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Estado de Minas coluna hit

Sobre o desafio de tentar se conectar com quem está do outro lado da tela

João Eduardo de Faria Neto conta, na seção Vivendo e Aprendendo da Coluna Hit, como está lidando com a crise sanitária


24/07/2021 04:00

João Eduardo de Faria Neto
Administrador, produtor cultural, músico e um dos fundadores do podcast Música serve pra isso

 
Eu reaprendi várias coisas durante a pandemia; entre elas, eu reaprendi a trabalhar. Usar as plataformas de reuniões virtuais é fácil – o desafio real está em tentar se conectar novamente com as pessoas atrás das telas.

Eu reaprendi o valor da amizade. A saudade que sinto das minhas grandes amizades é um vazio diário, e para esta ausência não tem remédio – e não tem tela nem telefonema que resolva. Eu aguardo e espero, neste tempo dilatado que se formou durante a pandemia, e sonho com o dia de cada reencontro.

Nunca imaginei que eu teria que aprender a lidar com uma emergência sanitária. Aprender procedimentos, higienizações, leituras de boletins epidemiológicos, desinfecções sem fim, tudo isso foi possível – mas não aprendi a ver impassível o desfile das vidas perdidas em uma crônica infindável, diária, angustiante.

Nestes dias do isolamento, reaprendi a conviver com minha mãe e meu pai, e depois de alguns meses de distância, construímos nossos protocolos e conseguimos nos encontrar finalmente. Este foi o aprendizado mais difícil: que é impossível viver sem sua presença, carinho e cuidado.

Dentro de casa, eu aprendi que é possível desacelerar a vida e viver com mais presença ao lado da minha amada esposa e das minhas crianças – ainda tão novas, descobrindo tudo tão rápido, e agora também tão lentamente. Eu aprendi a passar dias inteiros apenas nós quatro, e este foi o aprendizado mais precioso de todos: o tempo de uma criança não volta, e eu ganhei quadros e quadros de câmeras lentas, toda a possibilidade de um convívio que antes não tínhamos. Quantos filmes vimos juntos, quantos projetos inventamos, quantas aulas e brincadeiras, quantos livros nós vivemos, driblando aqueles fins de semana imensos que se abriram na pandemia? Porque antes era tudo tão corrido e fugaz, eu teria perdido esses momentos se não fosse por esta tragédia?

E, finalmente, aprendi que não é possível viver sem a música. Ela sempre esteve em minha vida, mas começou a latejar como uma memória urgente a cada dia que passava. Um dia, abri minhas anotações e lá estava uma dica musical que eu guardara e nunca havia parado para ouvir – e finalmente agora eu podia parar e escutar. Há quanto tempo eu não ouvia um álbum repetidas vezes, decorando as melodias, me encantando com a descoberta de uma nova paixão musical? 

E depois vieram muitos álbuns, e a vontade de falar sobre música só aumentava. Do encontro de duas necessidades, da amizade e da música, surgiu a proposta de falar sobre variados temas musicais, e assim se formou um grupo em torno do projeto de um podcast. Esse grupo era tão parecido com uma banda, com seus horários marcados e ensaios e gravações que, um dia, por meio da mais comum ferramenta virtual, numa conversa de WhatsApp, nós compusemos juntos uma canção. 

E assim eu aprendi que uma vocação verdadeira não se deixa de lado, ela simplesmente adormece até nos reencontrar no momento mais inesperado.

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