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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Não há mais clima para a atual diretoria do Cruzeiro

Dirigentes da Raposa deveriam se afastar dos cargos para se defenderem das acusações. Polícia precisa se pronunciar rapidamente


postado em 11/09/2019 04:00 / atualizado em 11/09/2019 08:16

Com a crise no Cruzeiro, membros de torcidas organizadas protestaram na Toca da Raposa(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Com a crise no Cruzeiro, membros de torcidas organizadas protestaram na Toca da Raposa (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)


Los Angeles – Apesar de ter acompanhado o jogo da Seleção contra o Peru, vou abordar hoje a crise pela qual passa o Cruzeiro, sem precedentes na história do clube. É visível que não há mais clima para a atual diretoria seguir seu trabalho. O time anda caindo pelas tabelas, com jogos sofríveis e horríveis, correndo risco de rebaixamento. A goleada de 4 a 1 para o Grêmio foi a gota d’água para que a paciência do torcedor explodisse. Faixas, cartazes e passeatas estão sendo organizadas para sensibilizar os dirigentes a renunciar. O Conselho Deliberativo está omisso, embora seu presidente, Zezé Perrella, um dos dirigentes mais vencedores do clube, esteja contra a diretoria atual, pedindo sua renúncia. Realmente a situação é gravíssima, e, como eles não se afastam, correm até riscos de ter sua integridade física violada. Isso seria terrível. A pergunta que o torcedor faz é: que apego essa gente tem ao cargo para não renunciar? Se eles são inocentes das acusações veiculadas pelo Fantástico, da Rede Globo, que provem. Se não são, que saiam e deem vez a outro.

O Cruzeiro não é deles, nem de facções organizadas. O Cruzeiro é dos mais de 9 milhões de torcedores mundo afora. Uma instituição quase centenária, imortal, com uma sala gigantesca de grandes troféus. O clube vive frequentando as páginas policiais, com denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro que a polícia investiga para dar um parecer à Justiça. Só que está demorando. Se não há provas, que digam publicamente, inocentem os acusados e os deixem trabalhar. Se as conclusões forem contundentes, que tomem as medidas enérgicas, impostas pela lei, e os afastem, promulgando novas eleições. Eu pensei que somente na política suja do Brasil se comprasse voto. Porém, a eleição no Cruzeiro foi contestada de cabo a rabo, com indicação de compras de conselheiros remunerados. Isso realmente é constrangedor. O time caiu de produção de forma assustadora, beirando o ridículo, com eliminações em cima de eliminações e uma campanha pífia no Brasileirão.

Jogadores contratados de forma equivocada. Eu sempre disse que dos reforços que chegaram, apenas Edílson poderia ser considerado uma boa contratação. Mas ele passa mais tempo no departamento médico do que em campo. Então, foi outro péssimo negócio. Até mesmo Thiago Neves, que foi contratado na gestão anterior, nunca deu certo. Um ou outro jogo bom, e o resto ruim. Um prejuízo líquido e certo. Segundo me informou uma fonte fidedigna, o salário dele é absurdo, com cláusulas de premiação por minutos jogados, conquistas e outras coisas mais. A dívida do clube com ele é monstruosa. Algo inimaginável. Como é inimaginável saber que o Cruzeiro tem uma folha mensal de R$ 20 milhões e não tem dinheiro para quitá-la até o fim do ano. Parte dos salários de julho foram pagos, e, de lá pra cá, nada mais. E já estamos em setembro! Quando eu digo que a política dos clubes é equivocada, as pessoas não entendem. Não há como um clube de futebol dever mais de R$ 500 milhões, com projeção de débito de R$ 1 bilhão. E, diga-se de passagem, essa dívida aumentou com as contratações feitas por Alexandre Mattos, que inflacionou o clube, mas deu dois títulos brasileiros e uma Copa do Brasil. A conta chega e ela chegou de forma assustadora. É a mesma política que ele adota no Palmeiras. Só que lá tem dinheiro de uma patrocinadora, que empresta dinheiro a juros aos aposentados, e isso lhe gera uma fortuna. Para ela, perder R$ 100 milhões ou R$ 500 milhões, tanto faz.

Hoje, os diretores de futebol querem ganhar mais que os jogadores, que, teoricamente, são os astros do espetáculo. Ser dirigente de futebol, gastando de forma irresponsável, não significa competência. Gastar o que se tem, e o que não tem, para formar um grande time e ganhar uma taça não é a forma correta de gerir os clubes. O torcedor se ilude com a conquista, mas, lá na frente, a conta chega e é dolorosa. Os clubes têm que se transformar em empresas, serem geridos por CEOs, contratados para trabalhar com um orçamento X, ganhar taças e dar lucros. Há clubes que anteciparam cotas de TV até 2022 e não têm mais dinheiro para nada. Isso tem que acabar, pois todos ficam reféns da TV.

Os dirigentes azuis devem repensar tudo o que está acontecendo, se afastar, e se defender fora do cargo. Essa medida é para o próprio bem deles. Se não devem nada, que provem, fora do cargo, e deixem o clube seguir sua rica história de taças e títulos. E que essa sugestão sirva para todos os dirigentes que acham que são donos dos clubes. Eles estão dirigentes, mas vão passar, e a instituição é eterna. Ver o nome de um clube da grandeza do Cruzeiro, que sempre foi referência no Brasil, ser manchado dessa maneira é triste e deve doer demais no coração dos verdadeiros torcedores. Não há o menor clima para a atual diretoria continuar. As manifestações são fortes, contundentes e prometem não cessar enquanto eles não forem afastados. Que a Justiça seja mais rápida e defina o caso. Inocentes ou culpados, o torcedor precisa saber!

18 ANOS

Hoje, 11 de setembro, faz 18 anos que os aviões cheios de terroristas bateram nas torres gêmeas e provocaram a morte de milhares de pessoas em Nova York. Um dia triste, para refletirmos o que queremos das nossas vidas. Que as facções terroristas sejam aniquiladas do mundo e que possamos ter paz. Viver num planeta melhor, menos egoísta e mais humano.


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