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Estado de Minas COLUNA DE JAECI CARVALHO

Descanse em paz, gênio Diego Armando Maradona

Ele é ídolo de várias gerações, e mesmo quem não o viu jogar, deliciou-se com sua genialidade em campo


25/11/2020 15:19

Obrigado por tudo, Diego Armando Maradona. Descanse em paz!(foto: AFP)
Obrigado por tudo, Diego Armando Maradona. Descanse em paz! (foto: AFP)
Maradona, maior jogador que vi atuar, depois de Pelé, se foi nesta quarta-feira (25). Morreu ao sofrer uma parada respiratória, em sua casa, na Argentina, deixando milhões de órfãos, mundo afora. Sim, ele é ídolo de várias gerações, e mesmo quem não o viu jogar, deliciou-se com sua genialidade em campo.

Rever os lances da Copa de 1986 é um deleite para os amantes do esporte bretão. Aquele gol contra a Bélgica, talvez o mais bonito de todas as Copas, ou mesmo o gol que ele batizou de “La mano de Dios”, contra a Inglaterra, que, anos antes entrou em guerra com a Argentina pelas ilhas Malvinas. Milhares de vidas de argentinos foram perdidas naquele confronto. A vitória por 2 a 1, que eliminou os ingleses, foi uma espécie de vingança para Maradona e sua equipe. Ele ganhou aquela Copa sozinho. Carregou o time nas costas, com sua habilidade. Era imparável, imarcável, genial. Ergueu o maior troféu do mundo. 

No Nápoli, da Itália, foi considerado um “Deus”. Levou o time italiano às suas maiores conquistas e glórias. Os napolitanos criaram uma igreja, cujo o “santo” é Diego Armando Maradona.

O que dizer dos argentinos? Eles jamais aceitam dizer que Pelé é o maior da história. Para eles, é Maradona. O craque argentino se despediu dos Mundiais, em 1994, minha primeira Copa do Mundo in loco. Como eu cobria a Seleção Brasileira, não tive contato com a Seleção Argentina, mas fiquei triste quando soube que Maradona fora eliminado do Mundial, por ter sido pego no exame antidoping. 

A cocaína ajudou a destruir o coração dele. Ele foi preso, passou por problemas extracampo. Era um crítico ferrenho da Fifa, e muito ligado a Fidel Castro, e aos socialistas. Suas posições políticas sempre foram fortes. Se não me engano, tinha uma tatuagem do guerrilheiro, Che Guevara, na perna. Talvez sua maior briga com Pelé tenha sido pelo fato de o brasileiro ser mais comedido, e nunca criticar abertamente a Fifa, e nem tomar posições radicais. Mas, no fundo, Maradona amava Pelé. Ele o convidou para a estreia do seu programa, “A Hora do Diez”, e Pelé foi. Os dois bateram bola no estúdio, ao vivo.

Vou carregar uma grande frustração na minha carreira. Jamais entrevistei Maradona. Tive 3 oportunidades, por amigos em comum, mas não tive a felicidade de concretizar. Na Copa da África, em 2010, o vi mais de perto, a uns 3 metros de distância. Passou um filme na minha cabeça ao vê-lo batendo bola com seus comandados num treinamento que fui cobrir. Ver aquele cara de perto, aquele ídolo, até mesmo para um jornalista experiente como eu, era o máximo. Eu não tirava os olhos dele. Ficava imaginando os gols que marcou, os dribles, os passes. 

Ah, Maradona, você vai fazer muita falta! Deixou um legado extraordinário. Nos encantou pelos gramados do mundo, por onde jogou, pelos times nos quais atuou. Você foi embora muito cedo, 60 anos é a minha idade. Não deveria ter partido assim, sem se despedir de todos nós. É a vida! 

Não sabemos o dia em que iremos embora. Deus é quem decide. Junte-se aos outros gênios do futebol que já se foram, aí no céu, e forme a melhor seleção de todos os tempos. Por aqui, vamos ficar morrendo de saudades, com lembranças eternas de um gênio, que nos deu a sua melhor arte. 

A vida é somente uma passagem. Sua alma está por aqui e vai se perpetuar. A matéria foi embora. Não a veremos mais. Porém, sua imagem, principalmente com a camisa argentina, que você tanto amou e idolatrou, ah, essa vai ficar para sempre. Um dia, quando eu partir, vou tentar aquela entrevista que não fiz aqui na terra, aí no céu. Se você puder me conceder esse privilégio... 

Obrigado por tudo, Diego Armando Maradona. Descanse em paz! 

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