será maior. “Temos grandes chances de que a economia fique fechada até o final do ano. Assim, o mais provável é uma retração entre 5% e 6% do PIB em 2020”, aposta Álvaro Villa.

Alheio ao vírus

O agronegócio brasileiro parece estar imune aos impactos da pandemia de COVID-19 na economia. Estudo do Ministério da Agricultura mostra que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de 2020, atualizado com base nas informações de abril, deve atingir R$ 697 bilhões, alta de 8,6% em relação a 2019. Justo quando a economia atravessa o seu pior momento, o valor da produção campo será o maior em 31 anos.



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