Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas HIT

Appa se reinventou durante a pandemia

Presidente da instituição que ficou conhecida depois do incêndio do Palácio das Artes em 1998, Xavier Vieira faz balanço de seus 28 anos de criação 


08/03/2021 04:00 - atualizado 07/03/2021 19:16

(foto: Marden Vinícius/Divulgação)
(foto: Marden Vinícius/Divulgação)

Em meio a uma pandemia, no ano em que comemora 28 anos de fundação, a Appa – Arte e Cultura (Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes) tem, segundo seu presidente, Xavier Vieira, um balanço positivo. "São mais de R$ 150 milhões aplicados na viabilização de mais de 250 projetos. Todos com contas entregues, seguindo princípios da administração pública", garante. 

"Acreditamos que fomos a primeira instituição sem fins lucrativos do setor cultural a implementar um Programa de Integridade, em 2018. Agora, temos clientes na região Norte do país e trabalhamos para consolidar nossa filial em São Paulo", acrescenta

A Appa, organização sem fins lucrativos, ficou conhecida após o incêndio do Palácio das Artes, em 1998, mas, antes da tragédia, a associação atuava junto aos corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado. "Passamos pela reconstrução do Grande Teatro, quando ficamos nacionalmente conhecidos, junto com a retomada da Serraria Souza Pinto. Isso possibilitou novas parcerias, grandes óperas, festivais culturais, projetos histórico-patrimoniais e grandes espetáculos", diz Xavier.

Ele reconhece que a evolução da Appa passou pela gestão de diversos mecanismos de fomento, como leis de incentivo, termos de parceria, termos de ajustamento de conduta, contrato de gestão, patrocínios diretos, produção de eventos, entre outros. “Além disso, a Appa atualmente atende a uma gama de parceiros públicos e privados. A versatilidade é um dos princípios da organização, e a busca por soluções para nossos parceiros nos destaca no mercado.”

Sobre as lições que a pandemia está nos ensinando, o presidente destaca o fato de que as empresas têm papel protagonista na reorientação da produção e do consumo; o lucro não será mais sua única finalidade, acima de todas as demais, e as pessoas são o mais importante, sempre. 

Mas é para o futuro das novas gerações que Xavier Vieira faz um alerta: "Nossas crianças herdarão injustamente um mundo em colapso e pagarão por nossos erros".  Cita um trecho de “Raízes”, de Renato Teixeira, que, segundo ele, é tradução do momento atual. “Amanhecer é uma lição do Universo / Que nos ensina que é preciso renascer / O novo, amanhece!”.

O que é e qual a importância da Appa?
A Appa é uma organização sem fins lucrativos que tem como propósito proporcionar a evolução social por meio do fomento à arte, cultura, economia da cultura e sua extensa cadeia produtiva. Na prática, captamos recursos públicos e privados e os investimos em ações culturais, gerando negócios e executando políticas públicas nesse setor. Contribuímos diretamente para a formação de artistas e profissionais do setor artístico, bem como para a difusão, produção e promoção cultural. Temos diversos projetos realizados para manutenção do patrimônio material e imaterial e preservação da memória. Os investimentos captados e reinvestidos pela Appa viabilizaram empregos diretos e indiretos anualmente.
 
Como o senhor vê a atuação da Appa em 2021, com a pandemia mudando modos e costumes?
Primeiramente, é preciso registrar a nossa solidariedade aos artistas, instituições e espaços que têm sido dramaticamente impactados pela pandemia do novo coronavírus. A Appa se reinventou durante a pandemia e está totalmente adaptada à realidade híbrida, considerando os ambientes físico e digital. As mudanças do mundo não são apenas desafiadoras, mas também oportunidades de negócios, com a abertura de novos nichos de mercados e até pouco tempo atrás, saturados. A Appa enxerga essas oportunidades e busca se posicionar estrategicamente, dentro de nosso propósito de atuação.

 Que efeitos a pandemia trouxe para a Appa? Quais os desafios?
A Appa obteve grande evolução em posicionamento estratégico, networking, captação de recursos, gestão de pessoas e tecnologia. Passamos a enxergar, além das potencialidades, as vulnerabilidades de cada colaborador, parceiro, patrocinador, público-alvo e pudemos nos colocar e desenvolver enquanto parte estratégica da solução para esses stakeholders. Isso agregou valor às nossas entregas. Entre os principais desafios, destaco a volatilidade emocional generalizada, a partidarização de questões humanísticas, comportamentais, culturais e sociais e, principalmente, a onda de desesperança que nos assola enquanto sociedade.

 Como é garantir o fomento da cultura em Minas e no país em período econômico difícil?
Com certeza, é desafiador e emocionalmente extenuante. Definimos, no início da pandemia, a criação do Comitê de Crise, com prioridade em três pilares estratégicos: cuidado com a saúde das pessoas, seja física, mental ou emocional; manutenção do caixa e das fontes de receita; manutenção dos relacionamentos estratégicos. Além disso, buscamos diversificar as fontes de receitas, explorar as potencialidades do meio digital e expandir a fronteira geográfica de atuação da Appa. Deu certo! Há, diariamente, grandes desafios, mas estamos nos trilhos, com atenção, serenidade e ousadia.

A Appa participou de projetos como a Mostra de Cinema de Tiradentes, que este ano foi on-line. Que avaliação o senhor faz desse modelo? Acredita que ano que vem voltaremos ao presencial?
O modelo impõe diversas limitações à experiência do público. Alguns segmentos podem se adaptar com facilidade, como o audiovisual, por exemplo. Em um contexto mais amplo, o digital traz novos mercados e oportunidades, mas não substitui os formatos tradicionais, os presenciais. Acredito que, com a vacinação massiva, as produções artísticas oferecerão o que tem sido chamado de realidade figital (física + digital). Por fim, acredito que voltaremos gradativamente ao presencial, em um processo que tende a ser longo no Brasil, mas não tenho suposições de datas.
 
Como gestor, que lição o senhor tira da pandemia (até aqui)?
A pandemia nos impôs uma autoavaliação crítica a respeito de nossos valores, comportamentos, objetivos e sonhos. Esse contexto nos tirou o senso de controle individual e reafirmou as necessidades coletivas e planetárias. Colocou todos num lugar-comum de recomeço, reinvenção, readaptação. Com a fusão da vida e trabalho, essas questões permearam profundamente a gestão da Appa. Assim, temos a cada dia uma organização mais humana, enxuta, ágil, alinhada aos anseios sociais de integridade, transparência, excelência e impacto positivo.

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade