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Estado de Minas PANDEMIA

Um pequeno gesto de amor faz toda a diferença

No 'Diário da quarentena', Tiago Gramiscelli revela como o carinho dos avós trouxe alento para ele, a mulher e os filhos, às voltas com o isolamento social


postado em 24/05/2020 09:20 / atualizado em 24/05/2020 09:22

Diário da quarentena

Tiago Gramiscelli
Professor de educação física

Pandemia é uma palavra nova em nossa rotina, talvez mais comum para quem gosta de filmes de ficção científica ou sobre crises sanitárias. Não é o meu caso. Por isso, além de estar ligado no noticiário do rádio, da televisão e dos jornais, redobrava a busca por informações na tentativa de entender os dias difíceis vividos na Ásia e na Europa. Agora, esta estranha realidade chegou até nós.

No meio de toda a confusão, a minha preocupação e de minha mulher, Flávia, era com a chegada de nossa segunda filha. Laura nasceu no dia em que foi anunciada a necessidade do isolamento social. Ela nasceu forte, com 2,2kg. Para nossa alegria, espertinha como ela só! Trouxe esperança e a certeza de que, ultrapassada essa crise, seremos capazes de suportar qualquer tempestade. Mas a cada dia surge uma dezena de perguntas para as quais não há respostas capazes de esclarecer nossas dúvidas.

De volta para casa depois de um dia na maternidade, Rafael, nosso primeiro filho, de quase 3 anos, nos surpreendeu ao receber a irmã dando-lhe as boas-vindas com um abraço, do jeito dele, e um beijo na testa. Meu filho não tem a noção de que, a partir de agora, ele a irmã vão dividir o espaço físico e a atenção dos pais. Mesmo assim, vibrou com o bebê, que já apelidou carinhosamente de Laurinha Bonitinha. Honras da casa feitas, voltou a brincar com seus carrinhos como se quisesse nos dizer que a vida continua, apesar de tudo.

Os dias foram passando, a convivência dos irmãos tranquila, e o confinamento dando pistas de que estaria longe para terminar. Com filhos e inúmeras tarefas domésticas a cumprir, o dia voa. Além da rotina, nova para mim e minha mulher, pois trabalhamos fora, ainda precisamos corrigir os deslizes do dia anterior. Seja pela falta de atenção ao Rafa, o esquecimento do banho da Laura e até mesmo o nosso corre-corre tão absurdo. Eu e minha mulher quase não nos vemos em casa.

O sentimento de solidão estava ali, rondando, especialmente por sermos muito ligados a nossas famílias. Pais, irmãos, cunhados e sobrinhos fazem uma falta enorme. Temos a tecnologia a nosso favor, nos aproximando em vídeo ou fotos. Sorte a nossa. Imagine essa pandemia nos anos 1980!

Mesmo com a rotina da casa a mais equilibrada possível, tarefas divididas e a consciência de que manter o afastamento social é urgente e necessário, sentimos muito ter que comemorar a Páscoa longe da família. Foi aí que vivemos outra grande emoção. Meus pais, Carla e Ronaldo, sem dar qualquer sinal da surpresa que fariam, deixaram almoço, chocolates e presentes para as crianças na portaria do nosso prédio.

Naquele domingo, lugares da família à mesa estavam vazios, mas, em nossos corações, a esperança por dias melhores foi redobrada. Com aquele gesto, meus pais deram o exemplo de que sairemos mais fortes, capazes, sobretudo, de olhar o próximo com amor e generosidade.

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