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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Mudar o futebol e acabar com as organizadas seria um grande avanço

Monstros, travestidos de torcedores, que aterrorizam as famílias de bem nos estádios. Seria uma grande vitória para o futebol


postado em 19/04/2020 04:00 / atualizado em 18/04/2020 22:27

 Policiais na arquibancada para conter briga de torcidas organizadas, uma cena que deve ser banida do futebol brasileiro com o novo coronavírus (foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo %u2013 21/9/14)
Policiais na arquibancada para conter briga de torcidas organizadas, uma cena que deve ser banida do futebol brasileiro com o novo coronavírus (foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo %u2013 21/9/14)

O presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, disse que o futebol vai voltar, que o Campeonato Paulista terá seu fim, dentro de campo, e que os jogos serão sem público, com portões fechados, além de garantir que a CBF fará o Brasileirão nas 4 séries com as rodadas inerentes a cada uma delas. Na elite, por exemplo, 38 datas. Carneiro diz que com a chegada do novo coronavírus e a quebra de economia mundial, e, por consequência, dos clubes e federações, será preciso muito diálogo e entendimento para as coisas voltarem ao normal, porém, com outra responsabilidade, principalmente com relação aos custos do futebol. “Os patrocinadores sumiram, e com razão, pois também não estão recebendo. Dessa forma, fica difícil fazer futebol. Porém, vamos nos adequar a nova realidade, pois nada será como antes. Eu garanto que tão logo as autoridades médicas liberem, teremos o fim do Paulistão, em campo. Não sou a favor de uma sede única, pois cada cidade está com seu número de casos do novo coronavírus. Novo Horizonte, por exemplo, não tem nenhum caso e sua equipe estará preparada para jogar lá”.

A verdade é uma só: os dirigentes vão perder a grande chance de eliminar os estaduais do calendário do nosso futebol, pois se eles acabarem, as federações ficarão sem função. É sabido que todos os estaduais, inclusive o Campeonato Paulista, são competições retrógradas, ultrapassadas e sem apelo técnico e financeiro. A Globo detém os direitos de transmissão até 2024, mas também está farta do péssimo produto. Há alguns anos, um executivo da empresa me disse que ela só comprava o Campeonato Mineiro, por exemplo, pelo institucional, pois dá um prejuízo imenso, do ponto de vista financeiro. Pra que insistirem com um produto tão ruim, que ocupa 5 meses do ano, e que os torcedores nem comemoram mais? O pessoal acordou e sabe que o que vale é Copa do Brasil, Brasileiro, Libertadores e Mundial. O resto é para inglês ver!

Futebol sem torcida, sem o vendedor ambulante na porta dos estádios, levando o pão e o leite para casa, será uma coisa estranha. Já experimentamos esse tipo de situação em jogos nos quais os torcedores estavam suspensos, e é muito ruim. Parece um jogo de vídeo game! Acho que os promotores que atuam no futebol deveriam aproveitar a oportunidade e extinguir as chamadas facções organizadas, junto com o coronavírus. É uma chance de ouro de voltarmos aos bons e belos tempos em que os torcedores eram anônimos, que não defendiam facção A ou B, que não se digladiavam ou marcavam pontos de encontro para matar ou morrer. Essa gente do mal não faz a menor falta ao futebol. Eles sim, deveriam ser proibidos de frequentar estádio em qualquer situação. Será que teremos autoridades capazes de mexer nesse vespeiro e acabar com as facções organizadas no futebol? Não há momento melhor. Com um golpe só, podemos extinguir essa maldição, que é o coronavírus, e esses malditos, que acabam com famílias, matando jovens inocentes, alguns já inertes, no chão, mortos, recebendo pauladas, como aquela cena marcante de um torcedor do Cruzeiro, já morto, na porta do Chevrolet Hall, sendo agredido a golpes de cavaletes e pauladas. Monstros, travestidos de torcedores, que aterrorizam as famílias de bem nos estádios. Seria uma grande vitória para o futebol.

Não vi Reinaldo Bastos tocar nesse assunto. Já que falou que o futebol deve voltar com outra mentalidade, que tal incluir essa sugestão? E os dirigentes que pagam alugueis de salas, de celulares, de ônibus e outras mordomias mais, deveriam sentir vergonha. Alimentam a indústria do crime, pois esses caras não amam o clube e sim suas facções e o dinheiro que entra. Sempre valorizei a Charanga do Bororó, Dona Dulce Rosalina, no Vasco, ou a Charanga do Jaime de Almeida, no Flamengo. Porém, estou falando da época de ouro do nosso futebol. Nos dias de hoje, com um país onde se matam 50 mil pessoas por arma de fogo ou arma branca, não poderíamos esperar outra coisa. Tudo mudou, e para pior. Nossa música é comandada por Anita e Ludmila. Nossos escritores estão morrendo, nossos comediantes são fraquíssimos, os atores, uma aberração, e nosso melhor craque chama-se Neymar. Realmente não dá para levar o Brasil a sério. O futebol é apenas reflexo de uma sociedade desmoralizada, desprotegida, entregue aos bandidos que habitam o Congresso Nacional, aos montes. Vejam quantos lá estão condenados ou respondendo a processos. O futebol, e suas maracutaias não ficaria fora desse bolo de gente que ajuda a tornar o Brasil o país da piada pronta!

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