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Estado de Minas BRA$IL EM FOCO

Mercado financeiro está febril: respostas aos efeitos do coronavírus

''A redução de taxas de juros e a abertura de linhas de crédito são reações aos sintomas econômicos da infecção''


postado em 12/03/2020 04:00 / atualizado em 19/03/2020 08:13

(foto: Pixabay.com)
(foto: Pixabay.com)
O mercado financeiro está febril. E as cotações das ações vão oscilar nos próximos dias, dependendo do avanço do COVID-19 – que foi promovida a pandemia – e das medidas para contê-lo, que impactam de forma severa na produção, no consumo e nos serviços e derrubam perspectivas de crescimento mundo afora. O risco de recessão global se eleva concretamente, principalmente com o vírus ganhando um parceiro de peso como a guerra pelo mercado de petróleo entre a Arábia Saudita e a Rússia, que barrou um acordo na Opep para estabilizar os preços e derrubou as cotações do barril para menos de US$ 40.

No Brasil, o governo reduziu a previsão de alta do PIB este ano de 2,4% para 2,1%, mas, para o mercado, a geração de riqueza vai ficar abaixo de 2%, enquanto para a ONU a taxa se aproxima de 1%. Já a inflação dá mostras de estar definitivamente controlada. Em fevereiro, o IPCA ficou em 0,25%, a menor taxa para o mês em 20 anos. Esse quadro torna quase consenso que o Copom vai reduzir a taxa básica de juros na reunião da próxima semana em 0,5 ponto percentual – dos atuais 4,25% para 3,75% –, seguindo o que fizeram o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e o Banco da Inglaterra (BOE), que promoveram cortes dessa magnitude nas suas taxas básicas de juros, que estão entre 1% e 1,25% e em 0,25%, respectivamente.

Tanto nos Estados Unidos, quanto na Europa, governos estão criando linhas de crédito e propondo redução de impostos para combater os efeitos do coronavírus na economia. A redução de taxas de juros e a abertura de linhas de crédito são reações aos sintomas econômicos da infecção, que provocaram choque de oferta nas cadeias globais de suprimento, gerando dificuldade de caixa para as empresas. No Brasil, a redução do custo dos juros permitirá que as empresas com dificuldade de caixa neste momento, tanto pela redução do faturamento com queda nas vendas ou interrupção de produção, possam ter condições de honrar seus compromissos financeiros, sem gerar aumento acelerado da inadimplência e uma quebradeira acentuada, com a extensão dos impactos do coronavírus por mais meses.

Mas, diferentemente dos EUA e de países europeus, o Brasil não dispõe de condições para ofertar crédito orçamentário ou investir recursos públicos. Ao contrário, o que já se fala na equipe econômica é a realização de cortes orçamentários. Mas uma decisão do Banco Central em 20 de fevereiro pode ajudar a dar condições para empresas não entrarem num quadro de insolvência, cuja primeira medida pode ser a redução de postos de trabalho.

No fim de fevereiro, o BC reduziu o compulsório dos bancos de 31% para 25% e os desobrigou de manter retidos ativos líquidos de alta qualidade. As duas medidas, que entram em vigor no próximo dia 16, têm potencial para liberar R$ 135 bilhões que os bancos poderão destinar para empréstimos e refinanciamento de dívidas de empresas em dificuldades. Essas são medidas possíveis, mas, longe de ser uma marolinha, ou uma fantasia, a crise gerada pelo novo coronavírus difere da de 2008 e pode ser que dar liquidez e solvência ao mercado e às empresas leve mais tempo para surtir efeito.

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Impacto global

Dois indicadores globais divulgados pela Fundação Getulio Vargas – Barômetro Coincidente e Antecedente da Economia Global – mostram que a epidemia de coronavírus já impactou a economia mundial. O primeiro caiu de 92,4 pontos em fevereiro para 78 pontos em março. O segundo recuou de 97,6 pontos para 87,2 pontos no mesmo período. Indústria e comércio derrubaram os indicadores.

Receita maior

Antes do coronavírus, a receita bruta de todas as lavouras brasileiras, considerando os preços médios de janeiro, estava estimada em R$ 438 bilhões. Com destaque para a soja, com R$ 158 bilhões e participação de 36% no valor total. Em segundo lugar aparece o milho, com R$ 72,7 bilhões. Já o faturamento da lavoura cafeeira está estimado em R$ 25 bilhões, contra R$ 20 bilhões em 2019.
 

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