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Estado de Minas

Análise: Moratória rumo à transição

Ao aceitar a moratória, o FMI permitirá uma transição tranquila e abrirá uma porta de negociação com Fernandez. Caso contrário, as turbulências argentinas vão aumentar até a ida às urnas


postado em 28/08/2019 21:55 / atualizado em 28/08/2019 22:00

Macri, presidente argentino (foto: Juan MABROMATA / AFP )
Macri, presidente argentino (foto: Juan MABROMATA / AFP )
Com as pesquisas indicando a vitória do líder oposicionista Alberto Fernandez, a moratória da Argentina negociada com o FMI é uma medida para conter a desvalorização do peso e a alta da inflação e também um passo no sentido da transição de governo. Fernandez se diz favorável a uma renegociação dos termos da dívida de US$ 57 bilhões que o país tem com o fundo. 
 
Diferentemente do que ocorreu em 2001, quando o país tinha déficits externos e baixas reservas cambiais, sendo obrigado a suspender os pagamentos da dívida externa de US$ 146 bilhões, no maior calote da história, agora pede para negociar prazos. É o “Devo, não nego, pago quando puder”. Ao pedir a moratória ao FMI e anunciar o adiamento de pagamentos da dívida pública, o governo sinaliza que vai priorizar o uso das reservas cambiais para agir no câmbio e segurar a valorização do dólar frente ao peso pelo menos até o primeiro turno das eleições, em 27 de outubro. 
 
Técnicos do fundo se reuniram com governo e oposição nos últimos dias, mas o FMI não disse se aceita ou não a repactuação de prazos proposta pelo governo Maurício Macri. Ao aceitar a moratória, o FMI permitirá uma transição tranquila e abrirá uma porta de negociação com Fernandez. Caso contrário, as turbulências argentinas vão aumentar até a ida às urnas.


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