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Estado de Minas ENTRE LINHAS

Bolsonaro muda para reverter erros que afetam gestão da pandemia

Enquanto a oposição aposta no impeachment, presidente procura avançar na 'guerra de posições' e tenta usar mais recursos para controlar o Congresso


21/01/2021 04:00 - atualizado 21/01/2021 07:21

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pediu, a reboque do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a liberação de insumos para produção de vacinas contra a COVID-19 (foto: Miguel Schincariol/AFP )
O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pediu, a reboque do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a liberação de insumos para produção de vacinas contra a COVID-19 (foto: Miguel Schincariol/AFP )

Caiu a ficha no Palácio do Planalto de que o vento mudou de rumo, com a posse do presidente Joe Biden, ontem, já anunciando mudanças fundamentais na política externa norte-americana e a volta da Casa Branca ao eixo da democracia e do “sonho americano”.

Rapidinho, o presidente Jair Bolsonaro enviou uma longa carta ao presidente dos Estados Unidos, sugerindo o seu próprio reposicionamento em relação ao democrata, para manter a parceria estratégica, enquanto o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em video conferência — a reboque do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ)—, pedia ao embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, para interceder em favor da liberação dos insumos de que precisamos para produzir as vacinas contra a COVID-19. Nada como um dia atrás do outro.

 

A mudança na política externa dos Estados Unidos não acabou com a soberba no Itamaraty. O embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster, por exemplo, ao comentar a troca de ocupantes da Casa Branca,  disse que Biden precisa entender a mudança que houve no Brasil com eleição de Bolsonaro, um país muito diferente daquele que conhecera quando era vice-presidente de Barack Obama.

Ora, o novo presidente dos Estados Unidos sabe muito bem o que aconteceu, pois conhece o nosso país. Bolsonaro, o tempo todo, foi uma espécie de espelho de Donald Trump.

 

Ao mesmo tempo em que complicou a vida de Bolsonaro, a vitória de Biden deu gás para a oposição, que resolveu apostar no impeachment do presidente brasileiro, principalmente depois do colapso do Sistema Único de Saúde (SUS) no Amazonas.

Os partidos de esquerda estão convocando carreatas para o próximo sábado, para protestar contra o governo, devido à falta de vacinas.

A crise sanitária se agravou com a segunda onda da pandemia de coronavírus e Bolsonaro está sendo responsabilizado por causa de seu reiterado negacionismo, em relação à gravidade da doença, à importância do uso de máscaras e do distanciamento social, além da necessidade de vacinação em massa da população.

 

Chapa quente

 

Os mesmos movimentos cívicos que embalaram a campanha do impeachment da presidente Dilma Rousseff  — MBL,Vem pra Rua, Agora, Acontece etc.. —, também começam a se mobilizar nas redes sociais e a convocar manifestações contra o governo. Os humores da sociedade estão mudando, conforme demonstram as pesquisas de opinião, mas isso não significa que a oposição tenha força suficiente para viabilizar o impeachment.

A pandemia tira o povo das ruas e o Congresso dá sinais de que os aliados de Bolsonaro vão levar a melhor na disputa pelas Mesas da Câmara e do Senado. Enquanto a oposição tenta promover uma “guerra de movimento”, Bolsonaro procura avançar na “guerra de posições”, movendo mundos e fundos, isto é, cargos e verbas, para eleger Arthur Lira (PP-AL)  e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) às presidências da Câmara e do Senado, respectivamente. Caso tenha êxito, o seu impeachment dificilmente descerá do telhado.

 

Docemente constrangido,  o vice-presidente Hamilton Mourão ataca a oposição — “deixem o Bolsonaro trabalhar, pô”—, ao mesmo tempo em que não perde uma oportunidade para marcar uma posição diferenciada em relação ao meio ambiente, à vacina e outros temas nos quais o presidente da República vai na contramão da opinião pública.

É um jogo muito sutil, porque o general lida com a desconfiança do clã Bolsonaro desde quando estourou o escândalo das “rachadinhas” da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PR-RJ) e a primeira-dama Michele Bolsonaro, que receberam dinheiro do ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz. Militares descontentes veem em Mourão uma alternativa, caso o governo Bolsonaro leve o país ao desastre.  

 

No xadrez da “guerra de posições”, depois da definição do Congresso, Bolsonaro deverá mover mais uma peça: a indicação do substituto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, que se aposentará em 12 de julho. As articulações para a vaga já estão em curso.

O candidato mais ativo é o procurador-geral da República, Augusto Aras. Na terça-feira, a propósito das representações da oposição contra Bolsonaro, por causa da crise sanitária, Aras soltou uma nota estranhíssima, falando que a calamidade pública era a antessala do “Estado de Defesa”, sabidamente uma situação que confere poderes extraordinários ao presidente da República.

A nota gerou perplexidade e críticas públicas de seis subprocuradores-gerais da República, ou seja, da maioria do Conselho Superior do Ministério Público.

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