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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Só gente à toa para ir ao aeroporto xingar os jogadores do Atlético

Apesar da fase ruim, não acho certo torcedores xingarem atletas que estão embarcando para trabalhar. Local de protesto, pacífico, é no estádio


postado em 19/09/2019 04:00 / atualizado em 18/09/2019 22:11

Torcedores atleticanos protestaram em Confins durante o embarque da delegação para a Argentina(foto: Túlio Kaizer/EM/D.A Press)
Torcedores atleticanos protestaram em Confins durante o embarque da delegação para a Argentina (foto: Túlio Kaizer/EM/D.A Press)


Os jogadores do Atlético foram xingados no aeroporto de Confins, pouco antes do embarque para a Argentina. O mais achincalhado foi o armador Cazares, chamado de cachaceiro e outras coisas mais. Sobrou até para Ricardo Oliveira, que nem relacionado foi, por problemas particulares. Mas teve torcedor fazendo alusão ao “pastor”. Chará também ouviu poucas e boas. Virou lugar comum a gente ouvir alguns bandidos, travestidos de torcedores, dizerem: “Se não for no amor, será na dor”. Gente que não trabalha, que se dispõe a ir a um aeroporto, que fica 50km distante do centro de BH, só para xingar os atletas. Isso é inadmissível. Por mais que a fase seja ruim. Por mais que alguns jogadores estejam devendo, até no comportamento, é preciso entender que eles estavam embarcando para trabalhar. Lugar de xingar, pôr faixa de cabeça para baixo, de protestar, de forma pacífica, é na arquibancada. O que vimos em Confins é caso de polícia, pois baderneiros não podem e não devem expor a integridade física de ninguém. Se não houvesse seguranças, claro que eles chegariam às vias de fato, já que se sentem donos do clube, e acima do bem e do mal. Já disse e repito: uma meia dúzia não pode representar uma nação de torcedores. Eu respeito os atleticanos anônimos, aqueles que amam o clube e que sofrem por ele. Qualquer torcida organizada, e sabemos que há bandidos infiltrados, não é melhor que o torcedor anônimo, o que paga ingresso pelo amor ao clube.

Eu nunca entrei na vida pessoal de qualquer jogador. Critico e elogio a performance em campo. Se Cazares é cachaceiro, se envolveu-se em confusão com mulheres, se não tem um bom comportamento como ser humano, cabe aos familiares e ao clube tomar providências. E cabe à polícia, se algum tipo de agressão for comprovado, puni-lo com os rigores da lei. Eu o analiso em campo. Acho-o um excepcional talento, que está se perdendo. Não sei se falta orientação, se falta berço, se falta caráter. Alguma coisa falta na vida desse rapaz. Quando quer jogar, é impressionante com a bola nos pés. Porém, pelo que temos visto, ele prefere mesmo as páginas policiais às esportivas. Está jogando uma carreira brilhante no lixo. Só ele mesmo pode se ajudar. O clube tem que punir e mostrar ao torcedor que existe ordem. Porém, o comando não me parece firme a esse ponto. Cazares tem feito o que quer e o que não quer e nenhuma punição foi anunciada. Jogador só sente quando é multado. Caso contrário, vai continuar a aprontar.

O problema do Atlético não se resume a Cazares. Tem muito come e dorme ganhando milhões de reais por ano sem dar o menor retorno. Há muitos ex-jogadores em atividade no grupo, e isso compromete o trabalho. O menos culpado é Rodrigo Santana. E se perder mais umas duas partidas deverá perder o emprego. Vão cometer o mesmo erro que cometeram com Thiago Larghi. O problema do Atlético é estrutural, de conhecimento de futebol, de impedir que gente que nada entende do assunto dê palpite. Na Europa, quando um jogador não serve mais, é homenageado e dispensado. Os clubes brasileiros sentem-se instituições de caridade, repatriando ex-atletas em atividade. Com todo o respeito à carreira de Ricardo Oliveira, não dá mais. Centroavante que faz um gol a cada 20 jogos não pode vestir a camisa que um dia o gênio Reinaldo vestiu. É uma afronta aos milhões de torcedores atleticanos. Vou bater numa tecla antiga: ou os clubes brasileiros investem nas divisões de base ou vão quebrar de tanto gastar dinheiro com jogadores que foram laranja e que hoje não têm mais caldo para produzir. Essa irresponsabilidade acontece no Atlético, no Cruzeiro, no Flamengo, enfim, em todos os clubes brasileiros. Uma vergonha e um desrespeito ao torcedor. Só para termos uma noção de responsabilidade, o Athletico, que disputou a final da Copa do Brasil ontem, tinha 12 jogadores oriundos da base. Isso sim é um trabalho sério, honesto e competente, independentemente do resultado no campo de jogo.

Sem credibilidade

Acreditar em pesquisa do Data Folha para saber o número de torcedores dos clubes brasileiros é uma piada de mau gosto. Esse instituto é o mesmo que erra, há anos, assim como o Ibope, nas pesquisas eleitorais, apontando vencedores que nem sequer chegam ao segundo turno. Eu respeito o clube que tem apenas um torcedor, como respeito aquele que tem milhões. Paixão não se discute, nem tampouco se contabiliza. Paixão e amor a um clube de futebol não têm tamanho, nem preço. Não entendo o motivo de darem tanta importância a institutos falidos e sem a menor credibilidade.


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