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Estado de Minas ENTRE LINHAS

A resiliência de Moro nas pesquisas, mesmo após acusação de manipulação

Levantamento indica que vazamento de mensagens não abalam preferência pelo ex-juiz em 2022


09/02/2021 04:00 - atualizado 09/02/2021 07:41

Sergio Moro continua em alta na preferência do eleitorado para a eleição presidencial(foto: MARCELLO CASAL JR./AGENCIA BRASIL)
Sergio Moro continua em alta na preferência do eleitorado para a eleição presidencial (foto: MARCELLO CASAL JR./AGENCIA BRASIL)


MORO: Esse documento em que a perícia da PF constatou ter sido feita uma rasura, o senhor sabe quem o rasurou?

LULA: A Polícia Federal não descobriu quem foi? Não? Então, quando descobrir, o senhor me fala, eu também quero saber.

MORO: O senhor não sabia dos desvios da Petrobras?

LULA: Ninguém sabia dos desvios da Petrobras. Nem eu, nem a imprensa, nem o senhor, nem o Ministério Público e nem a PF. Só ficamos sabendo quando grampearam o Youssef.

MORO: Mas eu não tinha que saber. Não tenho nada com isso.

LULA: Tem sim. Foi o senhor quem soltou o Youssef. O senhor deve saber mais que eu [referindo-se ao escândalo do Banestado].

MORO: Saíram denúncias na Folha de S. Paulo e no jornal O Globo de que…

LULA: Doutor, não me julgue por notícias, mas por provas.

MORO: Senhor ex-presidente, você não sabia que Renato Duque roubava a Petrobras?

LULA: Doutor, o filho quando tira nota vermelha, ele não chega em casa e fala: “Pai, tirei nota vermelha”.

MORO: Os meus filhos falam.

LULA: Doutor Moro, o Renato Duque não é seu filho.

MORO: Tem um documento aqui que fala do triplex…

LULA: Tá assinado por quem?

MORO: Hmm… A assinatura tá em branco…

LULA: Então, o senhor pode guardar por gentileza!

O diálogo cortante acima, quase um repente, é o resumo do depoimento do réu Luiz Inácio Lula da Silva ao então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sergio Moro, que circula nas redes sociais com o mesmo significado de quando ocorreu: um duelo verbal entre o ex-presidente da República e o líder da Operação Lava-Jato. É divulgado como uma peça de desconstrução de Moro, que de acusador passa a acusado, na polêmica entre os advogados de Lula e os antigos integrantes da força-tarefa de Curitiba que desmantelou o esquema de corrupção na Petrobras.

A Pesquisa XP/Ipespe divulgada ontem, porém, mostra que o bombardeio contra o ex-juiz, do ponto de vista da opinião pública, pode ter errado o alvo. Moro aparece como o melhor colocado nas simulações de segundo turno sobre a eleição para a Presidência da República de 2022.

Pesquisa

O governo Bolsonaro vem em queda nas pesquisas desde setembro, sendo avaliado como "ruim ou péssimo" por 42% dos entrevistados, ante 40% em janeiro. Trinta por cento o veem hoje como "bom ou ótimo". No mês passado, eram 32%. Mais da metade (53%) dos brasileiros avalia como "ruim ou péssima" a atuação do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia, que, no Brasil matou 231 mil pessoas desde março do ano passado. A pesquisa divulgada ontem indica que a percepção negativa sobre o presidente tem piora contínua desde outubro, quando o indicador estava em 47%.

Mesmo assim, Bolsonaro continua sendo líder absoluto na pesquisa estimulada, com 28% das intenções de votos. Moro (sem partido) e Haddad (PT) têm 12%; Ciro Gomes (PDT), 11%. Estão embolados num empate técnico. A mesma coisa com  Luciano Huck (sem partido), 7%; e Guilherme Boulos (Psol), 6%, num segundo grupo. João Doria (PSDB), com 4%; João Amoedo (Novo), 3%; e Henrique Mandetta (DEM), com 3%, vêm no terceiro empate técnico.

Numa disputa de segundo turno, porém, o único que derrota Bolsonaro nas simulações é o ex-juiz Sérgio Moro, com 36% contra 32%.  Os demais resultados são favoráveis a Bolsonaro: 39% a 37% contra Ciro; 37% a 33%, Huck; 37% a 30%, Doria; e 42% a 31%, contra Boulos.

Fora do debate político, pois resolveu se dedicar à advocacia, Moro voltou ao noticiário político devido à divulgação das gravações de suas conversas com os procuradores da Lava-Jato, liberadas pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), cuja Segunda Turma deve validar a legalidade do compartilhamento de dados da Operação Spoofing com a defesa do ex-presidente Lula. A Polícia Federal apreendeu mensagens de Telegram trocadas entre integrantes da Lava-Jato, nas quais há evidências de que o então juiz Sergio Moro e procuradores da República, especialmente Deltan Dallagnol, coordenaram suas ações para condenar o ex-presidente da República. Moro e Dallagnol negam a não conformidade, que pode levar à anulação da condenação de Lula no caso do triplex de Guarujá. Desconstruído como juiz, porém, Moro cresce como candidato à Presidência, quanto mais apanha dos petistas.

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