Jornal Estado de Minas

COLUNA DO JAECI

No Brasil da hipocrisia, os clubes vivem de ficção e irresponsabilidade

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O América pode até perder por um gol de diferença para o Cruzeiro hoje que estará na final do Campeonato Mineiro para enfrentar o Atlético. Não me canso de dizer que, desde o ano passado, o Coelho é o melhor time do estado, o mais bem treinado, com um grupo forte e comprometido com o verdadeiro futebol. Jogadores que se doam em campo e que recebem salários médios, de acordo com a economia do país. É sobre isso que eu quero falar. A população brasileira, hoje com quase 100 milhões na miséria, não suporta mais ver o futebol viver no mundo da fantasia, pagando salários irreais, de Europa, numa economia quebrada, em frangalhos. Repatriam “ex-jogadores em atividade” ganhando R$ 1 milhão por mês, e os clubes de pires na mão, devendo até as cuecas.



Chega de hipocrisia. Na quinta-feira, em ação no Rio de Janeiro, a polícia matou 28 traficantes, assassinos, bandidos. Aí, os hipócritas vêm dizer que foi o maior massacre. Ora, senhoras e senhores, a polícia, em defesa da população de bem, matou vagabundos, armados até os dentes, com fuzis, granadas e outras armas. Bandidos que matam o cidadão de bem, rindo. Eles não têm alma nem dó de ninguém. Parabenizo os policiais pela ação bem programada, eficiente e correta. Lamento a morte de um dos policiais. Esse, sim, merece que choremos. Os bandidos já foram tarde. Esses “esquerdopatas” querem mesmo transformar o Brasil numa Venezuela.

O bandido, condenado pela Justiça por vários crimes, virou herói e foi solto para concorrer politicamente. Enquanto o juiz, o homem sério e correto, é questionado. Como escrevo há tempos, o Brasil é o único país na contramão da história. É o “poste mijando no cachorro”.

O futebol também vive da hipocrisia de dirigentes que dizem trabalhar 24 horas do dia, mas que, na verdade, estão usufruindo dos clubes de uma forma ou de outra. Contratam sem ter dinheiro para pagar e submetem seus clubes a passarem vergonha na Fifa, com cobranças por negociações que não foram pagas. Pagam fortunas a técnico e jogadores sem ter orçamento para tal. O resultado é o que estamos vendo: clubes quebrados, mendigando cotas de TV antecipadas, com ações e mais ações na Justiça. Toda hora um ex-funcionário ganha seus direitos na Justiça. E o torcedor ainda quer condenar o cara que recorre à Justiça. A culpa não é dele. Trabalhou e não recebeu, tem de recorrer. A culpa é de quem o contrata pagando preços e salários absurdos.



A pandemia do coronavírus, que arrasou economias pelo mundo, principalmente a brasileira, corroída por vários governos corruptos e incapazes, mostrou ainda mais a nossa fragilidade no futebol. A dívida dos grandes clubes passa dos R$ 7 bilhões, e em Minas temos Atlético e Cruzeiro entre os cinco maiores devedores do país. Isso é vergonhoso!

Sou um apaixonado pelo futebol, não nego. Mas tenho de usar sempre a razão, a isenção. Não dá para torcer por equipes desorganizadas. O meu Flamengo ficou seis anos sem ganhar praticamente nada, na gestão Bandeira de Mello. Conquistou apenas uma Copa do Brasil, em 2013. Mas se reestruturou, pagou dívidas, seguiu orçamentos e hoje é campeão de quase tudo. Paga salários em dia e não há crise financeira. Isso se chama gestão austera e competente.

O que temos visto atualmente são clubes sustentados por gente que tem grana, chamados de mecenas, e a dívida com eles só aumentando. Parabenizo todos eles, que fazem isso por amor ao clube, alguns sem cobrar um centavo de juros, com risco de tomar calote. Porém, isso não é e nunca será uma forma correta de gestão. O grande gestor é aquele que trabalha em cima do orçamento, se possível, deixando uma reserva para uma emergência. Sabemos que se não fossem os mecenas, Cruzeiro e Atlético não teriam dinheiro nem para pagar os altos salários. Vocês acham certo um cara como Hulk ganhar R$ 1,3 milhão por mês? Eu não acho.

Quem merece ganhar altos salários são os médicos, cientistas, que salvam vidas, que pesquisam, que ficam as 24 horas do dia realmente trabalhando em prol da humanidade. E esses são os que ganham menos, têm salários de fome. Uma vergonha. Tivemos muitos gênios e craques. Vivemos um período de ouro do nosso futebol e os salários dos jogadores de décadas passadas nunca foram essa exorbitância dos dias atuais. Está tudo errado. Ou o torcedor exige uma mudança de postura e atitude ou seus clubes estarão fadados ao fim. Não tenham dúvidas disso. A conta chega para todos. E, no futebol brasileiro, já chegou mesmo. Bobo é o torcedor que tira um pouco do seu minguado salário mínimo de fome para ver esses jogadores medíocres atuando. Pobre Brasil, país da mentira, corrupção e da vergonha! País onde o “poste mija no cachorro”!



audima