Jaeci Carvalho
Já estou no clima de Copa do Mundo. Será a minha oitava Copa, in loco. A primeira foi em 1994, aqui no meu novo país, Estados Unidos, já que virei cidadão americano em 15 de agosto e recebi meu passaporte na sexta-feira, uma alegria sem fim, para mim e minha amada família. Participei das coberturas das Copas de 1986, na Toca da Raposa, pela TV Manchete, e de 1990, pela TV Globo, mas não estive no México e na Itália. Com a prerrogativa de quem cobre a Seleção há 37 anos, com 277 coberturas internacionais e 73 países visitados e catalogados no meu arquivo pessoal, quero abordar um tema que vai chamar a atenção do torcedor brasileiro, no quesito convocação.
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Ele foi decisivo também em jogos com o Barcelona, com três assistências, Inter de Milão, com três gols, Manchester City, com dois gols e uma assistência, e no gol contra o Chelsea, no “apagar das luzes”, como diriam os antigos narradores, recolocou o Real Madrid na luta para chegar em Paris.
Enfim, com 120 jogos pelo maior time do mundo, Rodrygo conquistou o vitorioso técnico Carlo Ancelloti, seus companheiros de clube e a torcida merengue, sempre exigente. Mesmo jovem, já tem no currículo dois títulos espanhóis, duas Supercopas da Espanha, uma Champions League e uma Supercopa da Europa. Que sorte do Brasil ter um jogador desse nível, jovem e tão vencedor.
Aí entra o meu questionamento: com todo o respeito a Raphinha, Richarlyson, Antony, vocês não acham que Rodrygo está na frente deles todos para estar na lista dos 26 convocados para a Copa do Mundo do Catar? Se o técnico brasileiro fosse o saudoso Telê Santana, eu não teria a menor dúvida.
Porém, o treinador é o retranqueiro e paneleiro Tite, que privilegia a marcação, a força e seus parceiros, como Gabriel Jesus, “artilheiro” que em cinco jogos na Copa da Rússia, não fez um gol sequer. Tenho gostado dos garotos que citei acima, mas Rodrygo está bem à frente deles. Joga no maior time do mundo, é titular, tem o respeito de todos na Espanha, enfim, pelo futebol que joga, junto com Vini Júnior, tem que estar na lista do dia 7 de novembro.
Acredito que Matheus Cunha não irá. Eu jamais levaria Gabriel Jesus, a não ser que Tite tenha uma dívida de gratidão com Edu Gaspar, diretor do Arsenal, por tê-lo comandado na Seleção, como coordenador técnico. Uma Seleção Brasileira deve aproveitar jogadores que atuam juntos, que têm entrosamento, ainda mais atuando no Real Madrid. Vini Júnior, Benzema e Rodrygo formam um trio de ouro, que, a cada jogo, mostra sua capacidade.
Eu já disse que Seleção Brasileira não é encontro de amigos como Daniel Alves, Thiago Silva, Renato Augusto, Paulinho e Fernandinho, protegidos de Tite. Seleção Brasileira é momento, e se alguém me apontar um atacante melhor que Rodrygo neste momento, dou minha mão à palmatória.
E ainda há o atenuante de a Fifa ter aumentado para 26 o número de convocados. Então eu levaria para o ataque: Neymar, Vini Júnior, Pedro, Rodrygo, Richarlyson, Antony, Raphinha. Exatamente nessa ordem. Vejam que ainda sobram 19 vagas para Tite escolher nas demais posições. E, caso ele pense em levar mais um atacante, por que não Roberto Firmino, que tem características diferentes desses citados
Vale lembrar que pela idade, apenas 21 anos, Rodrygo tem futebol de gente grande, atua no principal clube do mundo e terá, no mínimo, mais quatro Copas do Mundo pela frente, contando com a do Catar. Abrir mão de um jogador desse quilate, seria um suicídio. Esses jogadores atuam na Europa há tempos, ganharam maturidade, experiência, e, no caso de Rodrygo, a titularidade no real Madri e taças, como as que citei acima.
Espero, realmente, ver o nome de Rodrygo na lista do dia 7 de novembro. E que Tite não venha com o “prêmio de consolação”, pondo-o apenas na lista dos 55, que ele terá que entregar à Fifa. Pelo futebol, qualidade e desempenho, Rodrygo está bem à frente dos concorrentes. São números, fatos, e contra fatos não há argumentos.
CONTANDO OS DIAS
Estamos há 40 dias do início da Copa do Catar, e confesso que estou ansioso. Estive naquele país quatro vezes, a última com o meu Flamengo, no Mundial de Clubes, em 2019. A estrutura para a Copa é fantástica e espero que haja respeito mútuo, tanto dos visitantes, quanto dos locais. Que flexibilizem certos costumes, pelo menos durante o período do evento.
Quem quer fazer Mundial tem que se adequar ao que a Fifa determina e a tradição de liberdade, com responsabilidade, para os turistas e torcedores. Acho que se cada um ceder um pouco, tudo funcionará bem. Antes da Copa, porém, sigo para Guayaquil, para a cobertura da final da Libertadores, entre meu Flamengo e Athletico-PR. A cobertura será para o Estado de Minas, minha casa há 35 anos, Rádio Tupi do Rio de Janeiro, nosso site, Superesportes, e para o meu canal de YouTube. Conto com a audiência de vocês.