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Estado de Minas COLUNA HIT

DJ conta como está encarando o isolamento social em BH

Rodolfo Brito é um dos últimos autores do Diário da quarentena, cuja edição especial de encerramento será publicada na próxima segunda-feira, dia 12


09/10/2020 04:00

Antes de o mundo parar, o ano começou bem. No início de fevereiro, eu voltava de férias do Norte da Itália, na fronteira com a Suíça. Assim que cheguei, só se falava dessa doença nova, que, a princípio, até parecia ser algo distante.

Um mês depois, eu estava em São Paulo para uma grande feira de arquitetura, aproveitando para um tour a museus e restaurantes. Cheguei na sexta a BH, no sábado fui tocar em uma festa à tarde, muito legal e com amigos queridos. Na terça-feira seguinte, finalizei minha parte na obra em que estava trabalhando. Na quarta, foi declarada a quarentena em BH.

Pronto, poderia dizer que o ano terminou aí, mas mal sabia que era o começo de um novo mundo.

Pouco depois, o resultado foi claro. Numa consulta on-line, a médica me diagnosticou como positivo para a COVID-19, mas disse que não havia exames no Brasil para eu fazer. Até que procurei, mas realmente não achei. Fiquei com a incerteza e, por garantia, três semanas dentro de casa sem ver ninguém.

Como sempre trabalhei muito em casa, aquilo não foi difícil. Conciliando a vida corrida como DJ à de quem está estudando novamente e já trabalhando com arquitetura, isso tudo caiu como um tipo de férias de que eu estava precisando.

Depois de um mês com aulas on-line, nova rotina, sem academia, sem restaurantes e, principalmente, sem trabalhar, já não aguentava mais aquilo. O meu trabalho é muito prazeroso e gratificante, pois tenho uma troca de energias com o público em tempo real, algo que live nenhuma poderia suprir.

Tentei romantizar, ver o lado bom, aproveitar para fazer aquelas coisas em casa que postergava há tempos. Fiz muitas playlists, foi muito legal ver tanta gente as ouvindo. Li muito, pintei, assisti a séries, dediquei-me mais aos estudos, cozinhei demais, comprei o remo que virou adorno na minha sala, tentei ao máximo buscar prazer nas coisas pequenas do dia a dia.

Afinal, não surtar era uma questão de sobrevivência!

Com o passar dos meses, era claro como ninguém nada sabia sobre essa doença nova e que a perspectiva de vitória estava muito distante. Todas as baladas foram fechadas ou canceladas, as festas particulares adiadas. O setor de eventos é o mais atingido, mas me senti querido e especial ao ver como a maioria dos clientes fez questão de reagendar suas festas de forma que eu continuasse sendo o DJ!

E já que o mundo parou, por que não parar um pouco também para apreciá-lo? Brinquei que meu 2020 seria um ano sabático, e o fiz ser assim!

Existe poesia na pandemia, ou seria isso utopia?

Vi as pessoas dedicando mais tempo para si próprias, um contato com a natureza como nunca, os mirantes lotados com novos amantes do pôr do sol. Foi preciso que o homem perdesse a liberdade para valorizar momentos simples da vida, ver que não precisa de tanto. Já dizia a raposa, o essencial é invisível aos olhos!

Acredito que muitas coisas boas deste novo mundo permanecerão, torço para isso! Por mais que seja tudo incerto, vimos o quanto somos insignificantes, mas que, definitivamente, somos seres que precisam uns dos outros, do contato, da troca. E, a passos delicados, vamos voltando à vida. Em breve, voltaremos a celebrar juntos!

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