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Coronavírus põe estilista mineiro em alerta com relação à Veste Rio

Victor Dzenk diz que como navios com tecidos não vieram da China em fevereiro, a pronta entrega pode estar ameaçada. Já há falta de entretelas no mercado


postado em 15/03/2020 04:00

(foto: REPRODUÇÃO/YOUTUBE)
(foto: REPRODUÇÃO/YOUTUBE)
O avanço do novo coronavírus afeta a moda. O estilista Victor Dzenk está com tudo preparado para a feira Veste Rio, marcada para 15 a 19 de abril, no Fairmont Copacabana, no Rio de Janeiro. Ele só não sabe como fazer para atender a pedidos dos compradores. “Navios com tecidos que deveriam ter saído em fevereiro dos portos chineses não saíram. Devemos sentir o impacto disso entre maio e julho. Já há falta de matéria-prima, como as entretelas. O produto não é fabricado no Brasil e tem preço melhor na China. A italiana é cara e a francesa caríssima”, diz ele, ainda confiante na realização do evento. “Tomara que não sejamos tão impactados como outros países. Mas a tensão é grande”. Assustado com o impacto do vírus na economia, ele comenta: “Parece coisa de filme.”

Apesar destes tempos em que lavar as mãos com sabão ou álcool gel é lei, Dzenk comemora o sucesso do projeto social Costurando Sonhos. A iniciativa de formar mão de obra especializada começou com os pais dele, Tereza e Vitautas, no início dos anos 2000. 

A ideia, agora repaginada, é manter o ofício artesanal da costureira. Mais que interesse por moda e costura, as alunas precisam provar que são carentes. “Queremos que elas tenham uma fonte de renda”, explica o estilista.

Costurando Sonhos, programa da marca Victor Dzenk, é um sucesso tão grande que a lista de espera tem 30 nomes. A segunda turma, que começou há poucos meses, está completa.

O projeto Costurando Sonhos ganhou nova versão. O que mudou e o que vai permanecer?
Mantivemos a apostila e o método de ensino profissionalizante para costureiras criados por minha mãe, Tereza Neuma Dzenk, e minha irmã, Ana Elisa. Todas as técnicas de costura industrial e corte são passadas para as alunas com noções de mecânica e a nomenclatura das peças do universo do maquinário industrial. Implantamos também assistência piscológica e de bem-estar, com voluntárias nas áreas de saúde e de beleza.

A ideia inicial foi de seu pai, Vitautas Dzenk, que sempre trabalhou na área financeira da empresa...
Meu pai e minha mãe sempre cuidaram da profissionalização interna na empresa. Ensinavam noções básicas de corte e costura. Quando levamos a escola para o nosso sítio, na Lapinha, iniciamos a profissionalização externa. Quando a aluna ficava apta, ingressava na empresa ou trabalhava como  terceirizada em nossos projetos. A necessidade de formação era importante, até mesmo porque em Lagoa Santa não havia esse profissional e precisávamos formá-lo.

Encontrar um profissional que conheça técnicas da costura ainda é um desafio? 
É sempre um desafio, até porque esse ofício vai se perdendo aos poucos. Mas agora estamos conseguindo despertar o interesse da nova geração pela costura. Os cursos que ministramos foram a maneira encontrada para driblar o problema. Vimos que era necessário criar atrativos dentro do processo de ensino. No curso, além da parte didática, há apoio psicológico. A questão da autoestima é debatida com voluntárias da área da beleza, que fazem de cortes de cabelo à maquiagem.

Como você vê o ofício da costureira? Ele corre o risco de acabar? 
O ofício não vai se extinguir. Porém, só vai perdurar se houver estímulo, escolas que tratem da profissionalização das novas gerações.

Como funciona a seleção para o projeto Costurando Sonhos?
Há entrevista e um formulário, no qual elas revelam seu interesse por costura e moda. Queremos alunas que transformem a costura em fonte de renda familiar. As aulas são ministradas no sábado de manhã, há aulas práticas com uma de minhas pilotistas. Por enquanto, estamos focados na produção de homewear, de porta-copos e sousplat utilizando o descarte têxtil da fábrica. Oferecemos também oficinas de bonecas, pufes e outros objetos.

A marca Victor Dzenk está há 22 anos de mercado. Quais foram os momentos mais marcantes dessa trajetória?
O desfile do inverno de 2012, no Copacabana Palace, às 10 da manhã. Contamos a história do hotel, da fundação ao show do Rolling Stones, o último realizado frente ao hotel naquela data. E também ter recebido Mozah bint Nasser Al Missned, mulher do emir do Catar, Hamad bin Al Tahani, que estava hospedada na suíte presidencial do hotel. Ela encomendou 10 caftãs. Ter trabalhado com Camila Pitanga é outra grande lembrança. A personagem Bebel, da novela Paraíso tropical, usou as peças da coleção Rio de Janeiro. Foi muito legal trabalhar com ela.

Tomando por base o início de sua carreira, como você vê o mercado da moda?
Se pensarmos nos grandes eventos dos anos 1980 e 1990, as coisas ficaram mais sem graça. Não há mais a efervescência daquela época. No início da minha carreira, tudo poderia acontecer. Não temos mais isso. Agora é tudo muito mais rápido, fugaz.








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