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Que reflexões a pandemia vai oferecer aos pesquisadores nos próximos anos?

A pergunta é da cantora Regina Souza, que não para de pensar sobre o que dirão filósofos, sociólogos, antropólogos, economistas, ambientalistas e historiadores


27/02/2021 04:00

Regina Souza
Cantora e atriz
 
José Saramago, no livro “As intermitências da morte”, conta a história de uma cidade onde as pessoas param de morrer. “Esse acontecimento transforma a cidade num enorme caos econômico, político, social, psicológico. É natural, o costume é morrer, e morrer só se torna alarmante quando as mortes se multiplicam, uma guerra, uma epidemia, por exemplo. Isso é, quando saem da rotina.”

Esse trecho do livro me levou a várias reflexões, pois a pandemia que estamos vivendo hoje é um desses momentos em que o viver e o morrer saíram da rotina. Milhões de mortes no mundo, milhares de mortes em um único dia.

O vírus tem mostrado um lado muito mais perverso da humanidade, na forma como os poderes públicos, a sociedade e cada indivíduo se comportam diante dele. E fico me perguntando como estará o mundo daqui a 100 ou 200 anos. Quais serão as reflexões dos filósofos, sociólogos, antropólogos, economistas, ambientalistas, historiadores? Tenho pensado nisso desde que começou a pandemia. Porque os reflexos do que estamos vivendo hoje serão realmente percebidos daqui a muito tempo. Tanto individuais quanto coletivos.

"Estamos a destruir o planeta, e o egoísmo de cada geração não se preocupa em perguntar como é que vão viver os que virão depois. A única coisa que importa é o triunfo do agora. É a isso que eu chamo a cegueira da razão.” Não resisto em citar novamente Saramago. Porque essa cegueira parece se alastrar em todos os setores da sociedade.

O ser humano foi e é capaz de grandes invenções e descobertas, científicas e tecnológicas, mas, em relação às questões éticas e humanitárias, já poderíamos estar em outro patamar. Precisamos, como seres coletivos, pensar na erradicação da fome e da miséria, no convívio não predatório com o meio ambiente, na recuperação de áreas devastadas da natureza, na pesquisa de novos modelos econômicos possíveis, tendo como objetivo uma sociedade justa e igualitária.

São questionamentos que tenho feito na pandemia. Há dias de profunda indignação, ao ver como os governantes eleitos se comportam diante da urgência de políticas públicas eficientes. Como e por que chegamos a esse ponto? Nós, brasileiros, e o mundo. Essa mentalidade capitalista que veio enredando a mente e o coração das pessoas. Algo dentro de nós carece de uma profunda mudança.

Tive a oportunidade de atuar numa produção mineira do musical “Os saltimbancos”, dirigida por Carlos Gradim. Fico pensando quão forte é a letra da final, que diz que "todos juntos somos fortes, somos flecha e somos arco, todos nós no mesmo barco, não há nada pra temer, ao meu lado há um amigo que é preciso proteger.”

A pandemia tem me ensinado muito sobre isso. Percebo que não se trata só do eu, só de como eu me sinto, mas de nós. E como nós estamos comprometidos em nos proteger, não só como seres individuais, mas como humanidade.

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