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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Retrancada e eliminado. A bola pune!

Abrir mão de atacar, em casa, atuar com três volantes em boa parte do jogo, não poderia mesmo dar em outra coisa


postado em 31/07/2019 04:00



Uma folha salarial de R$ 20 milhões. Contratações e mais contratações para um técnico que privilegia a defesa, a retranca, abrindo mão de atacar, de jogar futebol. A bola pune. E ontem acabou punindo o Cruzeiro, depois de 0 a 0 nos 180 minutos, na Argentina e no Mineirão. Nas penalidades, o River Plate foi competente e acabou se classificando, vencendo por 4 a 2. Henrique e David desperdiçaram suas cobranças. O sonho do tri da Libertadores virou pesadelo.

Um clube com dívida de R$ 500 milhões, com seus dirigentes investigados e sob suspeita de corrupção. Os jovens, aqueles que querem vencer a qualquer preço, sentiram que quando se pega um adversário mais qualificado a derrota acontece. Abrir mão de atacar, em casa, atuar com três volantes em boa parte do jogo, não poderia mesmo dar em outra coisa. River nas quartas. Cruzeiro, que está próximo da lanterna no Brasileiro, eliminado. Resta a Copa do Brasil, pois o Brasileirão também já era. Uma pena que um time que gastou tanto, mas que em nenhum momento privilegiou a arte, o drible o gol, esteja fora da principal disputa da América do Sul. É preciso que o técnico Mano Menezes repense seu trabalho e sua filosofia de jogo. Desse jeito, não dá mais.

O técnico joga em casa e entra com três volantes: Henrique, Romero e Ariel Cabral. Só isso já chamou o River para o campo do Cruzeiro, e o time argentino dominou as ações. É bem verdade que num contra-ataque, Pedro Rocha chutou, Armani defendeu e a bola explodiu no travessão. Foi só. Egídio fazia péssima partida, errando passes e comprometendo a defesa azul, mas quem tem Fábio tem tudo.

O River dominava, mas também não era tão efetivo no ataque. Tocava bola de um lado para o outro, explorava os avanços do excelente lateral Orejuela, mas sem muita precisão. Lucas Pratto não viu a cor da bola, marcado pelo monstro Dedé. O Cruzeiro empolgava a torcida quando saía em velocidade, mas, normalmente, a defesa argentina afastava qualquer perigo. O 0 a 0 acabou sendo justo pela falta de iniciativa do Cruzeiro e pelos diminutos chutes do River Plate. Esse resultado levava a decisão para as penalidades. O torcedor chegou a perguntar se Mano entrou para empatar sem gols e levar a decisão para as penalidades. Não posso acreditar nisso!

Veio o segundo tempo e Mano voltou com os três volantes. Que coisa!!! Vai ser retranqueiro assim lá na China! O Cruzeiro voltou um pouco melhor, porém, só cresceu mesmo quando o técnico corrigiu a escalação e pôs Robinho na vaga de Ariel Cabral. O River caiu de produção e a partida era muito igual. Não houve um grande lance que pudesse ser destacado, mas, para fazer justiça, o Cruzeiro esteve um pouco mais perto do gol. Orejuela é um belo lateral e, pelo seu lado, o time azul criou as melhores situações.

É bem verdade que o River também explorava as costas dele. Os técnicos tinham suas estratégias. As alterações foram acontecendo. Mano pôs Fred em campo. Um jogador que não marca há 14 jogos. Impressionante. O tempo passou e a decisão da vaga ficou para as penalidades. Pra mim, pênalti não é loteria e sim competência. Imagino que os dois técnicos adotaram cobranças nos treinamentos. Pelo jeito, o Cruzeiro não treinou. Henrique e David perderam suas cobranças. O River acertou quatro e não precisou bater a última.

O Cruzeiro e a retranca de Mano eliminados. Quem tem medo de perder, perde a vontade de ganhar. Os times de Mano Menezes são assim. Jogam por uma bola e, quando essa bola não vem, o resultado é este. Uma folha de R$ 20 milhões mensais, R$ 500 milhões de dívidas e uma eliminação nas oitavas de final da Libertadores. Os que gostam de retranca e que querem ganhar a qualquer preço uma hora são castigados. E o castigo aconteceu num Mineirão lotado e decepcionado. O sonho do tri acabou!


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