Domingo de Páscoa, dia da ressurreição de Cristo. E como estamos precisando dele nesses momentos difíceis que o mundo atravessa. Com tanta gente morrendo no mundo, vejo alguns preocupados se teremos ou não futebol, se os clubes vão quebrar ou não. Gente, pouco importa isso! O importante agora é salvar vidas, preservar o ser humano e minimizarmos o sofrimento das pessoas. E, sejamos sinceros: mesmo quando tudo isso passar, quem vai ter coragem de ir a um estádio de futebol e se aglomerar com dezenas de milhares de pessoas? Eu não deixarei meus filhos irem ao basquete ou ao futebol americano. De jeito nenhum.
Um médico infectologista, aqui dos Estados Unidos, declarou que daqui pra frente devemos mudar nossos hábitos. O aperto de mão, por exemplo, é condenado por ele. E não é só pelo coronavírus, mas sim porque nas mãos carregamos vírus e bactérias e uma das formas de transmissão é com o aperto de mão. Lembro-me de Ringo Star, baterista dos Beatles, falando com o repórter Álvaro Pereira que não apertaria sua mão, antes de uma entrevista, porque não sabia onde o repórter havia posto a mão. É verdade. Ele cumprimentou o repórter com o cotovelo, como estamos fazendo hoje. Veja que Ringo já era visionário há uns 8 anos, quando concedeu a entrevista para a TV Globo. Esse detalhe me chamou a atenção e eu jamais esqueci.
Sou um homem do futebol e um apaixonado pelo esporte bretão. Não esse futebol que se pratica hoje, mas o de décadas passadas. Esse de hoje, se acabar, não fará a menor falta. Pelo menos no Brasil, com jogos sofríveis, times horríveis, jogadores dominando bola na canela, dirigentes ricos e clubes quebrados. Peguem um histórico dos dirigentes do futebol brasileiro, de uns tempos para cá, vejam o que tinham antes de assumirem o cargo e o que têm hoje! Vocês vão ficar abismados. Faça o mesmo com os diretores de futebol e verão como enriqueceram às custas das negociações esdrúxulas e venais.
Claro que há os corretos e o torcedor sabe muito bem quem são. É esse tipo de gente e esse tipo de futebol que vocês querem de volta? Técnicos ganhando fortunas, ficando ricos em quatro anos de carreira. Jogadores enganando aqui e ali, ganhando R$ 400 mil mensais, não dá mais. Vamos aproveitar esse momento terrível pelo qual estamos passando para ajustar as coisas e voltarmos à normalidade. É inadmissível em um país quebrado economicamente, assaltado pelo governo do PT, os clubes pagarem essas fortunas a técnicos, jogadores e diretores de futebol. Vamos dar um basta nisso?
E de que forma podemos dar um basta? Primeiro não indo a campo, não aderindo a plano de sócio torcedor e não tirando o leite e o pão de casa, para ver esses caras jogando. Segundo, exigindo de alguma autoridade que haja um teto salarial para jogadores e técnicos. Ah, Jaeci, os clubes são entidades privadas! Sim, e daí? Mas elas têm caráter público, pois só existem por causa dos seus torcedores. Portanto, cabe aos torcedores fazer tal exigência. É curioso: para votar num programa lixo o público brasileiro atinge 1,5 bilhão de votos, conforme foi anunciado há algumas semanas. Mas, para votar algo do seu interesse, como limitar salários nos clubes de futebol, limitar salários de deputados e senadores, não conseguimos nem mil assinaturas.
É por essas e outras que o povo brasileiro é tratado como gado indo para o abate. E olha que o boi ainda resiste. O brasileiro, nem isso. Fica quietinho, esperando o ferro entrar. Tem sido esse o nosso comportamento. Gente, que essa pandemia terrível do coronavírus seja um divisor de água para repensarmos a vida em todos os aspectos. Chega de ver tanta gente na miséria, passando fome, ganhando esse salário-mínimo de merda, enquanto os governantes estão cada vez mais ricos. Peguem os deputados e senadores eleitos nos últimos tempos e vejam o patrimônio que tinham antes de serem políticos e o que têm hoje. Porém, será preciso ir em cima dos “laranjas”, pois, a maioria corrupta põe o dinheiro na conta de seus “laranjais”.
Temos visto isso em cada escândalo que vem à tona. Vamos acordar povo brasileiro. Não dá mais para um banco ter um lucro de R$ 25 bilhões, explorando o povo e tirando o seu couro. Não dá mais! Só no Brasil isso acontece. Chega. O trabalhador precisa ganhar mais. Precisa ter uma vida digna. E não tratem políticos como celebridades. Eles são nossos empregados, somos nós quem pagamos os salários deles. Pergunte se algum deles vai morrer pelo coronavírus? Dificilmente, pois, máscara, álcool em gel, luvas não vão faltar para eles. Não tampouco, um belo quarto de hospital, como todos os cuidados possíveis.
Enquanto isso, o povo morre sem leito, sem atendimento, sem ar para respirar. Uma tragédia. Por isso mesmo, aqueles que podem, fiquem em casa. É a única forma de se preservar vivo, manter seus parentes vivos e seus amigos. Pensem nisso! Quanto ao futebol, se voltar, que volte com outra filosofia. Isso que nós vemos hoje é tudo, menos futebol. São falcatruas que deixam ricos alguns e empobrecem uma nação. E antes que algum desavisado diga que se o futebol acabar os jornalistas vão perder o emprego, digo que estão enganados: eu, pelo menos, vou continuar trabalhando como jornalista, formado que sou pela Universidade Gama Filho, e que antes de trabalhar com o futebol, por amor ao esporte, trabalhei na geral por anos e anos na TV Globo. Como dizem os jovens: sou jornalista raiz. E para o jornalista raiz sempre haverá emprego!
Páscoa
Uma feliz Páscoa para todos nós. O que podemos pedir ao coelhinho, nessa Páscoa, é para que salve a vida das pessoas enfermas pela pandemia do coronavírus, e que tenhamos um mundo melhor. Saúde para todos!