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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Kalil avisou em 2014... E o Flamengo está arrumado em 2019

"Futebol não tem segredo. Pessoas certas no lugar certo, bom técnico, bom grupo de jogadores e administração austera. O resultado são taças, títulos e os torcedores felizes da vida"


postado em 27/10/2019 04:00 / atualizado em 25/10/2019 18:35

O Flamengo goleou o Grêmio no Maracanã lotado e vai disputar a final da Libertadores contra o River Plate. O rubro-negro é também o líder do Brasileiro(foto: Mauro Pimentel/AFP)
O Flamengo goleou o Grêmio no Maracanã lotado e vai disputar a final da Libertadores contra o River Plate. O rubro-negro é também o líder do Brasileiro (foto: Mauro Pimentel/AFP)


O eterno e maior vencedor presidente da história do Atlético, Alexandre Kalil, avisou em 2014: “Se arrumarem o Flamengo, acabou o futebol brasileiro”. E a previsão se confirmou em 2019, cinco anos depois, com o Flamengo arrumado, superavitário, com um timaço e um técnico de dar inveja – português, é claro, pois os treinadores brasileiros, com raras exceções, não têm competência para fazer o que ele faz. Kalil foi um dos mais visionários presidentes de clubes que o país já teve. Pegou o Atlético, terra arrasada, maltratado, sem confiança, com uma torcida apaixonada e sofrida, e o transformou em campeão e vencedor. Arrisco-me a dizer que existe um Galo antes e depois de Kalil. Ele recuperou jogadores execrados no Brasil, caso de Ronaldinho Gaúcho, Jô e Tardelli, apostou num técnico que havia pedido demissão, depois de sete derrotas seguidas, Cuca, e transformou o modesto Independência num caldeirão infernal e aterrorizante para os adversários. No Atlético de Kalil, não se comprava um sabonete sem a sua assinatura, assim como nada se fazia sem a sua autorização e supervisão. Lembro-me quando ele assumiu, e estávamos jantando no restaurante A Favorita. Ele me disse: “Jaeci, futebol é simples. Arruma a casa, bota a bola na casinha e os títulos virão. Num ano você bate na trave, no outro, no travessão, e no terceiro ano, a bola entra”.

Não deu outra. O Galo foi vice-campeão brasileiro em 2012, ganhou vaga na Libertadores para 2013 e conquistou a América, o maior título de sua história. E não ficou só nisso. De lambuja, Kalil ganhou a Copa do Brasil de 2014 em cima do maior rival, Cruzeiro, e a Recopa Sul-Americana. Ele é do ramo e sabia muito bem o que fazia. E, diga-se de passagem, com um décimo do dinheiro que o Flamengo gastou para montar esse belo time. Futebol não tem segredo. Pessoas certas no lugar certo, bom técnico, bom grupo de jogadores e administração austera. O resultado são taças, títulos e os torcedores felizes da vida. Alexandre Kalil não vai voltar ao Galo. Talvez um filho dele, como ele mesmo diz, “depois que ele morrer”, já que vivo não permite.  Já deu seu contributo e está na história do Atlético. O clube, agora, tem que se reencontrar.

A declaração de Kalil, há cinco anos, reflete o que o Flamengo é hoje. A casa foi arrumada, o time é fantástico e os títulos virão. E, ainda que a Libertadores não venha, pois o River não é qualquer um, o que vale é o resgate do verdadeiro futebol brasileiro. Não há como negar que o Flamengo de Bruno Henrique, De Arrascaeta, Gabigol e Éverton Ribeiro é um timaço. E o comandante, Jorge Jesus, dá um show de tática, variação de esquemas durante a mesma partida e, o fato novo, ele não poupa jogador nenhum. Já os preguiçosos técnicos brasileiros gostam de poupar, fazem 1 a 0 e recuam o time. Por isso nosso futebol está na lama e o Flamengo na vanguarda. O presidente Rodolfo Landim ajeitou a casa, contratou o que de melhor havia no mercado, mandou o ultrapassado Abel Braga embora e contratou um técnico europeu, que mudou o conceito do nosso futebol. O Mister, como é chamado carinhosamente por jogadores e torcedores, está dando uma aula aos técnicos brasileiros, e é invejado pela maioria. Em vez de aprender, eles torcem para não dar certo. Já deu, meus caros, queiram vocês ou não.

O Flamengo tem receitas médias de R$ 4 milhões por jogo no Maracanã e bate recordes de públicos, um atrás do outro. Ou os outros clubes seguem o mesmo caminho ou estarão fadados ao fracasso e a ficar batendo palmas para o rubro-negro. E não me venham dizer que o Flamengo recebe mais dinheiro que os outros. Ele recebia também em 2013, mas o campeão foi o Galo de Kalil, pois ele foi gestor eficiente e consciente do que deveria fazer. Essa desculpa não cola mais. Administrações caóticas e irresponsáveis estão acabando com o futebol brasileiro.

O Campeonato Brasileiro está virando o Espanhol, onde somente dois clubes dividem as taças, Real Madrid e Barcelona, e, esporadicamente, um ou outro clube, como o Atlético de Madrid. Só que no Brasil só tem um clube organizado e com a casa arrumada, e esse clube é o Flamengo. O Palmeiras vive de um mecenas, que empresta dinheiro a juros aos velhinhos aposentados, assim como viveu o Fluminense, com a Unimed. Já passou da hora de os clubes tentarem imitar o Flamengo e fazerem gestões eficientes, equilibradas, formando grandes times e procurando técnicos comprometidos com o trabalho de verdade. Kalil avisou há cinco anos, o que se confirmou agora. Não, à toa, transformou-se num dos maiores dirigentes brasileiros de todos os tempos. Perguntem ao atleticano se ele sente falta de Kalil. O cara é uma espécie de Messias para essa fanática e apaixonada torcida. Kalil, pena que você nasceu atleticano, pois se tivesse nascido flamenguista, eu e os 40 milhões de torcedores rubro-negros já teríamos nossa casa arrumada faz tempo.


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