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Estado de Minas COLUNA HIT

Meus dias de raiva, desespero, culpa e remorso

No 'Diário da quarentena', o cantor Lucas Pretti conta como enfrenta os desafios impostos pelo confinamento social


09/08/2020 04:00

Lucas Pretti
cantor

Nos primeiros dias, senti raiva.

Sou um menino de 18 anos que teve a juventude interrompida de um dia para o outro sem aviso prévio. Isso não poderia acontecer aos 50 anos, quando já tivesse vivido bastante e quisesse ficar em casa pra relaxar? Estava revoltado com o vírus por atrapalhar a minha vida, era só nisso que pensava.

Acho que os três primeiros dias de quarentena foram os mais egocêntricos da minha vida – talvez por isso, logo chegou a grande e famosa culpa pra me preencher.

Aqui estava eu, reclamando de uma pandemia que não tirou meu emprego e (graças a Deus) não levou ninguém da minha vida. Talvez tenha ouvido muitos anúncios de aeromoça falando para colocar a máscara em mim antes de ajudar o outro, na hora do desespero deixei a empatia guardada no bagageiro.

Depois da culpa veio o remorso.

Remorso por não ter aproveitado meus dias na escola, não ter abraçado minha avó enquanto eu podia, não ter aproveitado cada segundo da minha vida descomplicada no mundo 
pré-COVID-19.

Quando vi, um mês já havia se passado e eu havia criado uma nova rotina de quarentena, que me deu o conforto e a segurança de que precisava para seguir em frente. Ocupava-me diariamente com as atividades que fazia antes, adaptando-as para o isolamento social.

A verdade é que ficar à toa me apavorava. Tinha certeza de que assim que passasse mais de dois dias sem “fazer nada”, ia surtar. Então, comecei a me ocupar com coisas que não fazia há anos.

Cozinhei pão, carne, macarrão, bolos, biscoitos...

Fui no armário de jogos que tinha quando era criança, levei todos eles à sala para jogar com meus pais. Passávamos horas brincando de Detetive, Jogo da Vida e até montando 
quebra-cabeças.

Assisti a 17 dos 32 filmes da minha lista. Dei uma chance a todas as séries que meus amigos indicaram e descartei.

Também aproveitei para trabalhar. Terminei de escrever todas as faixas do meu EP, que sai este ano, e ainda me propus a aprender a mexer no Logic, aquele programa de mixagem de música. Na verdade, não tinha muito o que fazer a não ser seguir em frente.

Como seres humanos, nós precisamos uns dos outros – do carinho, do afeto, da atenção –, mas também precisamos ser inteiros e autossuficientes. A maior descoberta que fiz durante estes meses foi dentro de mim: o meu caráter, as minhas prioridades, os meus princípios.

Aprendi a fazer o pão de queijo do Leo Paixão? Sim.

Mas também aprendi a me manter em minha própria companhia, a não ficar sozinho quando estou só. Percebi que ter amigos é a segunda melhor coisa do mundo… A primeira é ser amigo de si próprio.

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