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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Atlético: se manter na elite e fazer uma barca gigante com os engodos

O primeiro passo da diretoria alvinegra é enxugar a folha, promover garotos da base e mandar embora os "come e dorme" e os "chinelinhos"


postado em 30/10/2019 04:00

O armador Cazares desperdiça o talento que tem(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press - 10/8/19)
O armador Cazares desperdiça o talento que tem (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press - 10/8/19)


O Atlético enfrenta a Chapecoense hoje, no Horto, com a obrigação de vencer para chegar aos 38 pontos e ficar a seis de se manter na elite. Não tenho dúvidas de que o Galo estará entre os melhores em 2020, mas a minha preocupação é saber se no ano que vem o time alvinegro vai apenas figurar nas competições ou se vai disputar taças. Longe da pontuação que dá vaga na Libertadores, ou pelo menos na Pré-Libertadores, o Galo vai ter que se reciclar, fazer uma barca gigante. Aliás, um navio de cruzeiro, e mandar um monte de gente embora. Jogadores consagrados e campeões como Victor,  Réver e Leonardo Silva merecem respeito e homenagens. Ganharam a Libertadores, Copa do Brasil e Recopa. Patric, Fábio Santos, Luan, Geuvânio, Ricardo Oliveira, Elias, Otero e Cazares poderiam servir como moedas de troca, pois acredito que o tempo deles venceu. Elias, Luan, Cazares e Otero custam fortunas por mês. Já passou da hora de respirarem outros ares. O torcedor já não os suporta. Sei que haverá um grave problema: onde arrumar dinheiro para indenizar jogadores com contratos longos? Porém, em alguns casos, só em se livrar dos salários astronômicos o Atlético estará prestando um grande serviço ao torcedor. Se houver clube disposto a pagar a fortuna que eles ganham por mês, que sejam liberados, de graça. É uma solução.

O que não pode mais é o Atlético pagar salários irreais a jogadores que não conseguem disputar taças. São figurantes de luxo, ganhando verdadeiros prêmios da Mega-Sena anualmente. Chega disso, gente! O futebol tem que ser tratado como coisa séria, com receitas e despesas e um orçamento a ser seguido. Se o Atlético não conseguir revelar dois bons zagueiros, um lateral, dois volantes de qualidade e um atacante nas divisões de base, é melhor fechar as portas. É inadmissível um clube grande não revelar ninguém com talento. Sei que alguns jogadores têm compromisso com o clube, o que eles não têm é futebol para vestir a camisa alvinegra. Não é culpa deles não conseguirem produzir o suficiente. Há outros, caso de Cazares, que são talentosos e acima da média, mas parece que não querem compromisso com as vitórias e com os torcedores. Jogam o futebol que têm no lixo. Esse rapaz está jogando a carreira no lixo e, um dia, vai se lembrar que poderia ter um futuro tranquilo, mas que, por suas atitudes extracampo e sua falta de disciplina, jogou tudo fora. Já vimos vários filmes como esse e, no fim, quem morre é o mocinho. Uma pena, pois Cazares talvez seja o melhor 10, tecnicamente falando.

Sei das dificuldades de se gerir um clube com dívidas e sem dinheiro, mas é preciso usar criatividade e pôr gente vencedora para dirigir o futebol. As informações sobre o trabalho do senhor Rui Costa não são as melhores. Ele não tem currículo de diretor de futebol vencedor. Não sei se é do ramo, mas, pelo trabalho ruim no Galo, me parece que não é o cara adequado para a função. O estrago já está feito. Quando dezembro chegar, muitos péssimos jogadores retornarão de empréstimos, e muitos do atual grupo ficarão. A folha aumentará ainda mais e será complicado gerir o clube. É preciso tirar água de pedra, buscar soluções reais. O primeiro passo é enxugar a folha, promover garotos da base e mandar embora os “come e dorme” e os “chinelinhos”. O futebol moderno não comporta mais isso, que o diga o português Jorge Jesus, que não poupa jogadores, que dá bronca mesmo quando vence por 5 a 0, que entra no gramado no fim de uma partida para chamar a atenção dos comandados. Disciplina, comprometimento com o clube e com a camisa acima de tudo.

O Atlético, campeoníssimo em 2013-2014, virou cinzas. De lá para cá, não conseguiu ganhar mais nada, não deixou sua gente feliz, voltou aos tempos sombrios de falta de títulos e taças. É preciso ressurgir dessas cinzas e voar mais alto que a Fênix. Não há outro jeito. Sem grandes arrecadações, patrocínios fortes e com o medo da queda para a Segundona, nem mesmo a TV, que detém os direitos dos jogos, se arrisca a antecipar cotas. Aliás, acho isso um erro, pois há clubes que já anteciparam cotas até 2022, e isso compromete todo o trabalho, além de ficarem reféns das decisões da TV. Se ela determinar que o clube jogue a meia-noite, terá que jogar, sem contestação. Já passou da hora de os clubes virarem empresas, com donos, com responsabilidade fiscal, com orçamento anual e planejamento. Não dá mais para viver no amadorismo. Enquanto viveu assim, o Flamengo ganhou um ou outro título. Depois que se modernizou, se organizou e se tornou superavitário está prestes a ganhar as duas competições mais importantes do continente. E pensar que o Galo tem apenas o Brasileiro de 1971! Vai completar meio século sem a taça mais importante do Brasil, sem perspectiva, sem um norte. Ou a filosofia muda ou os fanáticos torcedores alvinegros terão anos e mais anos de seca, de jejum de taças. Será que eles vão aceitar isso? Peço aos torcedores que sejam racionais e protestem apenas nas arquibancadas dos estádios. Violência não leva a nada, e as pessoas que dirigem os clubes, em sua maioria, têm as melhores das intenções, pois são torcedores das instituições, tanto quanto os anônimos. Não é fácil fazer futebol com clube endividado e sem dinheiro, mas repito: criatividade, investimento nas divisões de base e clube-empresa. É a única solução para que o Flamengo não ganhe todos os anos, pois, com a casa arrumada, o rubro-negro dificilmente deixará de disputar todas as taças daqui pra frente, como está fazendo nesta temporada.


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