Jornal Estado de Minas

MEMÓRIAS DA BALADA

Ex-BBB tenta entrar de graça em casa noturna de BH e fica no ''carão''

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Túlio Borges
Empresário

Muita gente acredita que ser dono de clube se resume a abrir o espaço, contratar funcionários, fazer as compras, bolar uma programação e curtir com os amigos. Mas essa é a parte fácil, apenas a ponta de um trabalho que, muito mais que burocrático (no escritório) ou divertido e agitado (na pista), é humano, acima de tudo. São as relações que criamos com os clientes, com os artistas e com funcionários que acabam definindo a casa, dando o tom do entretenimento que se vai proporcionar. E isso vai se tornando cada vez mais verdade a cada ano que avançamos, vencendo obstáculos, construindo novas conexões e reforçando as antigas.





É o caso da DDuck, que completou 10 anos em pleno lockdown devido à pandemia da COVID-19, e agora segue para seu 12º aniversário, em 2022. Se incluir aí o tempo em que a Mary In Hell ficou aberta –  clubinho inaugurado pelos mesmos sócios em 2006, que serviu de embrião para a DDuck –, já se vão mais de 15 anos de contato direto com o público, conhecendo pessoas de todos os tipos imagináveis, ouvindo e presenciando histórias, fazendo parte delas.

Vale citar, por exemplo, a vez em que recebemos o e-mail enorme de um cliente que foi à casa pela primeira vez naquele fim de semana. Emocionado, ele dizia que passou a vida meio sem lugar, sem sensação de pertencimento, sentindo-se diferente das outras pessoas, e nunca tinha entendido o motivo. Somente ali, na boate, graças ao ambiente de liberdade para ser o que quisesse proporcionado pela casa, ele entendeu: era gay. O tom da mensagem, que terminei de ler com lágrimas nos olhos, era de alegria e agradecimento pela descoberta.

Aliás, outra coisa que deixa a gente muito feliz é a quantidade de casais formados na balada e que permanecem unidos, a começar por mim. Fiquei pela primeira vez com a minha esposa na pista da Mary In Hell!

Certa vez, na ocasião do aniversário de 9 anos da DDuck (que comemoramos com um festão no Automóvel Clube), pedi aos clientes em uma rede social para nos indicar casais que se conheceram na nossa pista. A despeito do cinismo de mensagens que diziam que “boate não é lugar de achar namoradx”, fomos inundados com respostas de casais formados no clube, além de histórias maravilhosas deles na DDuck.





Uma coisa que marca muito quem vai à DDuck é a forma como tratamos todos de forma igual. Sem camarote ou área VIP, já tivemos visitas de celebridades, jogadores de futebol, ex-participantes de reality shows e até Miss Brasil. Naquele ambiente, enxergamos todos como clientes que estão ali para se divertir, não há tratamento diferenciado.

Foi assim com certa ex-BBB, que, chegando na portaria, perguntou à segurança: “Eu entro de graça?”. Ao que a funcionária respondeu: “Não, a entrada custa R$ 20”. A moça insistiu: “Não está me reconhecendo? Sou a fulana, do 'BBB'”. E ouviu: “Que legal! Então, fulana, a entrada hoje está a R$ 20”.

É característica da casa agradar a todos os públicos, independentemente de gosto musical. O famoso Baile Funk da DDuck, por exemplo, que acontece desde 2011 em plena segunda-feira, traz tanta diversão pro início da semana que atrai frequentadores mais improváveis. Como o trio de amigas minhas, frequentadoras exclusivamente de casas de rock, que após uma noitada no Baile me mandaram a seguinte mensagem: “Túlio, o Baile Funk da DDuck é a festa mais PUNK que a gente já foi. Parabéns.”

Em quase 12 anos, infinitas histórias se conectam, fazendo parte da construção do que é hoje a DDuck, casa cujo principal objetivo é a diversão sem limites. Um clube pequeno e despretensioso, mas que a cada dia conquista mais frequentadores fiéis por conta de sua proposta simples: aqui você vem para se jogar como se ninguém estivesse olhando e como se não houvesse amanhã.

A SEÇÃO “EMBALOS DE SÁBADO À NOITE” CONTA A HISTÓRIA DA VIDA NOTURNA DE BELO HORIZONTE, QUE, ANTES DA PANDEMIA, DEU O QUE FALAR




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