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Estado de Minas BRA$IL EM FOCO

Por que é preciso antecipar os impactos do coronavírus sobre a economia

As indicações no Brasil são de que a recessão já é inevitável ainda que o comércio volte a funcionar, como defende o presidente Jair Bolsonaro e isso requer ação para conter uma desorganização do setor produtivo


postado em 02/04/2020 04:00 / atualizado em 02/04/2020 08:40

Agência de emprego em BH: o número de desempregados tende a crescer no país, podendo subir, nos próximos meses, a momentâneos 17 milhões(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press 2/1/17)
Agência de emprego em BH: o número de desempregados tende a crescer no país, podendo subir, nos próximos meses, a momentâneos 17 milhões (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press 2/1/17)

Uma imagem que circulou nas redes sociais brasileiras nos últimos dias mostra uma onda menor, que seria o coronavírus, prestes a atingir a praia (leia-se o país) e uma segunda onda, logo atrás, muito maior, com a palavra recessão. Na verdade as duas ondas estão chegando juntas à medida em que economistas e organizações nacionais e internacionais tentam antecipar o impacto que a pandemia do coronavírus terá na economia. Um fato é certo, a recessão já é inevitável, mesmo que se volte a abrir o comércio como deseja o presidente Jair Bolsonaro. Já são mais de 15 de dias de medidas restritivas em todo o país e paralisação do comércio e de indústrias de alto valor agregado, como as montadoras. São mais do que os dias de paralisação na greve dos caminhoneiros em 2018 e que comeu parte do PIB daquele ano. O coronavírus deve arrancar uma fatia maior da geração de riqueza do Brasil.

Então, o que é preciso fazer agora é mitigar esse impacto, tanto da primeira quanto da segunda onda. Ontem, o governo mostrou caminhar para o rumo correto ao divulgar medidas que vão reduzir o custos para as empresas, garantir renda para trabalhadores informais e formais, sem questionamentos sobre a necessidade de medidas para contenção da disseminação do coronavírus. E mais, assegurando recursos para a saúde. O próprio ministro da Economia, Paulo Guedes – que como cidadão prefere ficar em casa – disse que a economia aguenta um, dois meses e que no terceiro começaria a se desorganizar.
 
É preciso agir para que a desorganização da economia não ocorra, mesmo que se tenha que chegar a 90 dias de medidas protetivas. A decisão de permitir cortes de jornada de trabalho e salários, com o governo complementando a renda do trabalhador, representa alívio para micro e pequenas empresas e seus milhares de empregados. Serão R$ 51 bilhões para cobrir cortes de jornada e salário que podem ser de 20%, 25% e 30%. Além disso, outros R$ 40 bilhões (R$ 20 bilhões a cada mês) estão disponíveis com crédito com juros mais baixos para empresas de pequeno porte quitarem salários. Nos dois casos, as empresas se comprometem a manter os empregos.

Junto com a ajuda emergencial de R$ 600 por mês aos trabalhadores informais por três meses – são cerca de 38 milhões de brasileiros nessa situação – ao custo de R$ 98 bilhões pago pelo Tesouro Nacional, são essas ações, que segundo Paulo Guedes vão custar o equivalente a 2,6% do PIB, que vão permitir ao país atravessar o período de surto da doença com condições de retomar as atividades lá na frente. Aliada a elas, é fundamental que a população que pode permaneça em casa até que a situação volte a se normalizar, o que ainda vai levar um tempo – nas contas do Ministério da Saúde são pelo menos três meses.

A onda vai chegar. O Ipea previu esta semana que o PIB brasileiro fechará este ano com queda de 0,4% a 1,8%. O desemprego que subiu para 11,6% em fevereiro, afetando 12,3 milhões de brasileiros, vai subir momentaneamente nos meses seguintes e pode chegar a 16% na visão mais pessimista, ou quase 17 milhões de pessoas. As vendas de carros e imóveis estão praticamente zeradas ou bastante abaixo do normal, assim como hotéis estão fechados e cidades turísticas desertas e o varejo, exceto supermercados e farmácias, quase todo de portas fechadas.

É um quadro amargo, mas necessário para que se supere a doença. E como alertou a diretora do FMI, Kristalina Georgieva, a recuperação da economia no ano que vem depende dos resultados da contenção da pandemia e da redução das incertezas. Assim, a onda vai passar.

''É preciso agir para que a desorganização da economia não ocorra, mesmo que se tenha que chegar a 90 dias de medidas protetivas''



Indústria


R$ 2,9bilhões de euros foi a receita da RHI Magnesita em todo o mundo no ano passado, segundo relatório divulgando ontem

Otimismo chinês

Pesquisa semanal feita pelo Boston Consulting Group revela que 38% dos consumidores chineses acreditam que o pior do coronavírus já passou e 43% acreditam que a China está mais segura do que o resto do mundo. Já o Índice dos Gerentes de Compra (PMI) chinês passou de 35,7% em fevereiro para 52% em março, um resultado acima do esperado e mostrando que o país asiático vai retomando suas atividades.

Sobradinho

Desde ontem, o reservatório da hidrelétrica de Sobradinho opera acima do seu volume útil por causa das chuvas dos últimos meses e a liberação de água dos reservatórios antes da usina na Bahia. A barragem está com 73,98% do seu volume útil, segundo a Agência Nacional de Águas. É a primeira vez que a usina opera sem limite máximo de liberação de água desde abril de 2013, quando teve início a seca na região.

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