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Estado de Minas

A partir de sexta-feira festival de gastronomia movimenta Tiradentes

Rodrigo Ferraz fala das novidades do projeto que está em sua 22ª edição


postado em 18/08/2019 04:00

(foto: Natália Alvarenga/Divulgação)
(foto: Natália Alvarenga/Divulgação)


“Não me arrisco no fogão de jeito nenhum”

Os festins estão de volta ao Festival Cultura e Gastronomia em Tiradentes, que começa na sexta-feira (23). Rodrigo Ferraz, há 11 anos à frente do evento, tomou essa decisão com base no desejo do público. “Vimos que as pessoas desejavam o retorno dos festins, onde o chef pode mostrar seu trabalho conceitual, de vanguarda, de tendência. Então, resolvemos trazê-los de volta. Ano passado, foi um sucesso, e agora ampliamos ainda mais”, conta. De acordo com o empresário, suas decisões visam atender, satisfazer e superar as expectativas do público. A programação é democrática, com 200 atrações – entre elas, estandes de chefs e produtores, cozinhas ao vivo, aulas e palestras.

Os festins contarão com a participação dos chefs Henrique Gilberto (MG), Marcelo Petrarca (DF), Alberto Landgraf (RJ), Marco Gil (CE), André Mifano (SP) e Morena Leite (SP). Nomes escolhidos por seu destaque no mercado, explica Rodrigo. “Em apenas quatro meses de funcionamento, o restaurante Otaque, de Alberto Landrgraf, entrou para a lista dos mais importantes do mundo. Já Henrique Gilberto faz um trabalho fenomenal no Mercado Novo da capital mineira, conectando pequenos produtores em volta do restaurante dele”, cita.

Rodrigo Ferraz elogia o projeto do festival, criado por Ralph Justino: “Foi um grande feito para o Brasil.”


COM A PALAVRA
RODRIGO FERRAZ
Empreendedor gastronômico

Até que ponto a crise econômica afetou o festival de Tiradentes?
Acho que já temos uma vitória por conseguir realizar o Festival de Tiradentes este ano, tê-lo colocado de pé. Fizemos vários ajustes de logística, montagem, economia de custos, antecipação. Mas não na questão dos chefs brasileiros. Há alguns anos, alteramos o festival de "internacional/atração" para “Brasil/educação”. Até tiramos o internacional do nome. Isso ocorreu quando começamos a usar o conteúdo pesquisado na Expedição como base para o Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes.

Ao longo de 11 anos, quais são suas melhores lembranças do evento? 
Um momento marcante aconteceu há mais ou menos cinco anos. Entrei no estacionamento onde sempre paro e comecei a reparar que as placas dos carros – Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Londrina, Juiz de Fora, Barbacena, Brasília – representavam o Brasil. A partir daí, tive certeza de que o festival colaborou com a economia local. Confirmei o poder que a gastronomia tem.

Você está sempre circulando por Tiradentes. Dá tempo para curtir os festins? Que chef foi a grande sensação deles? 
Sempre gosto de andar pela cidade inteira, acompanhar o que está acontecendo e me certificar de que está bem-feito. Lembro-me de que ao final de uma palestra de Alex Atala, uma multidão se juntou para tirar foto com ele e conversar sobre seu excelente trabalho. Foi muito interessante ver as pessoas emocionadas, querendo fotos com ele.

Qual é o seu maior sonho em relação ao futuro do festival?
Não apenas em relação ao festival de Tiradentes, mas em todo o trabalho que fazemos com gastronomia, livros, festivais, programas de rádio, produtos que temos no Fartura, meu objetivo é conseguir aumentar a cultura gastronômica das pessoas. Que a gastronomia tenha um valor para elas, que entendam a cadeia produtiva como um todo, o que está atrás de um prato. Por isso o nosso tema é "Da origem ao prato".

Além do festival, você tem vários compromissos profissionais. Como se divide entre eles?
Como empresário, administro o Albanos, que vem crescendo muito, o festival de Tiradentes e o Fartura, que está no Brasil e em Lisboa. Procuro sempre ter um tempo para a família e para a saúde, questões muito importantes. Procuro estar muito concentrado, sempre focado no que estou fazendo. Tenho uma equipe maravilhosa, que me dá apoio fantástico em cada empresa.

Você é um dos grandes responsáveis pela divulgação da gastronomia no Brasil. Consegue encarar o fogão com a mesma maestria com que organiza o festival Fartura?
Sei fazer ovo e hambúrguer. Não encaro o fogão de jeito nenhum, isso deixo pra quem conhece. Um dia, perguntaram se seria cozinheiro ou mestre cervejeiro, por causa dessas multitarefas que exerço, e a pessoa respondeu que sou empreendedor gastronômico. Acho que é isso. Não me arrisco no fogão de jeito nenhum.

O Fartura nasceu no festival de Tiradentes e virou referência gastronômica nacional. O que o Fartura traz de bom para ele?
O Festival Gastronomia e Cultura Tiradentes é pai e irmão do Fartura. Pai porque deu todo o conhecimento, a possibilidade de criarmos o Fartura. Hoje, ele se tornou um irmão, pois todas as informações que buscamos nas expedições pelo Brasil, pesquisando a cadeia produtiva da gastronomia – a base das edições do Fartura – levamos também para o Festival de Tiradentes. Produtores, chefs, uma tendência, um ingrediente que encontramos na Expedição – levamos tudo para Tiradentes.


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