Publicidade

Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Sul-Americana: o que ontem era lixo, virou a menina dos olhos do Atlético

A diretoria atleticana desdenhou da competição em 2018 e agora ela se tornou a prioridade alvinegra na temporada. Foi o que restou


postado em 29/08/2019 04:00 / atualizado em 28/08/2019 20:08

Jogadores atleticanos comemoram o gol de Elias contra La Equidad, que sacramentou a classificação do Galo às semifinais da Copa Sul-Americana(foto: Juan Barreto/AFP)
Jogadores atleticanos comemoram o gol de Elias contra La Equidad, que sacramentou a classificação do Galo às semifinais da Copa Sul-Americana (foto: Juan Barreto/AFP)


De repente, a Copa Sul-Americana transformou-se na grande competição para o Atlético. De jogada no lixo, na temporada passada – quando a diretoria desdenhou da eliminação do time –, ao topo da prateleira, nesta temporada. Uma contradição jamais vista. Mas eu entendo: como nem Campeonato Mineiro o Galo conseguiu ganhar, e as chances no Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil não existem, tem que apelar para o que restou. Eu mantenho minha posição e não abro mão: a Copa Sul-Americana é a Segunda Divisão da Libertadores, com jogos sofríveis e equipes que a gente sequer conhece. Esse La Equidad, por exemplo, eu nunca tinha ouvido falar. E para confirmar o que digo, não há nenhuma televisão interessada em mostrar a competição. Apenas a DAZN, plataforma de streaming, é que tem transmitido os jogos. Por tudo isso, achei um erro crasso o técnico Rodrigo Santana escalar time reserva contra o Bahia, abrindo mão de três pontos no Brasileirão. Pontos irrecuperáveis, que farão falta lá na frente. Felizmente, para os atleticanos, parece que risco de rebaixamento nessa temporada não há. Pois, com 27 pontos, bastam mais 18, ou seis vitórias para chegar aos 45. Imaginem o torcedor passar pelo dissabor que teve em 2005, quando sujou sua história com a queda para a Segundona? Uma mancha que não sairá nunca mais.

O time titular do Atlético já está na conta do chá, imaginem o reserva? O clube está sendo tocado, no futebol, por Rui Costa, diretor que esteve no Grêmio durante oito anos, período em que o clube gaúcho nada ganhou. Com a chegada de Renato Gaúcho e a demissão dele, o tricolor faturou Copa do Brasil, Libertadores e o vice-mundial, e já está nas semifinais da competição sul-americana pela terceira vez consecutiva. Méritos para o trabalho de Renato Gaúcho, técnico que joga pra frente e que não pratica o antijogo, e dos jogadores, que se uniram a ele em prol de campanhas e conquistas maravilhosas. Recentemente, li, no Superesportes que as divisões de base do clube também foram entregues a um profissional trazido por Rui Costa. Tomara que dê certo e que os empresários não tomem conta delas. Está provado que diretor de futebol não tem esse poder todo que muitos imaginam. Sou de uma época em que quem tocava o futebol dos clubes eram pessoas capazes, que não recebiam um centavo. Hoje, os diretores de futebol, em alguns casos, têm salários mais altos que jogadores, o que é um completo descalabro. Não sei se é o caso do que está aí no Galo.

E pra fechar, o Atlético ganhou duas Copas Conmebol, que hoje é a Sul-Americana, e nunca deu importância a essas conquistas. Jogou as duas taças no lixo e jamais as enalteceram. De repente, de uma hora para a outra, virou a menina dos olhos da diretoria. Menos, gente! É uma competição fraquíssima do ponto de vista técnico, mas, que segundo consta, a partir dessa temporada premia melhor financeiramente, e o campeão já entra na fase de grupos da Libertadores. Esse deve ser o argumento da diretoria para mudar de opinião. Porém, não adianta se qualificar para a fase de grupos da Libertadores se não tiver Ronaldinho Gaúcho, Jô, Bernard e outros jogadores que fizeram parte da memorável história da conquista de 2013. Para entrar na competição, figurar e fazer o torcedor passar raiva, é melhor não entrar. Eu continuo a dizer que a Sul-Americana é o lixo do lixo.

Faixas

O Barro Preto amanheceu ontem com várias faixas de protesto contra a diretoria. Não me interessa quem são os nomes que lá estão, o que importa dizer é que as denúncias, graves e sérias, que se tornaram públicas no Fantástico, da Rede Globo, e que serviram para abrir uma investigação policial, não podem cair no vazio. Eu já disse que o ideal seria todos os diretores se afastarem para se defenderem fora do cargo. Seria melhor até para eles. Há faixas de protesto também contra jogadores, que ganham fortunas mensais e não justificam o investimento do clube. O torcedor sabe quem são eles e quer uma satisfação do clube. É preciso passar o Cruzeiro a limpo para que o clube viva sua vida normal, sem denúncias e sem frequentar as páginas policiais. E vale lembrar que o empréstimo aprovado pelo Conselho melou, pois os investidores recuaram quando viram que a diretoria está sendo acusada de lavagem de dinheiro e corrupção. A dívida só cresce e, neste momento, é impagável!


Publicidade