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No Diário da quarentena, Tatiana Laucas fala dos desafios das mães

Ocupar o tempo dos filhos é tarefa nada fácil nestes tempos de isolamento social. Que tal ver um bom filme com eles? Ou ensiná-los a dar nó na gravata e a se virar na cozinha?


postado em 02/04/2020 04:00

Todos nós ainda estamos, de uma forma ou outra, aprendendo a nos adaptar a uma realidade totalmente nova. Crianças em casa, isolamento, trabalho remoto, incertezas.
Depois do baque inicial, me veio à cabeça como iria me adaptar e fazer do caos um exercício produtivo. Seria este o momento de que precisávamos para fazer todas aquelas coisas para as quais nunca tivemos tempo? Assistir àquele filme ou ensinar os filhos a se virarem na cozinha, por exemplo? Atividades pouco valorizadas e tão importantes, como cozinhar, lavar pratos, consertar uma mesa ou uma cadeira, quase sempre são relegadas a outros por nos faltar “tempo”.

Penso que talvez seria esta a hora de ensinar tais atividades a nossos filhos – a maioria deles tem quase todo o tempo tomado por atividades acadêmicas. Não seriam essas atividades corriqueiras tão importantes e necessárias à nossa sobrevivência quanto a sintaxe e a álgebra?

Mas, apesar de tudo, eis que elas – as atividades acadêmicas – não param de chegar. Vêm por várias plataformas diferentes, todas as matérias! Difícil mantê-los interessados. Quem sabe, então, não seria a oportunidade de aproveitar para assistiros juntos a filmes que há tempos deixávamos para outro dia? Há tantos excelentes, que transbordam conhecimento e cultura. História? O assunto são as revoluções inglesas do século 17. Então, vamos assistir a Elizabeth e a Duas rainhas? Matemática? Que tal O jogo da imitação, que conta um pouco da vida de Alan Turing, o gênio que salvou milhares de vidas durante a Segunda Guerra?

Física? Interestelar mostra, na prática, a teoria de Einstein e o conceito de tempo – muito relativo no momento que estamos vivendo, diga-se de passagem. Absolutismo e Iluminismo? O clássico Amadeus contextualiza a Áustria daquela época.

Se o assunto for literatura, aí a lista é imensa: O conde de Monte Cristo, de Dumas, Os miseráveis, de Victor Hugo, e tantos outros. Para não deixar os grandes brasileiros de lado, O tempo e o vento, de Erico Verissimo. Há tempos queria apresentá-los aos meus filhos.

E assim seguimos, mantendo a cabeça ocupada sempre. Ainda não precisei recorrer a quebra-cabeças nem a palavras cruzadas (nada contra eles), pois o trabalho continua e ele será a única alternativa que teremos para superar a crise que ainda está por vir. Todos terão que se adaptar de algum modo para, no sentido amplo da palavra, sobreviver .

Por um momento, pensei na frase “não é o mais forte que sobrevive, mas o que melhor se adapta às mudanças”, atribuída erroneamente a Darwin. Sim, a adaptação é necessária sempre, principalmente em momentos como este. Mudanças ocorrem a toda hora à nossa volta. Coisas saem errado o tempo todo e precisamos estar preparados para enfrentar estas dificuldades. As pessoas que conseguem aprender com as adversidades e mudar suas atitudes em resposta a uma mudança conseguirão mais facilmente contornar os problemas. Então, vamos aproveitar o momento e dar mais valor a atividades consideradas irrelevantes. Ensine seu filho a dar nó na gravata, trocar uma lâmpada, fazer consertos em casa, encher o pneu da bicicleta e fazer a barra da calça.

Quem sabe, assim, as próximas gerações darão mais valor ao professor, à costureira, ao encanador... E nós, em quarentena, aprenderemos a mudar as nossas prioridades e a valorizar o que realmente é importante.

Tatiana Laucas
ECONOMISTA

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