Publicidade

Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Erro de avaliação custou três pontos irrecuperáveis ao Atlético

Em caso de desclassificação na Sul-Americana, o Galo vai sentir falta dos pontos perdidos para o Bahia e se arrepender de ter jogado com o time reserva no Brasileiro


postado em 26/08/2019 04:00

Com os reservas e comandando por Luan, o Atlético perdeu para o Bahia no Independência e esses pontos podem fazer falta no final do campeonato(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Com os reservas e comandando por Luan, o Atlético perdeu para o Bahia no Independência e esses pontos podem fazer falta no final do campeonato (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
 

O Atlético ganhou duas Copas Sul-Americanas, antiga Conmebol, e as jogou no lixo. Nunca as valorizou. Ano passado, de forma sábia, na minha visão, o presidente do clube desdenhou da competição quando o Galo foi eliminado. Concordei com ele, pois acho a Sul-Americana o lixo do lixo, a segunda divisão da Libertadores. De repente, nesta temporada, transformou-se na “menina dos olhos” da diretoria, a ponto de o técnico Rodrigo Santana colocar equipe reserva para jogar contra o Bahia, pelo Brasileirão, tomando o primeiro sacode no Horto. Um erro que vai custar caro ao Galo, pois são três pontos perdidos e irrecuperáveis. O Atlético, até de forma surpreendente, está entre os primeiros na tabela desde o começo da competição, mas abre mão de vencer, pondo uma equipe péssima em campo, desrespeitando os 22 mil torcedores que foram ao Independência na manhã de sábado. O Atlético não deveria ter poupado ninguém. Deveria ter entrado com força máxima, garantido mais uma vitória e seguido para seu compromisso pela Sul-Americana, tranquilo. O jogo foi sábado e até amanhã, data da partida com La Equidad, teria tempo para recuperação dos atletas.


Ora bolas, os jogadores ganham fortunas e têm que jogar, pelo menos, duas vezes por semana. Na Europa, vejo as principais equipes com sua força máxima em todos os jogos. Nos campeonatos nacionais, nas copas internas e na Champions League ou Europe League. No Brasil, os caras são cheios de “não me toque” e querem jogar apenas uma vez, semanalmente. Praticam futebol de quinta categoria, ganham salários de primeira grandeza e, ainda assim, querem ser poupados. Se o Galo for eliminado amanhã, pois ao time da casa basta uma vitória simples, só terá o Brasileirão para disputar, aí vai se lembrar que perdeu três pontos para o Bahia, equipe que vai figurar na competição. São erros de avaliação que deixam o torcedor furioso. Recebi centenas de e-mails protestando contra a decisão tomada no sábado. O torcedor não é bobo. Pagou para ver lebre e recebeu gato. Um time reserva que mais parece um filme de terror, comandado pelo fraquíssimo Luan. Alguns torcedores me perguntam o motivo de eu não gostar do futebol desse jogador. É simples: um cara que ficou boa parte de sua trajetória no Galo no DM. Um cara que roda o campo todo, como barata tonta, e só dá passes para trás. Um cara que dá carrinho para fazer média com a torcida, com a bola saindo pela lateral, não pode vestir a camisa alvinegra. Ainda bem que o técnico e os torcedores já enxergaram isso. E, diga-se de passagem, critico o jogador, pois a pessoa, jamais. Não conheço e nem quero conhecer.


 O Atlético deve repensar sua história e valorizar o Brasileirão. Não ganha a competição desde 1971, quando a competição foi instituída, e foi o primeiro campeão. De lá para cá, colecionou insucessos, alguns por culpa de árbitros venais, outros por incompetência mesmo. Não fosse ter surgido o maior e mais vencedor presidente da história do clube, Alexandre Kalil, e o torcedor jovem não saberia o que é comemorar um título. Kalil ganhou logo três de uma vez: Libertadores, Copa do Brasil e Recopa, tendo como amuleto o Estádio Independência, que a diretoria refutou na Libertadores e, quando a equipe foi eliminada, voltou correndo para o caldeirão. Até que o estádio fique pronto – parece-me que as obras vão começar em outubro –, o Galo deve mandar seus jogos no Horto, pois ali ele conseguiu os títulos mais importantes de sua história. São apenas 22 mil lugares, mas o novo estádio terá capacidade para 45 mil espectadores, o dobro. Ainda assim, 8 milhões de torcedores ficarão de fora, assistindo pela TV. Portanto, não existe estádio que comporte os milhões de torcedores de um clube. Jogar no Mineirão para o Atlético é suicídio.


Esse Rodrigo Santana me parece um bom treinador, um cara polido, educado e conhecedor de futebol. Torço pelo sucesso dele, mas, em determinados momentos, precisa ter mais personalidade.

Não se curvar a decisões equivocadas como a de colocar time reserva contra o Bahia. Claro que a decisão não foi só dele, e sim da cúpula que comanda o clube. No caso de sábado, foi, e isso vai custar ao Atlético muita coisa lá na frente. Santana é novo e ainda vai se firmar no cenário nacional. Eu gosto muito do trabalho dele, pois está tirando água de pedra, com um grupo ruim, mas bem treinado e sempre entre os primeiros colocados da competição por pontos corridos. E, nesse tipo de campeonato, cada jogo é uma decisão. Mesmo que ele o Galo ganhem do Bahia, em Salvador, no returno, os pontos perdidos em casa são irrecuperáveis, pois o Bahia, ao que me parece, não vai brigar pela taça, e o Galo, teoricamente, sim. Teoricamente, porque quando o campeonato começou, ninguém o apontava como favorito ao título.  Não acredito em taça, mas pode pintar uma Libertadores novamente. Por isso, as decisões não devem ser desprezadas com times reservas, ainda mais para quem tem um grupo na conta do chá.


Publicidade