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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Felipão é o cara certo para o Cruzeiro

Do Felipão pessoa eu sempre gostei, mas do conceito técnico não. Porém, para o momento do Cruzeiro, é o técnico ideal


22/10/2020 04:00

Luiz Felipe Scolari estreou com vitória por 1 a 0 sobre o Operário(foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)
Luiz Felipe Scolari estreou com vitória por 1 a 0 sobre o Operário (foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

Meus seguidores nas redes sociais me perguntam se eu voltei a gostar do trabalho do Felipão – que tanto contestei depois dos 7 a 1 para a Alemanha – por tê-lo indicado ao Cruzeiro, recentemente. Do Felipão pessoa eu sempre gostei, mas do conceito técnico não. Porém, para o momento do Cruzeiro, é o técnico ideal.

A torcida pode lamentar pelo fato de a diretoria ter escolhido, erroneamente, Enderson Moreira e Ney Franco, dois técnicos de alguns bons trabalhos, mas que não têm nem um milésimo da história e das conquistas de Felipão.

Eu não gosto do estilo gaúcho de fazer futebol. “Marca, pega, chega junto, dá porrada.” Sou romântico e discípulo de Telê Santana. Futebol feio não serve. A frase que levei para a vida toda no futebol, foi a que Telê me disse um dia: “Prefiro perder jogando bonito, dando aula de futebol, a ganhar atuando feio”.

Sim, o espetáculo só tem beleza com dribles, tabelas, lençóis, gingas e gols. Sei que a maioria quer ganhar a qualquer preço, quer levantar a taça e gritar campeão. Alguns querem ganhar até de forma escusa, não se importando se passou por cima do outro.

A geração “nutella” que aí está insiste em desconhecer o passado glorioso do nosso futebol, que era habitado por craques e que hoje sofre com a pobreza dos jogadores atuais. Tem gente dominando bola na canela.

Mas o assunto é a volta do Felipão, que estreou vencendo por 1 a 0 o Operário, bem ao estilo de marcação forte. A Série B é uma competição atípica, realmente não dá para jogar bonito. Querendo ou não, Felipão é técnico de Série A, da elite, e por isso pode tentar salvar o Cruzeiro. Não sei se dará tempo.

Felipão não mudou muita coisa em um dia de treinamento, mas tenho certeza de que sua palestra mexeu com os brios dos jogadores e que ele conseguiu dar uma organização mínima na equipe dentro de campo.

Não se faz uma limonada com limões ruins, mas Felipão entende a necessidade de contratações. A situação é grave. Mesmo vencendo, o time continua no Z-4, namorando a Série C.

Depois que Felipão chegou, não acredito em queda, mas a ascensão também está muito distante. O Cruzeiro terá que fazer campanha de campeão para voltar à elite. Com este grupo e time, é praticamente impossível. Vejam bem: praticamente, pois no futebol não há nada impossível. É o único esporte coletivo em que o mais fraco pode ganhar do mais forte.

Felipão foi vencedor por quase todos os times em que passou, mas teve fracassos também, como na Seleção Portuguesa em 2004, chegando à final da Eurocopa, disputada em casa, perdendo para a Grécia.

No Chelsea foi um fiasco, e na Seleção Brasileira jogou o penta no lixo ao tomar de 7 a 1, em casa, numa semifinal de Copa do Mundo – para mim, o maior vexame do esporte mundial. Porém, também tem suas taças em alguns clubes por onde passou.

Levou a Seleção de Portugal às semifinais da Copa de 2006, na Alemanha. Não há como negar a carreira vitoriosa dele, recentemente campeão brasileiro com o Palmeiras.

Os treinadores são assim. Eles têm seus momentos de glórias e os ruins. Como todos nós na vida. Ninguém ganha o tempo todo. Felipão é o técnico certo para o Cruzeiro, mesmo aos 71 anos. Sim, nós envelhecemos, mas nossa cabeça tem que estar ativa. Aí está o segredo.

Felipão estava trabalhando até pouco tempo e deve estar atento aos movimentos do esporte bretão. Milionário ele já é. Aceitou o desafio do Cruzeiro não por dinheiro, mas por gratidão, pelo time que o levou à Seleção Brasileira.

Que tenha boa sorte, faça seu trabalho e tente devolver o Cruzeiro à prateleira de cima do futebol. Acredito que a Raposa vá amargar o centenário na Série B, e será vergonhoso, pois, todos os grandes que caíram voltaram no ano seguinte – exceto o Fluminense, em 1996, que caiu da B para a C.

Os dirigentes demoraram a entender a necessidade do Cruzeiro de ter no banco um técnico respeitado pelos jogadores, pela história que construiu, apesar dos 7 a 1. Não há como dissociar Felipão desse trágico resultado, assim como também não podemos dissociá-lo da carreira vencedora que teve.

Boa sorte, e que ele possa contrariar os matemáticos (odeio matemática, ciência exata no futebol) e fazer o Cruzeiro subir. É difícil, mas, não impossível. E que os dirigentes, que não são da bola, aprendam a ter humildade e saibam que eles estão presidentes e não são donos do cargo, nem tampouco do clube. Se elegem, acham que sabem tudo e, na verdade, de futebol entendem muito pouco.

Sampaoli


Quando o técnico argentino foi contratado, eu disse que ele não consegue equilibrar todos os setores de uma equipe. A prova está aí em matéria no portal Superesportes. O Galo é dos piores times em média de gols sofridos, embora tenha o melhor ataque da competição. Foi assim por onde ele passou.

Só da Croácia e da França, na Copa do Mundo, levou sete gols. Em dois jogos o cara levou sete gols, média de 3,5 gols por partida.

Eu avisei que ele, aos 60 anos, só tem uma Copa América com o Chile e nada mais. Fracassou na Seleção Argentina, no Sevilla, e jamais foi convidado a dirigir Boca ou River. Os grandes treinadores são sempre chamados para os melhores times do seu país, não foi o caso.

Portanto, torcedor do Galo, Sampaoli é melhor que alguns técnicos brasileiros sim, pois temos muitos desatualizados e preguiçosos, mas não é isso tudo. A carência de títulos do Atlético faz o torcedor se apegar a qualquer coisa.

E digo mais: com tudo isso, o Atlético ainda é o time mais regular da competição, marcando pressão, saída de bola, e roubando muitas bolas no ataque. Porém, não há equilíbrio entre os setores. E aí está o grande problema desse treinador, que fica como uma barata tonta à beira do campo, num teatro que nada adianta.

Técnico bom é aquele que observa o jogo e muda o time no vestiário. O resto, como diz meu amigo e grande jornalista Chico Maia, é “perfumaria”.

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