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Estado de Minas ENTRE LINHAS

Um rolé em Davos

"Na sua primeira viagem internacional, Bolsonaro será acompanhado por Paulo Guedes (Economia), Sérgio Moro (Justiça) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores)"


postado em 16/01/2019 07:00 / atualizado em 16/01/2019 08:31

O presidente Jair Bolsonaro somente baterá o martelo sobre a proposta de reforma da Previdência da sua equipe econômica depois de reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, de 22 a 25 de janeiro. “Moldar a Arquitetura Global na Era da Quarta Revolução Industrial” é o tema do encontro, ou seja, a antítese do que propõe o novo chanceler brasileiro Ernesto Araújo, que é antiglobalista, para a nossa política externa. Durante cinco dias, 3.000 representantes das elites políticas e empresariais do planeta, incluindo 65 chefes de Estado e de governo, debaterão os problemas da atualidade. Bolsonaro estará no centro das atenções mundiais, ainda mais depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que não irá ao encontro.

A guinada ultraliberal do Brasil seria a novidade do encontro, mas terá que dividir os holofotes com o Brexit do Reino Unido. A guinada nacionalista britânica está num beco sem saída, com a decisão acachapante de ontem do parlamento britânico contra acordo de saída da Inglaterra da União Europeia negociado pela primeira-ministra Theresa May. Criado em 1707, o mais antigo e poderoso corpo legislati vo do mundo rejeitou o plano por 432 votos contra e 202 a favor. A primeira-ministra não tem um Plano B, porém, pelas regras do jogo, terá três dias para apresentá-lo.

Até lá, pode não sobreviver no cargo. O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, anunciou uma moção de desconfiança contra a premiê, que pode aprovada ainda hoje. Em dezembro, por muito pouco, May não foi derrubada por uma moção de desconfiança do seu próprio partido, o Conservador. A decisão de sair da União Europeia foi tomada em plebiscito pelos britânicos, numa derrota catastrófica dos trabalhistas, mas na hora de implementá-la os problemas começaram a se agigantar a tal pondo que muitos parlamentares conservadores já defendem um novo plebiscito, para voltar atrás e enterrar o Brexit.

A política antiglobalista na Europa entrou em colapso antes mesmo de ser levada à prática. Uma saída sem acordo significa que as leis da União Europeia deixariam de ser válidas na Inglaterra de uma hora para outra, imaginem o caos na economia britânica e na vida das pessoas, a começar pela situação nos aeroportos e no Canal de Mancha. A União Europeia lamenta a situação, mas não afrouxa as exigências do acordo: “Este acordo é e continua a ser a melhor e única forma de garantir uma retirada ordenada do Reino Unido da União Europeia”, diz o seu comunicado sobre a decisão.

Um dos assuntos polêmicos é a fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte, que passa a ser a fronteira entre o Reino Unido e a UE dentro da ilha britânica. O Reino Unido e a Irlanda faziam parte de um mercado comum, a circulação de produtos e pessoas era livre entre os dois países. Com o Brexit, duas Irlandas estarão sob regimes regulatórios diferentes, o que significa que mercadorias e pessoa s teriam de ser checadas na fronteira. O acordo permitiria que a Irlanda do Norte continuasse alinhada a algumas regras aduaneiras da UE, para dispensar a necessidade de checagem na fronteira com a Irlanda, mas exigiria que alguns produtos vindos do restante do Reino Unido fossem submetidos a controles.

Os muros
Os britânicos que moram na UE e europeus que moram no Reino Unido poderiam continuar a trabalhar e a estudar onde tenham residência, além de poderem trazer consigo membros da sua família. Os dois lados teriam um prazo de 21 meses para acertarem um acordo quanto às trocas comerciais bilaterais. Finalmente, o Reino Unido teria de pagar até 39 bilhões de libras (cerca de R$ 190 bilhões) como compensação financeira à UE. O jogo duro é uma forma de defesa da ordem liberal mundial, que está em xeque por causa do Brexit e da política antiglobalista de Trump, com o recrudescimento do nacionalismo e do populismo em alguns países europeus.

Na sua primeira viagem internacional, Bolsonaro será acompanhado por Paulo Guedes (Economia), Sérgio Moro (Justiça) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores). Para o fundador do encontro, Klaus Schawab, há profunda instabilidade global. “Temos que definir uma nova abordagem da globalização, que é mais abrangente. A globalização produz vencedores e perdedores (...) Agora temos que cuidar dos perdedores, depois daqueles que foram deixados para trás”, avalia.

Não é à toa que Trump despachará para Davos o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, e o secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross. Estarão no encontro a chanceler alemã Ângela Merkel; seu colega austríaco, Sebastian Kurz; o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe; e a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardem; os primeiros-ministros da Itália, Es panha, Israel, Holanda, Noruega, África do Sul e Vietnã; e os presidentes do Iraque, Afeganistão, Colômbia, Peru, Ruanda, Uganda e Zimbábue. Como Tereza May, que também não deve ir a Davos, Trump tropeçou nas próprias pernas, ao fazer da proposta de construção do muro na fronteira com o México o seu grande objetivo de governo. O Congresso não aprova e seu governo está paralisado.


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