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Tizumba volta à Sapucaí, neste sábado, desfilando no Salgueiro

A vermelho e branco da Tijuca homenageia o mineiro Benjamim de Oliveira, primeiro palhaço negro do Brasil, patrono da companhia de teatro de Maurício Tizumba


postado em 29/02/2020 04:00 / atualizado em 28/02/2020 16:34

Tizumba é um dos destaques no último carro alegórico da Salgueiro(foto: Alex Nunes/Divulgação)
Tizumba é um dos destaques no último carro alegórico da Salgueiro (foto: Alex Nunes/Divulgação)

Primeiro palhaço negro brasileiro, o mineiro Benjamim de Oliveira (1870-1954) – infelizmente, pouco conhecido no país – ganhou homenagem do Salgueiro neste carnaval, com o enredo O rei negro do picadeiro. Enquanto muita gente queria saber quem é o ilustre homenageado, o ator e músico Maurício Tizumba só tinha a comemorar a decisão da vermelho e branco da Tijuca. “Ele é o patrono da Burlantins, minha companhia de teatro criada há 20 anos”, diz, com orgulho.

A relação dos dois não para por aí. No início  dos anos 2000, Tizumba participou do episódio do programa Heróis de todo mundo dedicado à trajetória de Benjamim.

Neste sábado, o Salgueiro volta à Sapucaí para o desfile das campeãs. Tizumba estará lá. Ele não acha que Benjamim será esquecido depois da folia. “Penso o contrário, pelo tanto que falamos sobre ele nos últimos anos e também pelo fato de uma escola como o Salgueiro transformar sua vida em enredo, contando essa história de forma maravilhosa na avenida. Uma vida que o Brasil teima em apagar, como acontece com outros negros e negras importantes em várias áreas”, lamenta. “Foi por meio do Salgueiro que milhares de brasileiros ficaram sabendo da história dele. Agora, cabe a nós, negros, não deixar que ela seja esquecida.”


COM A PALAVRA
MAURÍCIO TIZUMBA
Ator

Como você se sentiu na Sapucaí? 
Maravilhosamente bem. Já desfilei em outras ocasiões e a emoção, a felicidade são sempre as mesmas. A Sapucaí é mágica para quem desfila e para quem assiste. É magnífica e grandiosa na organização. Emoção inexplicável. Você tem que desfilar para sentir o coração bater forte na hora do grito de 'entra' do intérprete e a bateria começar. É uma loucura. E é muito boa a sensação de pura felicidade no maior espetáculo da Terra.

Você desfilou no carro ao lado de Negra Li, Watusi, Érico Brás e Antônio Pitanga, para citar alguns. Tietou? 
Tietar, jamais. Somos colegas de trabalho. Com alguns deles já trabalhei no cinema, teatro e televisão. Tietar colega não é bom. Ainda mais se forem estrelas.

A maioria das pessoas – muitos artistas inclusive – desconhece a trajetória de Benjamim de Oliveira. Isso vai mudar? 
Ele é patrono da minha companhia de teatro, a Burlantins. Já trabalhei em um dos episódios do programa Heróis de todo mundo, dirigido por Luiz Pilar, homenageando o Benjamim. Há oito anos, fiz a mostra Benjamim de Oliveira também com o objetivo de criar trabalho e espaço para a nossa arte negra em lugares onde, na maioria das vezes, as portas estão sempre fechadas. O Salgueiro festejar os 150 anos de Benjamim é de grande importância, pois é a comunidade negra contando a sua própria história. Com isso podemos buscar reparações para o povo negro brasileiro.

Ainda vivemos numa sociedade preconceituosa, 150 anos depois do nascimento de Benjamim?
A sociedade continua excludente, como sempre. Mas agora, nós, negros, podemos lutar por igualdade racial e de direitos e por reparações. Há muito tempo, aprendi que só talento não basta. É preciso muito trabalho. No entanto, é difícil entrarmos no mercado de trabalho. Afirmo isso sem medo de dizerem que minha fala é mimimi. Temos de criar os nossos próprios trabalhos, nossas próprias companhias, para, aí sim, tentar remuneração mais digna, mesmo sabendo que quem paga impostos somos todos nós, negros e não negros, mas esse dinheiro vai para as mãos de gestores brancos. Aí a gente acaba perdendo. Para melhorar essa realidade será necessário ter negros em todos setores da sociedade, principamente em cargos de comando.

Negra Li disse que, assim como Benjamim, foi precursora por ser a primeira negra a gravar rap por uma grande gravadora. Você foi pioneiro em algum momento de sua trajetória? 
Não me lembro. Posso até ter sido em algum momento, mas pra mim isso não é importante. O importante é a gente dar continuidade à nossa ancestralidade. Não me importo em ser o segundo, o terceiro, quarto ou quinto... O que é preciso é deixar um legado. Continuar a história dos que vieram antes de nós para que eles sejam reverenciados. Vamos nos fortalecer neste país de racistas.

Quem são os artistas negros em que você aposta em Belo Horizonte?
Com o advento das cotas, muita gente da periferia vem entrando para a academia e se graduando em arte. Outros já têm mestrado e doutorado, discutindo, com propriedade, a arte negra. Há muita gente boa, como o grupo Negras Autoras.

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