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Estado de Minas COLUNA HIT

Gêmeas enfrentam a pandemia, a morte do avô e a tragédia da Vale

Moradoras de Brumadinho, Luana Eloiza e Laura Maria Pereira Castilho revelam seu dia a dia no 'Diário da quarentena'


07/08/2020 04:00

Meu nome é Luana Eloiza Pereira Castilho, tenho 16 anos, moro em Brumadinho, estudo na escola Paulo Neto Alkimim e estou cursando o segundo ano do ensino médio. Farei um relato sobre o que estou sentindo neste momento de isolamento social por conta da pandemia junto com minha irmã Laura Maria.

A minha família se mudou para Brumadinho no ano de 2018 e muitas coisas aconteceram durante esse período em que estamos morando aqui. Somos uma família grande. Tenho mais quatro irmãos: Deivid Augusto, com 18 anos, eu e Laura, com 16, Júnior, com 14, e Sophia, com 13. Minha mãe ficou grávida do Deivid com 15, meu pai tinha 21, e logo em seguida nasceram os outros filhos.

Mudamos para Brumadinho para ajudar minha tia nos cuidados com meu avô, que estava muito doente, e também para ter uma qualidade de vida melhor. Onde morávamos, a escola não era boa e não tínhamos acesso a nada de diversão ou aprendizado. Foi muito bom vir morar aqui, vivemos bons momentos com meu avô e tenho muitas saudades. Ele morreu em março de 2019.

Desde que nos mudamos para Brumadinho, passamos por muitas situações difíceis. Primeiro a tragédia da Vale, que nos deixou muito tristes pelas perdas que muitos dos nossos amigos e colegas tiveram. Logo depois veio a morte do nosso avô, que deixou toda a nossa família muito triste. Ele era muito especial, querido por todos.

O ano de 2020 começou com grandes expectativas para mim e para minha irmã. Afinal, já estamos no segundo ano, ansiosas para iniciar as aulas de violino no Inhotim, fazer o Enem e, quem sabe, conseguir um estágio. No entanto, nem a aulas tivemos direito ainda, a escola entrou em greve no início do ano. Mudamos de escola e também demos início às aulas de cordas no Inhotim, o que nos deixou muito felizes. Mas a alegria durou pouco, infelizmente tivemos apenas uma aula. Veio a pandemia da COVID-19 e tudo parou.

No início, ficamos sem entender. Achávamos que seria rápido e logo tudo voltaria ao normal, mas o tempo foi passando e nada mudou. Sem aula, sem Inhotim, sem os amigos... Todos em casa, eu e meus irmãos, começamos a buscar alternativas para passar o tempo, pois moramos em um sítio a sete quilômetros de Brumadinho e não temos muito o que fazer para nos divertir. Com meus pais trabalhando, eu e a Laura ficamos responsáveis pelos afazeres da casa e começamos a fazer outras coisas (bolos, biscoitos...). Mandamos bem! Estamos cada dia melhores na cozinha.

Este momento está servindo para refletirmos sobre todos os acontecimentos já vividos. Apesar da pouca idade, passamos por muitas coisas e este momento está servindo para pensar no nosso futuro.

A quarentena nos proporcionou novas atividades. Minha irmã Laura começou a se dedicar mais aos estudos, começamos a fazer cursos remotamente, exercícios físicos e também várias receitas, muito boas.

Acredito que tudo isso serviu para aproximar ainda mais a nossa família. Conversamos mais, fazemos as refeições todos juntos, meu pai e minha mãe contam histórias da infância, da vida e sobre a família.

É muito triste ver muitas pessoas morrendo, outras sofrendo por perder familiares e amigos. Mas acredito que tudo isso vai servir também para as pessoas valorizarem mais o ser humano, os sentimentos, a natureza, os animais e suas pequenas conquistas.

Espero que possamos ter uma vida normal de novo, mas que o ser humano se torne melhor diante de tudo que estamos passando. Creio que, para minha geração, este é um período crucial para fazermos as nossas escolhas e definir o que queremos para o nosso futuro e o do nosso país.

Luana Eloiza e Laura Maria Pereira Castilho,
estudantes

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