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Estado de Minas COLUNA HIT

Suely Machado: 'Sou uma sobrevivente deste vírus'

A diretora do grupo 1º Ato teve COVID-19 e perdeu a mãe, vítima da doença. No 'Diário da quarentena', ela conta as lições que aprendeu


06/08/2020 04:00

Diário da quarentena

Sou uma sobrevivente 
deste vírus
 
Suely Machado
coreógrafa
e diretora do 1º Ato

 A China um dia já foi lá... A Europa já foi ali... Os Estados Unidos um pouco mais perto, na América. A África, a Rússia, os Andes, a Antártida. Enfim, tudo o que já foi lá, um dia, hoje é aqui e agora, próximo por um fenômeno que surpreendeu todos e nos fez mais HUMANOS.

O mundo em plena transformação. Vivemos este momento único da história da humanidade. Em pleno século 21, na era digital, globalizada, um vírus faz caírem por terra paradigmas, conceitos, valores e atitudes.

Primeiro o susto, a incredulidade, a desconfiança, o temor, o medo, a angústia destes tempos sombrios em que nosso semelhante passa a ser ameaça, assim como abraçar, beijar, tocar e conviver.

Em seguida, o recolhimento. Não somente no sentido do distanciamento, mas o recolhimento interno, pessoal, para dentro de si e do núcleo familiar, mudando o olhar, a perspectiva e, assim, as descobertas. Sim... Tempo de descobertas, oportunidade de mudanças, desapegos, transformações e evolução.

Não acredito em nada que não seja para evoluirmos, por mais dolorosos que sejam os desafios e as dificuldades a enfrentar.

Sou uma sobrevivente deste vírus e minha mãe, aos 92 anos, não suportou o impacto e nos deixou, virou estrela. Muito tenho para pensar, refletir e evoluir, mas encaro como mais uma oportunidade de evolução, desapego, compreensão da realidade e, principalmente, responsabilidade sobre como vou viver daqui para a frente.

O que farei com o grande legado deixado por meus pais? Que exemplo quero deixar para meus filhos? Que qualidade de vida desejo para mim e para o planeta? Com que elegância afetiva pretendo conviver com vizinhos, amigos, colegas de trabalho, parentes, pessoas em geral com quem divido a oportunidade da vida?

Enquanto me fazia essas perguntas, ainda me recuperando do tsunami, meu olhar se ampliou, meu campo de visão aumentou, a sensibilidade aguçou, prevaleceu o senso de coletividade, de solidariedade e de valor do que é realmente essencial.

E aí começaram a chegar as mensagens, as flores, os chocolates vindos de longe, pães, bolos e canjas deixados na porta, os guacos para chás, as visitas da janela, o amigo de longe me pedindo o “boletim médico”, os que tudo enfrentaram e corajosamente se arriscaram me cuidando. O médico, esse ser generoso, ali, enfrentando junto, todo o medo, a fragilidade, encorajando e dando segurança.

Sempre acreditei no amor, na gentileza e na assertividade como escolhas de vida. Pratiquei e pratico na certeza de que o que não se consegue com bons tratos dificilmente conseguiremos de outras maneiras, embora, às vezes, a vida nos exija que pontuemos com clareza os limites.

Somos únicos, mas não estamos sozinhos. Somos muitos e podemos transformar o modo de viver. Podemos juntos lutar pela conservação da natureza, pelo bem viver, para que as oportunidades sejam para muitos, flexibilizando certezas, redescobrindo valores essenciais.

O que levo dessa experiência é que não estou sozinha em minha opção no modo de viver. O amor cura!

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