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No Diário da Quarentena, Phillip Martins adverte que controle é ilusão

Desde terça-feira, o colunista Helvécio Carlos reúne textos sobre as mudanças impostas pelo coronavírus ao dia dia de profissionais de várias áreas


postado em 22/03/2020 04:00


Por aqui, os dias estão custando a passar. O volume de trabalho diminuiu bastante, ainda mais no meu caso, que sou relações públicas e lido diariamente com o relacionamento em suas diversas formas. O mercado parece que silenciou, não se fala nem mesmo no planejamento para o ano que vem pela frente.

Mas sabe o que fiz? Procurei atualizar tudo que precisava. Estou cuidando muito mais da alimentação, porque passei a cozinhar em casa. Como não entendo tão bem assim de gastronomia, faço pouca variedade e consumo alimentos fáceis de manipular, ou seja, estou comendo menos e trabalhando a ansiedade de forma mais prática – afinal de contas, desacelerei com o novo ritmo diário. Fiz faxina no meu armário, separando roupas, sapatos e bolsas para vender e doar. Aproveitei para jogar fora vários papéis e documentos que não vou utilizar mais e estavam aqui, acumulados no meu pouco espaço disponível.

Mas decidi, mesmo, foi cuidar do coração e da mente. Erroneamente, todos nós amamos estar no controle, fantasiamos que somos os capitães do nosso destino, mestres da nossa sorte. A realidade é que hoje, mais do que antes, podemos controlar partes significativas de nossas vidas, podemos controlar o aquecimento e a segurança da nossa casa pelo tablet, podemos movimentar dinheiro ao redor do mundo através dos aplicativos, podemos controlar até mesmo nossos corpos com treinamentos específicos e o uso de medicações para es0tabilidade e foco, não é mesmo?

Mas talvez esse senso de controle seja ilusão, uma bolha que o coronavírus estourou, revelando a dura realidade: não estamos no controle e não controlamos nada. Tenho aprendido algumas coisas com esses dias reflexivos por aqui. De nada ainda tenho certeza, mas sinto que vamos entrar em uma quarentena de consumo, cujo impacto será cultural, essencial para a construção de um novo mundo comportamental, muito diferente daquele em que vivíamos dias atrás. Seremos obrigados a encontrar formas inovadoras de nos comunicar e retransmitir as informações de maneira que ainda não sabemos como.

Portanto, essa ruptura de uma hora pra outra nos rouba a autonomia de decisões sob nosso controle e diminui a velocidade das ações para outro ritmo – de fato, assustador no começo. Não estamos mais acostumados a levar a vida e a nossa rotina sem pressa, a esperar por respostas e buscar soluções no ritmo como devem ser verdadeiramente.

Então, penso que as habilidades de improvisação e criatividade se tornarão os ativos mais altos neste mundo que começa a surgir embaixo dos nossos olhos.

Bom, vou indo e quero te dizer que esta não é somente uma crise econômica mundial, mas uma crise de ruptura e de pensamento. É como se uma página em branco nos fosse dada para um recomeço, porque muitas empresas, processos e dinheiro serão eliminados dentro do conceito de desaceleração. Reinventar, reestruturar, redirecionar e reiniciar exigirá muita percepção, coragem e audácia para construir uma nova economia com outros valores e formas de lidar em todas as esferas.

Essa quarentena está nos ensinando o quão fracos somos como seres humanos; por isso, cuidemos uns dos outros e da nossa mente. Fique em paz, porque tudo vai se ajeitar da melhor maneira.

Phillip Martins
Relações públicas

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