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Estado de Minas PANDEMIA

Leo Ziller e os efeitos colaterais do novo coronavírus

No 'Diário da quarentena', produtor de eventos comenta 'descobertas' dos cientistas do WhatsApp, 'diagnósticos' dos especialistas do Instagram e 'previsões' dos analistas políticos do Facebook


postado em 03/06/2020 04:00


Estamos passando por uma situação inédita, que nos obriga a aprender a trocar o pneu do carro com ele andando, nesta crise em que ninguém tem certeza de nada.

Estou em casa há tanto tempo que sinto saudades até de quem nem gosto. O clima é de guerra, há milhares de vidas em jogo na trincheira, bombardeiros de empresas quebrando no front, náufragos passando fome, colapso nos relacionamentos, batalhões de soldados perdendo emprego, uma tonelada de gente que nem sequer tem como lavar as mãos (muito menos fazer isolamento social), desequilíbrio emocional e violência doméstica, tudo ao mesmo tempo agora.

O vírus ainda judia de algo impensável: não deixa as pessoas se despedirem de alguém querido que perderam. Esse é o ápice da crueldade!

Tudo isso acompanhado por uma briga política gigante entre o presidente, governadores e prefeitos, lembrando que estamos em ano de eleições. Só espero que os políticos não nos esqueçam guardados em casa enquanto brigam entre si.

O vírus veio cheio de malícia, nos engana durante 14 dias e nos deixa doentes sem sintomas, imagina isso? É o auge da malandragem! O gaiato já matou milhares no Brasil – pelo visto, é só o começo.

Sem contar a guerra da (des)informação, WhatsApp anda cheio de profetas do corona, especialistas de Instagram em epidemiologia e analistas políticos de Facebook. Nunca vi tanto cientista maluco aparecendo do nada, todos sabem tudo sobre isolamento diagonal, vertical e horizontal. Dissertam sobre pico do vírus, eficiência de máscaras, imunidade de rebanho, remédios que “curam” e curvas de contágio.

O mais incrível é que existem “reportagens” para defender qualquer ponto de vista. A turma se esbalda com uma propriedade de dar inveja a Einstein, mas com este detalhe nada suave: ninguém aceita opinião contrária à sua, mesmo que seja de um especialista renomado, pois todos põem os interesses pessoais à frente.

No meio dessa espiral de loucura e negações, ainda estamos trocando de ministros mais do que eu troco de roupas. Tempos sinistros, nosso equilíbrio é testado a cada dia.

Trabalho com entretenimento, sei que somos os últimos na fila do pão. Para contrariar a lógica, sou otimista. Torço para que o que estamos passando nos ajude a perceber que isso tudo só faz sentido, de verdade, quando a situação está boa para todo mundo. Se esse for o legado do corona, todo o sacrifício terá valido a pena.

Tomara que isso passe logo, pois morro de saudades de abraçar os amigos e sentar em um bar para ser mal atendido.

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