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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Em agonia, o futebol mineiro pede socorro

Os escândalos de corrupção envolvendo a diretoria do Cruzeiro foram fundamentais para essa situação, além de contratações equivocadas, trocas de técnicos e de vários ex-jogadores em atividade


postado em 01/12/2019 04:00 / atualizado em 30/11/2019 20:57

O Cruzeiro, do armador Thiago Neves, terá de vencer seus jogos restantes no Brasileiro e torcer por tropeço de rivais para não ser rebaixado (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
O Cruzeiro, do armador Thiago Neves, terá de vencer seus jogos restantes no Brasileiro e torcer por tropeço de rivais para não ser rebaixado (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

Chegamos a dezembro, mês de Natal, de confraternização, de repensarmos o que de certo e errado fizemos durante o ano. O futebol mineiro agoniza, com seus dois gigantes adormecidos e ainda com risco de queda para a Segundona. A situação do Galo é menos desesperadora. Com 42 pontos, precisa de uma vitória em três jogos para não cair. A do Cruzeiro é de CTI. Se o Ceará não ajudar, perdendo seus jogos, pela primeira vez na história o time azul visitará o “inferno”, como dizem os torcedores sobre a Série B. Vale lembrar que vários grandes times já caíram e, a partir da queda, se restabeleceram e ganharam até Mundial Interclubes, caso do Corinthians. Porém, se conseguir se repaginar sem cair, melhor ainda. O problema do Cruzeiro é saber que ele disputou seis pontos contra adversários que vão cair, casos do CSA e Avaí, e conseguiu apenas 1 ponto, chegando aos 36. Poderia estar com 41, mas não teve competência para vencer equipes que sempre foram de segunda e terceira linhas do nosso futebol. Os escândalos de corrupção envolvendo a diretoria foram fundamentais e decisivos para essa situação, além, é claro, de contratações equivocadas, trocas de técnicos e de vários ex-jogadores em atividade. O Cruzeiro começou o ano apontado por todos nós como grande favorito aos títulos. No papel, era assim. Na prática, o que vimos foi um filme de terror!

O Galo também começou o ano com expectativa – menor que o rival, mas de um time bem-armado e bem gerido. Porém, bastaram algumas rodadas do fraquíssimo Campeonato Mineiro para a gente perceber que ele não iria a lugar algum. Na Libertadores, foi um fiasco, caindo na primeira fase. Na Copa do Brasil, foi até onde pôde, e deu adeus. No Brasileirão, empolgou seus torcedores nas primeiras rodadas, mas logo encontrou seu lugarzinho, ali na zona intermediária, até chegar ao risco de queda. Que ano terrível! A falta de dinheiro dos clubes mineiros foi também um fator primordial para o fracasso. Enquanto Flamengo e Corinthians fazem futebol com receitas extravagantes da TV que detém os direitos dos jogos, Galo e Raposa fazem com R$ 90 milhões. Fla e Timão recebem cerca de R$ 400 milhões. Vale lembrar que a decisão Flamengo x River pela Libertadores passou para o Brasil inteiro, enquanto a decisão de Cruzeiro x Estudiantes, em 2009, passou para Minas Gerais e poucos estados. Vejam que tratamento aos clubes de Rio e São Paulo e ao restante do país.

Eu já disse que é preciso copiar a Liga Inglesa, que distribui em condições isonômicas 50% da receita de TV para os clubes. Os outros 50% são para o campeão, vice e por aí afora, além dos que venderam mais pay-per-view. Mas no Brasil a Rede Globo não se importa com o resto do país. Premiando Flamengo e Corinthians, ninguém mais importa. Já passou da hora de os clubes darem um basta, boicotando tal emissora. Mas como fazer isso, se a maioria já pediu antecipação de cota até 2022? Ainda mais agora que o Bolsonaro cortou a verba publicitária da emissora. Vejam a quantidade de demissões e o tanto de excelentes profissionais que estão saindo por conta própria. Um famoso colunista de TV disse até que “a festa de final do ano não acontecerá, por contenção de despesas”. Se o Globo está em dificuldades, imaginem as outras empresas! A situação econômica do país é gravíssima, com o dólar disparando e a economia quebrada.

Para os clubes existe uma única saída: transformar-se em empresa, com CEOs tocando-os de forma honesta e correta, dando lucros e títulos. Não há outro caminho. No passado, houve essa tentativa, mas vários dirigentes amadores e desonestos se apropriaram do dinheiro das empresas, como se fosse deles, e deixaram os clubes quebrados. Agora, o governo federal acena com mais uma proposta de parcelamento das dívidas e da entrada de empresas para gerir os clubes. Depende apenas deles, pois o modelo atual de gestão é ultrapassado, retrógrado e atrasado. 

Ainda restam três rodadas de esperança para a torcida azul de pelo menos se manter na elite. Se cair, serão R$ 90 milhões a menos em cotas de TV, salários já atrasados e futuro desesperador. Eu avisei ao presidente mais vencedor da história do clube, Zezé Perrella, que ele não deveria voltar, sob o risco de ficar na história como um dos que ajudaram a derrubar o time para a Segundona. Ele não ouviu e agora o risco é iminente, quase confirmado. Entendo suas razões de grande cruzeirense e de ajudar o clube do coração no momento mais difícil da história. Porém, quando o navio está afundando, não há mais solução. Foi assim com o Titanic e parece que será assim com o Cruzeiro. Essa balela de que time grande não cai só serve para iludir os torcedores. Cai sim, e já vimos vários exemplos. Má gestão, contratações equivocadas, explosão do orçamento geram quedas e deixam o clube na bancarrota. Essa é a situação do Cruzeiro. Sem perspectiva, sem esperança, esperando que alguém pegue a tampa do caixão e a feche. Tomara que não, mas o caminho para a queda está desenhado e traçado há tempos!


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