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Pioneira no país, Academia Marianense de Bordados anuncia planos para 2023

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Duas academias de Mariana – a de Letras e a de Bordados, única no Brasil – começam o ano cheias de planos. O destaque vai para as exposições “Mulheres negras de domínio popular em Mariana” e “Sentimentos em fios e Procissão das Almas (bordando alegorias da Procissão)”, que serão realizadas pela Academia Marianense de Bordados.




 
Oficinas de poesia serão ministradas a agentes penitenciários, educadores e nas Apacs por meio do projeto Nas Sendas das Aldravias, de poetas do Movimento de Arte Aldra- vista, em parceria com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado de Minas Gerais. 
 
Andreia Donadon Leal, idealizadora da Academia Marianense de Bordados, e Raimunda dos Anjos, presidente da instituição, falam à coluna Hit sobre os planos para 2023.
 
Qual é a função social e cultural do bordado?
Andreia Donadon – A função elementar do bordado é agregar em torno de uma criação, normalmente compartilhada, em que pessoas desenham e bordam. O bordado registra paisagens, o saber popular, o conhecimento, a união, o sentimento de pertencimento, a criatividade, os laços afetivos, as pessoas e eventos que marcam a história cultural de uma sociedade.

Desde sua posse, em 2022, como presidente da Academia Marianense de Bordados, a primeira do Brasil, quais ações foram propostas?
Raimunda dos Anjos – Realizamos sessão solene que empossou 22 bordadeiras da cidade e da região. Criamos o Instagram da academia. Participamos de feiras de artesanato em Belo Horizonte, Ouro Preto e Mariana, como a Feira Nacional de Artesanato, Festival Mariana Quilt, Bordado na Semana do Aleijadinho. Ministramos as seguintes oficinas, na Casa de Cultura e em outros espaços: Bordando a poesia aldravista, Bordadoria de presépios, História entre linhas e Bordados em escolas da rede pública e particular de ensino. Nosso objetivo é desenvolver atividades socioeducacionais e culturais. Participamos de palestras, lançamentos de livros e exposições, além de tertúlias de outras associações culturais e acadêmicas.





Qual é a importância do coletivo de bordadeiras de Mariana?
RA – O coletivo produz bazares, exposições periódicas que ajudam a economia das famílias envolvidas nas atividades. A venda de produtos pode ocorrer e até impulsionar a criação de um negócio, isto é, de uma atividade comercial. Mas o que de fato ocorre no grupo é o prazer dos encontros, a troca de experiências, o compartilhamento de histórias de pessoas e de fatos locais. O coletivo serve, ainda, como atividade terapêutica, em que o sentimento de se sentir acolhido é marcado nos trabalhos de cada participante, que mantém sua identidade. Ao mesmo tempo, há a oferta de produtos diversos, potencializando o comércio cultural.
 
Trabalho das bordadeiras marianenses (foto: Instagram/reprodução)
 

A academia de bordados nasceu por influência da Academia Marianense de Letras. Como as duas se relacionam?
AD – A Academia Marianense de Letras tem órgãos associados, tais como Movimento Renovador de Mariana, Coral Madrigal, Grupo Musical Uns e Outros e Escola de Violão. A criação da academia de bordados surgiu naturalmente pelo fato de o Movimento Renovador de Mariana, há muito tempo, reunir bordadeiras da cidade, mantendo contato com outras associações. Percebendo isso, sugeri a criação de uma academia que reunisse artesãs e possibilitasse a reflexão sobre a importância cultural do bordado como patrimônio cultural de Mariana. A Academia Marianense de Letras, Ciências e Artes oferece o seu espaço para a realização das atividades da academia de bordados, apoiando também a divulgação de seus produtos.

Este mês, será lançado o projeto sobre mulheres negras de Mariana. Qual é o objetivo desta iniciativa?
RA – A exposição “Mulheres negras de domínio popular em Mariana” vai de 14 de janeiro a 20 de fevereiro, na Casa de Cultura de Mariana, das 9h às 17h. O objetivo é homenagear mulheres negras que tiveram protagonismo na cidade, como benzedeiras, políticas, carnavalescas e garimpeiras, entre outras. A partir de memórias fotográficas ou relatos, vamos bordar rostos e cenas culturais em que elas  atuaram. Uma senhora negra importante para a cultura popular da cidade foi a saudosa Altamira. Garimpeira e benzedeira, ela marcou a história do nosso carnaval ao tourear o boi na frente do Zé Pereira da Chácara. Outra personalidade é a ativista Aida Anacleto, representante do Movimento Negro e da luta pela garantia da igualdade racial.
 
Como a senhora vê o futuro do bordado no Brasil?
RA – O bordado é legado cultural. Sua permanência está garantida, uma vez que a consciência da preservação é valorizada pela educação contemporânea. Vislumbro, ainda, a criação de academias de bordados no Brasil, tendo em vista o reconhecimento do valor estético do bordado como arte, educação, artesanato e, até mesmo, atividade terapêutica.