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Estado de Minas ISOLAMENTO SOCIAL

Bruno Motta conta as vantagens e desvantagens da quarentena

Nesta era das lives, ator revela que não teve coragem de abandonar uma transmissão ao vivo. Motivo: era o único espectador


postado em 07/05/2020 04:00 / atualizado em 06/05/2020 19:19

Diário da quarentena  
Ah, essa quarentena!

Bruno Motta
Ator

Já aconteceu o que ninguém esperava, além de a gente voltar a se importar com o Big brother. Até tinha me esquecido de qual era a emoção de uma eliminação sumária, acompanhada como novela diária e consumada pela mídia, mas não quero falar de como caem os ministros neste país. Vamos falar de coisas realmente inesperadas, como de repente o preço do petróleo estar negativo. E eu entendo. Sem fazer nada em casa, quem não está negativo?

Tem partes boas, claro. Tivemos um feriado, foi o primeiro que vi cair entre um sábado e outro sábado. E no dia seguinte, imagino ter sido domingo, pois liguei a TV e passava futebol.

Ah, essa quarentena…

Futebol! Quem diria? Tudo parado no mundo do esporte, o único jogador em atividade era o Ronaldinho Gaúcho, disputando um amistoso naquela prisão do Paraguai. O que importa é que de repente o Brasil era tetra! Tetra! A taça na mão do Cafu, naqueles tempos em que ser capitão era sinônimo de alguma competência. Tivemos que apelar pra reprise até de jogo de futebol e, ao que parece, escolheram rever a final da Copa de 94. Achei arriscadíssimo: do jeito que estão as coisas, corria o risco de o Baggio acertar aquele pênalti e a gente perder a Copa daquele ano.

O que acalma é saber que estamos todos na mesma tempestade. Sim, cada um no seu barco, mas o clima é o mesmo. Fico surpreso: dia sim, dia não, todo mundo fica ansioso pelo jantar no mesmo horário que eu, pois escuto as panelas baterem em toda a vizinhança. Tá ruim até pra quem manda, como o ditador da Coreia do Norte, hospitalizado não por uma gripezinha ou coisa assim, mas depois de uma espantosa cirurgia de coração – o que espantou, no caso, foi descobrir que até ditadores têm coração.
Ah, essa quarentena... 

Bem fez o Roberto Carlos, que já fez seu especial e, ao que parece, encerrou o ano. Pro Rei já deu. Se bem que não foi assim “especial”, foi uma live, que agora acontece a toda hora na internet. Outro dia, caí em uma com dois espectadores. Um saiu, fiquei eu. E a vergonha de sair de um show que tem só um espectador? Afinal, entendi como deve se sentir o único fã que sobrou do Biel, aquele cantor cancelado pela internet, esse tribunal supremo que decide quem está acima do bem e do mal – mas não quero falar de como se escolhe um vencedor do BBB. 

Vamos falar de algo positivo, algo pra ter esperança no dia de amanhã. Pelo menos estamos num país onde, afinal, quase todo brasileiro poderá recorrer a um valor em dinheiro inesperado em suas contas bancárias. Sim, caro leitor e leitora, respire aliviado, pois estamos neste lugar abençoado, o país onde, pelo que entendi e vi pelo noticiário, todo cidadão pode pedir sua parte da herança do Gugu.

Ah!, essa quarentena…

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