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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Atlético na Série A e Cruzeiro na B têm que se reinventar

Galo e Raposa não podem viver da derrota um do outro. É preciso pensar grande, e pensar grande significa títulos


postado em 16/12/2019 04:00 / atualizado em 15/12/2019 21:42

Alexandre Mattos foi diretor de futebol do Cruzeiro de 2012 a 2014 e desde 2015 estava no Palmeiras. No início deste mês, foi demitido do clube paulista (foto: César Greco/Agência Palmeiras %u2013 7/1/15)
Alexandre Mattos foi diretor de futebol do Cruzeiro de 2012 a 2014 e desde 2015 estava no Palmeiras. No início deste mês, foi demitido do clube paulista (foto: César Greco/Agência Palmeiras %u2013 7/1/15)


Doha - Estamos em Doha, acompanhando o Mundial Interclubes para a Super Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, a maior audiência do rádio brasileiro, e para o meu canal youtube.com/JaeciCarvalhoesporte. Sei que o torcedor mineiro está se lixando para o Flamengo e para a competição. A grande preocupação é com Atlético e Cruzeiro para a temporada'2020. A crise institucional, moral e financeira no clube azul é gravíssima. A renúncia da diretoria é a única solução. Não há credibilidade nem para comprar na padaria da esquina, quanto mais para arrumar dinheiro em instituições financeiras e salvar o clube.

A pergunta que mais ouço é a seguinte: que apego eles têm ao cargo? A instituição é eterna e os homens passam. Uns ficam na história pelo lado do bem. Outros são execrados. É o caso dos três investigados pelo Ministério Público. A preocupação do torcedor é também com o time. Como o Cruzeiro vai montar um grupo forte para a Série B? Mandar ex-jogadores em atividade embora, indenizá-los e contratar novas peças. Porém, não há dinheiro. Com as cotas de TV antecipadas até 2022, o Cruzeiro não tem como pagar salários, nem tampouco pedir apoio a uma instituição financeira. Ninguém empresta dinheiro a uma instituição cuja diretoria está sendo acusada de corrupção.

A situação é delicada e há urgência no afastamento da diretoria. Ela diz que não renuncia porque não é covarde. Porém, covardia é brincar com o sentimento de nove milhões de cruzeirenses. Um clube que sempre foi organizado e cumpridor de suas obrigações, em dois anos teve toda a estrutura jogada na lama. Contratações irresponsáveis, folha salarial na casa dos R$ 20 milhões, técnico e jogadores ganhando fortunas. Ou o Cruzeiro resolve sua situação antes da virada do ano ou vai correr sérios riscos de se manter na Série B. Sem organização e planejamento, não vai chegar a lugar nenhum, e a crise, que já é grave, ficará insolúvel.

Esta semana vi trocas de acusações entre membros da diretoria e o ex-homem forte do futebol Bruno Vicintin. Conheço Bruno há 20 anos. É um dos caras mais sérios que vi no futebol, que dedicou seu tempo ao Cruzeiro e ajudou o clube a pagar muita coisa. Jamais o usou em causa própria. Realmente ama o clube. Saiu magoado e não pensa mais em voltar. Gilvan de Pinho Tavares também é um dos homens corretíssimos que passaram pelo Cruzeiro. Ganhou dois brasileiros e uma Copa do Brasil. Porém, Alexandre Mattos, diretor de futebol, gastou o que tinha e o que não tinha, e a conta chegou. É muito fácil ser diretor de futebol gastando fortunas, pagando salários irreais. O grande diretor de futebol é aquele que trabalha com os pés no chão, não inflaciona o clube e consegue atingir os objetivos.

Não há dúvida que a crise financeira do Cruzeiro começou pela gastança de Mattos. Ele fez o mesmo no Palmeiras, durante os cinco anos em que lá esteve, até ser demitido. No caso do Palmeiras, que tem um mecenas que banca tudo, é fácil. Já o Cruzeiro vai penar décadas para se reorganizar e conseguir se tornar superavitário. Aí eu pergunto ao torcedor: vale a pena ganhar títulos, comemorar taças e deixar o clube nessa situação financeira?


GALO

O Atlético está com os pés no chão, enxugando sua folha, liberando ex-jogadores em atividade (caso de Luan) e tentando fazer dinheiro com jogadores importantes. A ideia é priorizar os jogadores das divisões de base, mesclando com os mais experientes. Reduzir a média de idade é importante, pois o Atlético tem um dos grupos mais velhos do país. Sei que o torcedor quer taças e conquistas. Mas é preciso reorganizar o clube para que isso possa acontecer.

Alexandre Kalil, eterno e mais vencedor presidente da história do Galo, deixou a casa arrumada e os títulos conquistados em exibição na sede de Lourdes, mas, depois que ele saiu, as diretorias não foram felizes. É hora de resgatar tudo o que ele fez de bom e dar um novo rumo ao Galo. Não adianta a equipe apenas figurar nas competições. O presidente promete um time forte e competitivo, e está olhando o mercado com lupa. Ele declarou que as trocas serão as melhores moedas de troca, mas não será fácil conseguir grandes jogadores com essa filosofia. O Galo precisa acordar, como gigante que é, e voltar a beliscar taças. O torcedor se acostumou a isso na Era Kalil, e quer voltar a gritar “é campeão”.

Por enquanto, nem o Mineiro conseguiu ganhar. Eu faria uma barca gigantesca, uma limpa geral, e subiria vários jogadores da base. Somente assim o Galo poderá voltar a sonhar com as conquistas. É o único time mineiro na Série A, e isso está fazendo com que os torcedores tirem sarro do rival. Porém, Galo e Raposa não podem viver da derrota um do outro. É preciso pensar grande, e pensar grande significa títulos.


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