Publicidade

Estado de Minas

Henrique Portugal: O corona está digitalizando o mundo

O ser humano e sua capacidade de reinvenção está dando mostras que a adversidade é uma grande oportunidade


postado em 04/04/2020 04:00 / atualizado em 04/04/2020 01:31

O aplicativo Zoom tem permitido às pessoas se comunicarem em grupo para troca de informações e reuniões de trabalho(foto: Olivier Douliery/AFP)
O aplicativo Zoom tem permitido às pessoas se comunicarem em grupo para troca de informações e reuniões de trabalho (foto: Olivier Douliery/AFP)

 

 Na minha última coluna, escrevi que o mundo não seria o mesmo depois do coronavírus. Meu amigo Leonardo Bortolleto completou que passaremos por um processo de digitalização maior do que o ocorrido nos últimos cinco anos. Traduzindo, estamos aprendendo rapidamente a utilizar várias ferramentas digitais para diminuir o nosso isolamento e encontrar soluções empresariais. As pessoas estão utilizando aplicativos de que elas nem sequer sabiam o nome e em poucos dias se tornaram especialistas. Minha irmã está dando aulas em Eunápolis (BA) utilizando Hangouts Meet. Minha mulher, que é advogada,  veio me perguntar se eu uso o Zoom.

 

O que está acontecendo com o coronavírus me lembra os roteiros dos filmes do espião James Bond, em que um vilão cria uma arma biologica que será disseminada pelo mundo onde somente ele teria o antídoto. Por enquanto, o vilão ainda não se apresentou e estamos colocando a culpa nas sopas de morcego.

 

Como estamos em confinamento domiciliar, a moda é fazer transmissões ao vivo através das redes sociais. O Instagram se transformou numa TV a cabo com programação variada. Já vi live do jogador Kaká com o Padre Fabio de Melo, aula de ginástica do “O seu personal”, leitura de poesia do Antônio Fagundes, show do Leoni, Leo Jaime e Elton John. A internet está suportando este uso intenso melhor do que imaginava.

 

O ser humano e sua capacidade de reinvenção estão dando mostras de que a adversidade é uma grande oportunidade. Eu costumo chamar este tipo de situação de “síndrome da geladeira”. Ao perceber que precisamos ter atitude para manter a nossa geladeira cheia, tiramos a criatividade do armário, a preguiça desaparece e as dificuldades se tornam pequenas e de fácil solução.

 

Muitos encontros que antes eram presenciais se tornarão virtuais. Muitas empresas que não ofereciam e-commerce estão atualizando seus sistemas. Muitas pessoas que tinham medo de fazer compras on-line estão experimentando. Até as sessões do plenário da Assembleia Legislativa estão sendo realizadas via videoconferência.

 

O meio artístico está sofrendo bastante, pois vivemos de apresentações ao vivo que envolvem um volume grande de pessoas. A volta ao normal na nossa área será lenta e gradual. Em Belo Horizonte, foi lançada a campanha @salveaGraxaBH buscando donativos e cestas básicas para os profissionais das equipes técnicas dos artistas de nossa capital.

 

A melhor frase que escutei até agora foi do governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo: “Estamos ansiosos, cansados, e gostaríamos muito de saber quando isso vai acabar. Mas não sabemos”. Acho que daqui a 15 dias ainda estaremos reclusos, mas bem mais próximos de voltar à vida normal. Cuidem-se, pensem coletivamente e aprendam a utilizar as ferramentas.


*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade