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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Atlético e Cruzeiro em fase melancólica

"Espero que não ocorra, pois vejo muito time ruim lá embaixo, mas se não se cuidarem direitinho, Galo e Raposa poderão morrer abraçados na Segunda Divisão"


postado em 29/09/2019 04:00

Elias é uma das peças que vem rendendo pouco no Atlético e deve ficar fora dos planos para 2020(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press - 11/9/19)
Elias é uma das peças que vem rendendo pouco no Atlético e deve ficar fora dos planos para 2020 (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press - 11/9/19)


Cruzeiro e Atlético terão um fim de ano melancólico, talvez ambos brigando para não cair para a Segundona. Com 27 pontos, estacionado na décima posição, o Galo vem de seis derrotas consecutivas no Brasileirão e uma eliminação na Copa Sul-Americana. Pior ainda está o Cruzeiro, com 19 pontos, na zona de rebaixamento, sem perspectiva, vivendo sua maior crise política, com os dirigentes sendo acusados de corrupção, lavagem de dinheiro e outras coisas mais. Um time comandado por Thiago Neves, que manda e desmanda, demite treinador e faz a sua panela. Uma vergonha! Quando o ano começou, a expectativa de todos nós era de um Cruzeiro gigante, com time para disputar todas as finais. Porém, o que se vê é o aumento significativo da dívida, que pode chegar perto de R$ 1 bilhão no fim do ano, uma equipe desfigurada, com vários ex-jogadores em atividade. No Atlético, um time perdido, sem perspectiva, também com alguns engodos e um técnico na berlinda. Espero que não ocorra, pois vejo muito time ruim lá embaixo, mas se não se cuidarem direitinho, Galo e Raposa poderão morrer abraçados na Segunda Divisão.

Não há como competir com Flamengo e Palmeiras. O primeiro vendeu vários jogadores a preço de ouro e contratou o que de melhor havia no mercado. Por isso é líder do Brasileirão e sonha voltar ao lugar mais alto da Copa Libertadores. O Palmeiras, eliminado da Liberta e da Copa do Brasil, persegue o Flamengo no Brasileirão. Tem uma patrocinadora forte, aquela que empresta dinheiro a juros, principalmente aos velhinhos, aposentados, e que só anuncia no Jornal Nacional. Muitos me preguntam se seria esse o motivo de a Globo não falar mal do Palmeiras. Não sei se procede, mas depois que o presidente Jair Bolsonaro cortou a verba publicitária da emissora, muitas demissões aconteceram. Mas, voltando ao Palmeiras, é sabido que gastou muito dinheiro em contratações, com seu diretor de futebol, Alexandre Mattos, acusado de fazer negociatas e ganhar dinheiro por fora. O ex-jogador do clube Valdívia o chamou de “gordo safado”. Os torcedores palmeirenses puseram faixas em frente à sua casa chamando-o de “ladrão”. Não vi da parte dele nenhum processo contra Valdívia e contra os torcedores.

Há muito o futebol brasileiro vive essa promiscuidade. Diretores de futebol ganhando mais que os jogadores, que deveriam ser os verdadeiros protagonistas do espetáculo. Vários jogadores comentam, mas ninguém consegue o ônus da prova. Dizem alguns que o dinheiro, rachado entre diretor de futebol e empresário, é posto em contas no exterior e, dessa forma, fica difícil encontrar. Vale lembrar que o dinheiro que cabe ao clube, entra direitinho nos cofres. O chamado “Rachid”, segundo alguns jogadores, é feito entre empresário e diretor de futebol. Claro que existem os diretores sérios, mas está cada vez mais complicado.

Por essas e outras os clubes estão quebrados, de pires nas mãos. O Atlético tem um presidente honesto e correto. Advogado brilhante e apaixonado pelo clube. Porém, ele errou ao dar poderes a Alexandre Gallo, que fez péssimas contratações e firmou acordo com “ex-jogadores” em atividade, velhos e com contratos de quatro anos. Um prejuízo incalculável. Além disso, vários jogadores sem a menor condição de vestir a camisa alvinegra. Mais recentemente, contratou o diretor de futebol Rui Costa, que tem histórico de perdedor no Grêmio, e que mantém a escrita no Atlético. O Galo precisa primeiro se livrar da possibilidade de rebaixamento. E, depois, fazer uma barca e mandar embora uns 15 atletas. Os caras ganham fortunas e não dão o menor retorno. Chega dessa política de contratações no futebol brasileiro. Jogadores são repatriados com salários de Europa, num país quebrado. Já passou da hora de os clubes voltarem a investir nas divisões de base, formar grupos vencedores e ter pelo menos cinco anos com a mesma base. Chega de Elias, Ricardo Oliveira e outros engodos. 

Voltando ao Cruzeiro, se não houver uma tomada de posição do Conselho Deliberativo ou da Justiça, nada feito. Vai penar até a última rodada do Brasileirão para saber se fica na elite ou se cai para a Segundona. Sempre considerei Mano Menezes um retranqueiro extremo, mas agora entendo melhor o motivo desse esquema. Ele deve ter percebido que com esse grupo envelhecido e alguns ex-jogadores em atividade – e todos sabem de quem estou falando –, só mesmo com a casinha fechada era possível não perder tanto. Que ano terrível para o futebol mineiro. Os dois maiores clubes brigando para não cair num campeonato que tem Avaí, Ceará, Fortaleza, Chapecoense, que, na minha visão, são piores que Atlético e Cruzeiro. Porém, talvez os jogadores dessas equipes tenham mais comprometimento com as vitórias e com seus clubes do que os que vestem as camisas do Galo e da Raposa. Não me venham com balelas: os principais responsáveis por fracassos ou sucessos de equipes são os jogadores. Os treinadores, se não atrapalharem e fizerem os 10% que cabem a eles, já estará de bom tamanho. E os dirigentes precisam entender que são figuras passageiras. O clube é eterno. 

Eles, vencedores ou perdedores, passam. Alguns ficam na história e deixam saudades. Outros, nem lembrados serão. Porém, se derrubarem suas equipes para a Segundona, jamais serão esquecidos. É  marca que fica para a eternidade. Nesse caso, o fracasso fala mais alto que o sucesso.


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