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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Investidores contratam Tardelli para o Galo


postado em 13/02/2020 04:00 / atualizado em 12/02/2020 22:45

Campeão da Libertadores e da Copa do Brasil com o Atlético, Diego Tardelli está de volta(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press %u2013 21/9/14)
Campeão da Libertadores e da Copa do Brasil com o Atlético, Diego Tardelli está de volta (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press %u2013 21/9/14)

Um dos homens mais fortes do Atlético me garantiu, na manhã de ontem, que sua diretoria não se reuniu com Diego Tardelli e que não tratou de sua contratação. Há poucos dias, o presidente Sérgio Sette Câmara disse num vídeo que circulou na internet, quando perguntado sobre Tardelli, que “o Atlético não era asilo”. O atacante rebateu em suas redes sociais e o dirigente disse que “a frase foi tirada de um contexto”. Com certeza foi, pois seria incoerência da parte dele ter um jogador que ele considera idoso.

Podemos constatar que se Diego Tardelli acertou com o Galo, e foi anunciado na tarde de ontem pelo empresário Giuliano Bertolucci, é porque os investidores, que são amicíssimos do empresário, fecharam tudo sem que a diretoria tivesse participação. Tardelli era um sonho da torcida alvinegra. Ela espera aquele Tardelli de 2013, artilheiro, craque, um baita jogador, campeão da Libertadores e da Copa do Brasil.

De lá pra cá já se vão sete anos, e muita coisa mudou. Tardelli jogou várias temporadas na China, fez sua independência financeira, mas, com certeza, o futebol já não é mais o mesmo. Prova disso é que não conseguiu jogar no Grêmio, que abriu mão de tê-lo nesta temporada. Eu considero Tardelli um excepcional jogador, mas, aos 34 anos, embora se cuide e seja muito religioso, não tem mais a mesma versatilidade dos bons e velhos tempos. Se não conseguiu se firmar no Grêmio, que tem o segundo melhor time do Brasil – o primeiro é o Flamengo –, como vai se firmar no Galo, que está montando um time e que no momento não tem condições de ganhar título algum?

Vejam bem aqueles que não sabem interpretar: no momento, com esse time que aí está, o Galo não vai lutar por taça nenhuma. Se contratar e melhorar os setores carentes, pode ser. Tardelli é ídolo da Massa, tem a pele alvinegra, mas acredito que o tempo passou. E ele é cruel com todos nós. E mais um detalhe: Tardelli é um jogador caro e o Galo, e nenhum clube brasileiro, pode se dar ao luxo de pagar R$ 500 mil, R$ 600 mil ou R$ 700 mil. Porém, se os investidores bancaram tudo e entregaram o jogador para o Galo, ótimo.
O objetivo do Atlético é renovar a equipe, dando uma cara mais jovial, com jogadores que possam atuar por várias temporadas. O Galo cansou de montar um time a cada ano. Gente, vamos pôr a mão na consciência e acordar. Não dá mais para nenhum time brasileiro, exceto o Flamengo, que faturou R$ 1 bilhão na temporada passada, ficar pagando salários de Europa. O país está quebrado, economicamente, com 13 milhões de desempregados, 30 milhões vivendo do subemprego e com um salário mínimo de fome, pouco mais de R$ 1 mil. Não é possível os clubes e os dirigentes continuarem sendo irresponsáveis. Vejam o exemplo do Cruzeiro, que quebrou por gestão equivocada e fraudulenta, segundo a Justiça. Contratar jogadores prometendo salários irreais e astronômicos quebra qualquer clube. Vejam o São Paulo, que sempre foi um clube equilibrado, está inadimplente com seus funcionários. Claro, um clube que se presta a pagar R$ 1,5 milhão mensais a Daniel Alves, de 36 anos, que não dá retorno algum, realmente tem que passar por dificuldades.

É hora de os clubes renovarem, de buscar solução nas divisões de base. Tem muitos garotos bons de bola que ficam esquecidos e sem chances por causa de jogadores veteranos. Os jogadores mais velhos têm história e merecem o respeito. Que se faça, então, uma homenagem, se agradeça pelos serviços prestados e que sejam dispensados. Na Europa, funciona assim, haja vista a quantidade de jogadores brasileiros que chegam ao Brasil todos os anos oriundos de lá. E por aqui encontram emprego, muitas das vezes ganhando até mais do que ganhavam no Velho Mundo. Isso precisa ter um fim.  Os garotos saem cedo daqui para o exterior. Ganham muito dinheiro lá e voltam jurando amor aos clubes para faturar um pouco mais e não dar o retorno esperado. Poucos são os que foram repatriados e deram resultados.

Espero que os torcedores enxerguem isso e percebam que seu clube está se afundando em dívidas quando contrata esses jogadores veteranos. Claro, é necessário ter jogadores rodados e experientes, mas que ainda joguem em nível competitivo. Para compor grupo, não dá mais. Vejam o exemplo de Ricardo Oliveira, um cara que sempre se cuidou e que tem uma bela história no futebol. Porém, não dá mais. Aos 40 anos, não produz como gostaria e deveria. E ele acaba tirando o espaço de um jovem, que poderia render muito mais e fazer muito melhor pelo time. Não é nada contra a idade ou o atleta. É uma constatação. Que os clubes repensem o trabalho nas divisões de base, pondo gente competente e capaz de revelar jogadores que possam ser titulares por vários anos nos profissionais. Mais do que ganhar taças, a base é feita para isso. Sempre foi assim. Peguem como exemplo o grandioso time do Atlético da década de 1980, com Cerezo, Reinaldo, Luisinho e tantos outros monstros sagrados que vestiram o manto alvinegro por muito tempo.


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