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O fotógrafo norte-americano Man Ray ganha exposição inédita na cidade

Emmanuelle de l'Ecotais, curadora da mostra, fala do processo de seleção das obras e do prazer que a exposição oferece ao público


postado em 15/12/2019 04:00 / atualizado em 13/12/2019 15:40

(foto: Jair Amaral/EM/D.A.Press)
(foto: Jair Amaral/EM/D.A.Press)
Entre algumas frases que podem ser vistas nos setores da exposição Man Ray em Paris, em cartaz no CCBB, na Praça da Liberdade, uma delas – “Man Ray é sinônimo de alegria, jogo e prazer”, dita por Marcel Duchamp – é a melhor definição encontrada pela curadora da mostra, Emmanuelle l'Ecotais para  a primeira retrospectiva do fotógrafo norte-americano. “Acho que a exposição transmite prazer aos visitantes.”

A mostra reúne 225 obras, incluindo fotografias, objetos, serigrafias e vídeos. Emmanuelle conta que a escolha das obras foi feita naturalmente. “Um olhar de dentro da retrospectiva do artista, com o objetivo de fazer com que o grande público fosse apresentado às obras mais importantes e explicando o processo de criação. Foi o que tentei provocar ao pensar o percurso nesse sentido, em torno de suas práticas diferentes: o trabalho de encomenda, como os retratos e as fotos de moda, além das pesquisas pessoais (solarização e rayografia), sempre uma enriquecendo a outra”, afirma.

Ela reconhece que as revelações diferentes permitem compreender como ele desenvolvia o seu trabalho. O mais difícil, frisa, foi organizar tudo de forma cronológica a partir de 1920. Sobre o prédio do CCBB,  onde a mostra fica em cartaz até 17 de fevereiro, a curadora afirma que é interessante por ser um lugar público, 

“onde os espaços permitem um percurso fluido e muito agradável para trabalhar”.

COM A PALAVRA...

Emmanuelle de L'Ecotais,
Curadora da mostra Man Ray em Paris

Man Ray em Paris é a primeira retrospectiva do fotógrafo no Brasil e foi eleita pela Associação Paulista de Críticos de Arte como a melhor exposição internacional do ano. Para a senhora, qual a importância da exposição?
O sucesso da exposição em São Paulo, tanto pelo público como pela crítica, prova que Man Ray continua até hoje um artista moderno.

Man Ray é um dos maiores artistas do século 20. Como e por que surgiu sua admiração pelo trabalho dele? 
Man Ray contribuiu para que a fotografia fosse considerada como arte. Quando comecei a estudar história da arte, poucas pessoas colocavam a fotografia no patamar das artes. Foi a capacidade da fotografia de se liberar da realidade que me fascinou. Man Ray, como inventor da fotografia surrealista, é o artista do início do século 20 que melhor demonstrou essa possibilidade da fotografia estar no patamar de artes plásticas por dar importância aos sonhos. Não à toa ele dizia que pintava com a luz!

Man Ray deu enorme contribuição para a fotografia se equiparar a arte. Como a senhora avalia a fotografia nos nossos dias e qual a importância de Sebastião Salgado, fotógrafo mineiro?
Nós vivemos no período das fake news e com Man Ray aprendemos como é importante saber ler as imagens. A fotografia contemporânea se torna escultura através do 3D, ou instalações ou evoluções tecnológicas que são novas formas de expressão. Mas o que interessa em torno da fotografia contemporânea é a possibilidade e questionamentos que circundam a noção do que é realidade. Com o progresso da inteligência artificial, essas questões se tornam necessárias. A importância de Sebastião Salgado, para além da sua qualidade técnica, é o engajamento político, sua posição no mundo atual dos novos desafios, como a questão da ecologia. Salgado está constantemente provando que a fotografia pode ter um impacto sobre a realidade.

Na exposição do CCBB o que mais a emociona? 
A força de Man Ray é a capacidade de nos abrir para um novo mundo: as pessoas podem interpretar ou ver coisas diferentes nas suas fotografias e, a partir daí, se apropriarem. Um pescoço pode se tornar um animal estranho, um sapo ou uma forma erótica. Daí cada pessoa verá a obra de maneira diferente. A simples beleza plástica de certas obras é um prazer e não podemos nos privar desse prazer. Podemos contemplar a perfeição plástica da obra Preta e branca durante longos minutos, sem deixar de observar o sentido profundo da mesma.

A senhora concorda com Man Ray e Duchamp, que defendiam que a fotografia pode representar outra coisa além da simples realidade?
Com certeza. Inclusive, isso é o que mais me interessa.

A senhora deve estar vivendo Man Ray 24 horas por dia. É um tema que permite falar sem se cansar? 
É agradável trabalhar com coisas belas. Acredito que é muito importante cultivar o livre arbítrio, o senso crítico e o senso de humor, e as obras de Man Ray permitem isso tudo.

Além das fotografias, o público admira objetos criados por Man Ray. O que a senhora prefere: as fotos ou os objetos?
Tenho paixão pelas fotografias de Man Ray. Já os objetos me divertem, são enigmas a descobrir. Mesmo conhecendo-os, sempre descobrimos novidades e mensagens a cada olhar. Nada passa despercebido!

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