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Estado de Minas BRA$IL EM FOCO

Com avanço tímido e coronavírus, pode faltar fôlego para retomada

Previsões do Banco Mundial e do FMI indicam que a geração de riqueza brasileira terá neste ano queda equivalente a 70% do recuo registrado em 2015 e 2016, o pior desempenho em mais de 100 anos


postado em 16/04/2020 04:00 / atualizado em 16/04/2020 07:33

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)

As previsões dos organismos internacionais nos últimos dias mostram a gravidade do quadro que o mundo enfrenta e que se repete no Brasil, com o acréscimo de que a economia brasileira vem da que foi até agora sua mais grave recessão, seguida de três anos de avanço tímido da geração de riqueza. São indicativos de que a crise será longa e mais profunda do que se previa até então. A se confirmarem as previsões do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, a economia brasileira terá, apenas neste ano, uma queda equivalente a 70% do recuo registrado em 2015 e 2016, e o pior desempenho em mais de 100 anos. Enquanto o Bird projeta uma retração de 5% para o PIB brasileiro em 2020, o FMI fala em um tombo de 5,3%.

Nos dois casos, o resultado é pior do que a queda do PIB de 4,35% em 1990, ano em que Fernando Collor de Mello confiscou a poupança dos brasileiros. Uma crise nessa proporção pode deixar sequelas e se arrastar por mais tempo do que propriamente o período da pandemia. Todo o dinheiro injetado até agora na economia global – e no Brasil – foi apenas para mitigar os impactos da COVID-19, num esforço para preservar as empresas e os empregos até que a doença seja controlada na maior parte do mundo. Isso sem contar, é lógico, o esforço para ampliar os sistemas de saúde e salvar o maior número possível de vidas.

“Em 25 anos, eu já vi muita crise e em todas elas havia uma grande solução financeira que significava baixar juros e injetar dinheiro para a economia retornar. Essa crise é de outra natureza, não é porque o governo coloca liquidez que se vai sair dela”, alerta Adalbero Cavalcanti, CEO da RB Investimentos, para mostrar a natureza dos impactos da pandemia sobre a economia real. “É preciso fortalecer a capacidade de sobrevivência das empresas e preservar empregos. Se as empresas sobreviverem, no futuro os salários voltam de forma natural”, reforça, ao lembrar que a pandemia tem prazo para acabar.

Como a severidade da crise exige que contratos de trabalho sejam suspensos e salários e jornada reduzidos e as empresas terão que fazer uso do caixa de um lado e se endividar de outro para sobreviver, pode faltar fôlego para uma retomada mais rápida da economia. Consumidores com renda reduzida e endividados – em abril, as famílias endividadas chegam a quase 70% – e empresas também descapitalizadas e mais endividadas, indicam que consumo e investimentos necessários para uma retomada ficarão comprometidos.

Com o estado elevando significativamente o rombo fiscal para combater o novo coronavírus, o que é necessário neste momento, sua capacidade de investir se torna ainda mais restrita. É preciso que o país esteja preparado para retomar a atividade econômica após a COVID-19, e nessa hora pode ser necessário que o estado tenha um papel mais forte na atividade econômica, como indutor das ações que apoiem e deem sustentação a esse processo de reação, que será lento e demorado. Nas projeções do FMI, em 2021, com a pandemia superada, a economia global deve crescer 5,8%, enquanto a brasileira vai avançar metade desse percentual. E para o Bird, depois do tombo de 5% este ano, o PIB brasileiro crescerá 1,5% no ano que vem, o que mostra uma visão desses organismos da capacidade limitada de reação da economia brasileira.


R$ 7,7 bilhões foi o faturamento das empresas do mercado de fidelização no Brasil no ano passado, segundo a associação do setor

Pela internet

Com o comércio tradicional de portas fechadas, o e-commerce cresce. Estudo da Compre&Confie, empresa de inteligência de mercado, mostra que o faturamento do comércio on-line no primeiro trimestre chegou a R$ 20,4 bilhões, com alta de 26,7% sobre igual período de 2019. O volume de compras pela internet aumentou 32,6% no período, com 49,8 milhões de aquisições de janeiro a março deste ano.

Fundos desvalorizam

Em pesquisa da Magnetis Investimentos com os 1.521 fundos abertos para captação de aplicações em previdência, pelo menos 79,7% deles fecharam o primeiro trimestre deste ano com resultado negativo e quedas de até 40%. Nos três primeiros meses do ano passado, esses fundos registraram aumento de 23,4% nas contribuições, com ganho médio de 11,1%. O que mostra o impacto do novo coronavírus.

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